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O Homem Invisível



Nesse incrível conto de ficção científica, Robert Silverberg nos mostra a trajetória de um condenado à invisibilidade pelo crime de frieza, ou seja, recusa em expor seus problemas aos seus companheiros humanos. Escritor de uma espécie de ficção científica realista, Silverberg nos transmite tanto o futuro e a fantasia quanto os problemas comuns aos humanos. Reunidos estes dois ingredientes em um só contexto, surge o produto-ideal: um conto que não se desliga por completo da realidade terrena. O caso relatado neste conto se passa em um futuro não muito distante. Inicia-se em 11 de maio de 2104. Conforme dissemos outrora em frase supracitada, o personagem em questão foi julgado e condenado à invisibilidade. Fixada a marca da invisibilidade em sua testa, ele passa a ser ninguém dentro de uma imensa cidade . Como ele fora frio para com seus companheiros, agora em um período de um ano ele experimentará igual forma de tratamento pelos cidadãos. Ninguém pode manter contatos com um invisível ou prestar-lhe auxílio. A invisibilidade é o destino daqueles que quebram tal regra. Essa é uma forma de isolamento em meio à grande massa, o que torna ainda mais doloroso para o invisível pelo fato de estar sendo expressamente ignorado. A primeira experiência que tem ao sair do tribunal e voltar para as ruas com o símbolo da invisibilidade na testa, se passa nesta mesma tarde quando decide ir ao jardim suspenso de cactos. Ao dar o dinheiro e pedir a entrada, a moça da bilheteria finge não vê-lo e as pessoas que começam a chegar o empurram de lado como se ele não estivesse ali. Já que ele é invisível, quem o verá? Quem poderá detê-lo? Em meio a esta situação, dá a volta pelo balcão e pega uma entrada e ingressa no jardim. Apesar de pensar ser este o local apropriado para o seu ânimo, os cactos não o fizeram bem e logo se retirou. De volta ao seu apartamento, o personagem narrador começa a pensar em seu estado e constrói a ilação de que não seria tão difícil passar um ano daquele modo. Afinal, nunca precisará de forma exagerada dos humanos. No entanto, esse pensamento se transforma no decorrer do tempo. Sendo invisível, ele passa a praticar coisas que não praticará quando estava em ?liberdade?, tais como roubar (que era fácil demais e portanto perdia seu significado. Além disso, os prejuízos desta ação eram sanados pelo governo) e entrar em casas de banho feminino. A partir do momento em que uma pessoa se torna invisível, todas as coisas são liberadas para ela, mas também negadas. Exemplo disso é quando o personagem passa mal em seu apartamento e o médico se recusa a analisá-lo. Suas únicas companhias são as máquinas: somente anda de táxi automático, come em restaurante automático. Nem mesmo os mendigos se aproximam dele. A pressão é tanta quando se intensifica a invisibilidade que o passo para o suicídio está a apenas um fio. A falta do calor humano, da comunicação, da amizade e do trabalho que teve que deixar parado por causa das circunstâncias, formam uma imensa bola de neve que vem de encontro ao indivíduo em opróbrio. O nosso personagem experimentou deste amargo fel. Sua ânsia por manter um contato o leva a ir atrás de um outro invisível em um canto pouco movimentado, mas a tentativa é fracassada com a fuga do outro indivíduo. A solidão trazia uma espécie de insanidade. O próprio personagem nos conta que ?ficava de pé nas ruas vazias durante os períodos de chuva, e xingava as faces brilhantes dos edifícios que se elevavam dos dois lados ? Quem precisa de vocês? ? rugia ? Eu não! Quem precisa de vocês só um pouquinho??. Ele estava ficando louco com aquela situação. Um belo dia, esquecido de tudo, em seu apartamento toca o anunciador. Eram os homens da lei que vieram cumprimentá-lo pelo retorno à vida cidadã. Conforme o costume, tais homens o levam a um bar para celebrar o seu retorno. De volta ao mundo em seu quarto mês de retorno, estava ele regressando do trabalho quando é abordado pelo estranho invisível com quem tentara conversar em seu período de fraqueza. O homem se encontrava no mesmo estado em que o nosso personagem estava quando o procurou, mas desta vez foi ele o ignorado. Vendo o personagem sair, esta figura apela e o incita ao desafio de falar com ele. Nosso personagem se sente comovido e num instante após se vê enlaçado em um forte abraço com aquela pobre alma. Os robôs da segurança se aproximam, os separam e levam o personagem para novamente ser julgado. Porém, se mais esta vez ficar invisível, usará isto como um escudo de glória.


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