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A Escola Conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura



Este artigo tem como temática o sistema educacional como um dos meios de conservação social, que legitima as desigualdades e sanciona o legado cultural. Baseado em estatísticas, Bourdieu atribui esse problema aos mecanismos eliminatórios que agem durante o percurso efetuado pelos alunos das diferentes classes sociais. Para ele, a Sociologia esclarece o sucesso no aprendizado, que é atribuído pela herança cultural familiar herdada aos descendentes. Essa seria a responsável pela diferença inicial infantil diante da experiência escolar e das suas diferentes taxas de êxito. Esclarece que quanto maior o grau de escolaridade e maior a renda econômica familiar, melhor será o aproveitamento discente. Isso torna o aculturamento um processo lento. Além desse, há o período anterior ao escolar, cujas práticas e conhecimentos lingüísticos facilitam a compreensão e o manejo da língua vernácula e, também, as características demográficas do grupo familiar. Entretanto, apesar da condição social, o jovem pode se distinguir por certas diferenças, diferindo-se dos de sua categoria. Nas esferas populares, a presença de um membro da família que tenha graduação fará o grupo apresentar uma situação cultural diferenciada. O grau de instrução familiar e sua renda econômica situam o nível cultural, mas não informam como os saberes foram propagados aos filhos. Suponha-se que seja adquirido no ambiente escolar. Já, para as crianças abastadas, o legado transfere-se, também, através de diversas vivências extracurriculares. Assim, a cultura é desigualmente transmitida e resultam em desigualdades de seleção em níveis superiores de ensino. Quanto ao futuro, confirma que as atitudes perante a escola e os seus resultados dependem dos valores fixados pelo grupo conforme sua posição social. O incentivo dado pelos parentes atende a um "destino" objetivamente determinado. Essas aspirações regem a atitude dos filhos diante das mesmas metas e de seu aprendizado. Assim, entende-se o porquê da adesão aos valores escolares conforme a hierarquia. Para a classe alta, oportuniza a junção do ?status? social ao do prestígio cultural. Para a média, promove sócio, econômica e culturalmente. E, para a popular, a ascensão pode ser ínfima, devido ao baixo rendimento. Portanto, o ideal e os atos pessoais associam-se às expectativas do grupo social a que pertence. Essa combinação define a conduta discente, constituindo o principio de eliminação diferencial das crianças das diversas camadas. Nas classes populares, cujos jovens têm um rendimento menor, precisam de um incentivo maior da família e de seus professores para prosseguir os estudos. Ainda existe um processo seletivo que considera as vantagens e desvantagens sociais. Estas são convertidas em orientações ligadas à origem. A escolha da instituição e os resultados obtidos nos primeiros anos escolares condicionam a utilização que as crianças podem fazer de sua herança cultural e haverá um comprometimento maior ou não em seu sucesso escolar. Em relação ao ?funcionamento da escola e de sua função conservadora?, critica a equidade defendida pelo sistema educacional que sanciona as desigualdades culturais entre os jovens das diferentes classes e encobre e justifica os métodos de transmissão de informações. Realmente, a Pedagogia baseia-se em idéias de igualdade e universalidade, porém privilegia esquemas voltados para a propagação de uma cultura aristocrática, cujos conteúdos levam ao sucesso universitário e social. Os docentes partem da idéia de que existe, entre professor e aluno, uma ligação lingüística e de cultura sem considerar a origem do indivíduo. Este, ao iniciar seus estudos já dispõe de um conhecimento prévio. Todavia, com as funções que as classes cultas atribuem à escola, a organização cultural acaba beneficiando somente os membros participantes dela. È a lógica de um sistema conservador de valores hierárquicos. Assim, como o ensino é dirigido àqueles dotados de um maior grau lingüístico e cultural, torna-se patente queos saberes serão transmitidos para cumprir as exigências e não para atender a demanda. È evidente que esse modelo educacional só funcionará selecionando indivíduos dotados de ?capital cultural?. Entretanto, ele acolhe um grande número de educandos visando atendê-los qualitativamente. Sem as modificações em sua metodologia conservadora, gerou uma crise, pois seus alunos são de níveis sociais diversos. Essa democratização do acesso poderia modificar o funcionamento do sistema, se não houvesse um recrutamento discriminador. Desde que se atribui aos educandos êxitos escolares segundo sua hierarquia, a escola contribui para perpetuar e legitimar as injustiças sob a aparência de equidade, permite que a elite se enalteça e coopera para excluir os membros das camadas inferiores, justificando falta de aptidões devido a sua condição econômica. Dessa maneira, o sistema educacional justifica a exclusão da maioria devido a sua ausência de herança cultural. Quando aborda a ?escola e a sua prática?, comenta sobre o acesso às obras culturais como privilégio da elite. Esse fato desmistifica a homogeneização da sociedade, visto que os sujeitos com maior nível de instrução provêm de um meio culto. Para os das classes populares, a escola deveria ser um veiculo criador da aspiração artística, mas sua atuação é precária, pois não proporciona condições de transmitir a clientela atitudes e aptidões advindas do circulo familiar. De algum modo, essa carência pode ser encontrada em práticas acessíveis, como nos meios de comunicação em massa ou em Centros Culturais. Neste, frequentam pessoas cuja formação os prepararam para o culto à arte. Já, naqueles as informações são transmitidas por televisão ou rádio e atingem milhões de indivíduos que não as interpretam igualmente, porque cada mensagem é analisada conforme as características sociais e culturais de cada receptor. Em suma,enquanto perdurarem-se as injustiças na instituição escolar, continuarão sendo disfarçadas as desigualdades.


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