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O "turista" e a fragmentação política



Para personificar esses indivíduos que compõem, atuam e criticam o novo espaço público, Bauman se utiliza do estereótipo do ? turista?, de modo a tentar explicitar no que se fundam suas ações, numa sociedade em que não mais é permitido pensar engajamentos e projetos que ousem atingir amplitudes maiores que um quarteirão. O turista mantém um padrão próprio de agir e criticar o espaço público e, para Bauman, o padrão da crítica e ação dentro deste espaço público é referente a um padrão de ? acampamento?.<1> O espaço público é comparado a um espaço de acampamento, por Bauman, ilustrando como se dão os atos fragmentados e autodeterminados, dentro deste espaço onde a máscara foi suprimida pela personalidade, pelo ?eu?.
O acampamento é um lugar aberto a quem quiser e puder vir com seus planos e com o seu dinheiro. Na verdade o espaço está aberto para quem tiver projetos próprios com fins próprios e dinheiro suficiente para financiá-lo. Do mesmo modo que vêm os turistas se vão, levando seus projetos, realizados ou não, sem criar qualquer apego às pessoas ou ao lugar. <2> Os turistas, chegando ao acampamento, estão pouco preocupados em com o lugar é administrado; políticas de melhorias, satisfação integrada, ou qualquer política generalizada de algum luxo qualquer. Eles estão apenas querendo saber se há um lugar próprio em que se possam estabelecer e que tenham suas necessidades básicas como água e energia, onde possam ligar seus computadores e televisores, esperando que os outros turistas, em seus trailers, não façam muito barulho à noite. <3> O turista espera da administração local que não seja importunado, incomodado com qualquer reivindicação que não lhe corresponda ao fim para que veio. E desse modo deixados, não pretendem de modo algum contestar aqueles que administram o lugar ou os meios pelos quais o fazem. Por vezes, eles podem se enraivecer por acharem que faltam alguns serviços e podem até exigi-los, mas nunca, de maneira alguma, estão dispostos a questionar os fundamentos que servem para administrar o acampamento, e jamais se proporiam a lhe tomar a frente no empreendimento. Quando vão embora, o lugar fica aberto a novos turistas, sem ter alterado em nada seus fundamentos administrativos. Se a insatisfação for contínua, podem no máximo deixar de voltar ao local e não recomendar-lhe a outros. Se estas queixas se mantiverem, continuamente, os administradores podem até vir a tomar alguma providência, no sentido de que deixem de existir, mas não transformarão as estruturas de administração que permitem que o turista venha e logo parta, sem se apegar ao lugar. <4> O turista é a representação da personalidade que atua no novo espaço público. Ela não está nem um pouco preocupada com os motivos que levam as coisas a serem como são. Está, realmente, satisfeita se as instituições públicas permitirem que tenha acesso ao mercado de consumo e possa, num curto prazo de tempo, acumular uma considerável renda. No caso das empresas ?turistas? o que querem dos Estados são políticas flexíveis, que diminuam os impostos e ofereçam subsídios, e que possam usufruir dos contratos temporários de trabalho e da mão de obra barata de seu mercado de trabalho. Estando satisfeitas estas exigências, os turistas pouco reclamarão das políticas da Administração Pública e muito menos dos fundamentos que a compõe. Os turistas são personagens criados pela política de insegurança da queda do Estado Social, pela política de flexibilidade da produção e do trabalho pelas tecnologias da informação, seguidos de um mercado de consumo intenso, nunca antes visto, proporcionado pelas novas comunicações. O turista não mais reconhece a antiga dualidade entre capital e trabalho, ou a contraposição entre as duas forças. O trabalho flexível, precarizado pelas tecnologias de informação na produção retirou do tu


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