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Outros tipos de sonhos: organizações de mulheres negras e políticas de



Este livro foi escrito por uma socióloga, ativista negra inglesa e professora de uma universidade na Inglaterra, e resultou de sua pesquisa de doutorado. Sudbury entrevistou 25 mulheres de 12 organizações de mulheres negras, tornando visíveis as coerências e contradições em suas falas. Analisou as dificuldades e a realidade interna dessas organizações, bem como os desafios pessoais de suas integrantes, aproximando-se assim da realidade dessas mulheres. Apresenta diversas reflexões apoiando a luta das mulheres negras organizadas na defesa de seus direitos, contra as discriminações sofridas em uma cultura ainda bastante racista. A autora articula teoria e prática, preocupando-se com questões teóricas e metodológicas da pesquisa, ao mesmo tempo com os aspectos práticos de atuação junto às mulheres pesquisadas. Com relação às contribuições referentes aos conceitos para embasar a ação das mulheres negras em suas organizações, estão: o abandono da concepção dessas mulheres como vítimas, e sim como pessoas atuantes sobre sua realidade; a substituição do conceito de identidade pelo de ocupação de lugares sociais na sociedade, no seu aspecto concreto da realidade; a articulação das categorias de raça, classe e gênero, possibilitando dar visibilidade à complexidade existente nas vidas dessas mulheres: os desafios, contradições e diferenças que muitas vezes passam despercebidas quando se procura abordar uma realidade utilizando-se apenas uma ou duas dessas categorias identitárias, homogeneizando e assim excluindo quem não se encaixa, por algum motivo, nessas categorias; e a superação de uma perspectiva biológica, e portanto essencialista de raça e de sexo, percebendo os determinantes históricos e culturais das situações vividas por essas mulheres, mas ao mesmo tempo não compreendendo essas situações como sem saída, mas com uma perspectiva mais aberta que permita identificar e facilitar possibilidades de acesso a novas oportunidades para o melhoramento da vida dessas mulheres, superando assim as atitudes de desânimo, impotência e acomodação, e estimulando a percepçao de que a luta dessas mulheres possa resultar em resultados concretos. Nesse último sentido, essas organizações estudadas aderiram à proposta de política de transformação sugerida por Patricia Hill Collins, buscando atingir resultados coletivos positivos através do processo de mudança e de fortalecimento individual dessas mulheres, realizando atividades e grupos de diálogo e ajuda mútua onde as participantes tenham a oportunidade de desenvolver a autoconfiança, melhorar sua educação e possibilidade efetiva de independência financeira. Nessa perspectiva de trabalho, buscando manter a relação entre os indivíduos e a coletividade, essas organizações tomaram o cuidade para não enfatizar demasiadamente essas mulheres como inivíduos, procurando assim reconhecer a importância da discriminação social sofrida, o que por sua vez poderia levar a patologizar essas mulheres, esquecendo que seus sofrimentos resultam de uma realidade construída socialmente. E portanto, compreende-se que as mulheres, a partir de sua ações, podem re-construir suas realidades. E essas ações de luta, por sua vez, baseia-se na política de posicionamento, a qual enfatiza o lugar ocupado pelas mulheres negras no tempo e no espaço, a partir de uma perspectiva ideológica e de atuação política. Sendo que essa luta é travada no cotidiano, não se restringindo à participação em partidos políticos, considerando as experiências pessoais como ponto de partida, sem menosprezar, no entanto, a importância das ações coletivas. Essa questão do posicionamento de lugares sociais assumidos permite perceber a visão idealizada de homogeneidade nas organizações de mulheres negras que mascara diferenças, contradições e formas de opressão existentes nessas organizações. Nesse sentido, Sudbury defente que essa pretensa unidade de lugares sociais e de propósitos de luta de tosas as mulheres seja desmistificada, deixando de ignorar diferenças ao contemplar as especificidades de diferentes realidades, como por exemplo no caso das lésbicas e das mães solteiras. Possibilitando assim dar visibilidade ao fato de que ocorrem sistemas de opressão diferenciados, que podem estar co-existindo dentro dessas organizações. A atitude de contemplar as diferenças não abrange somente as categorias de raça, gênero e classe social, mas também religião, educação e condições situacionais diversas, mostrando o quanto essas organizações são complexas. Portanto, a autora afirma que essa complexificação nas diferentes possibilidades de relação entre os diferentes lugares sociais permite uma compreensão mais precisa da opressão sofrida pelas mulheres negras, identificando situações específicas vividas pelas mulheres negras, não encontradas nas vivências de mulheres brancas, e nem nas de homens negros. Essa perspectifva de análise dá origem a novas categorias conceituais como "racismo de gênero" e "sexismo racializado", que juntamente com as posições de classe, permitem uma compreensão mais ampla e critica das vivências específicas das mulheres negras. Com relação ao conceito de raça, a autora defende a utilização do conceito de negritude, como uma cor política, podendo inclusive abranger quem não possui pele escura, como no caso das chinesas, as quais nesse contexto conceitual denominam suas organizações de negras. Sendo assim, esse conceito é concebido como sinônimo de grupos discriminados e vítimas de racismo, podendo expandir-se tambáem para outras etnias, como a judaica. Por conseguinte, essa amplitude no uso do conceito de negritude possui o mérito de retirá-lo de uma visão biológica e essencialista e transformá-lo em uma categoria histórica e social. Em vista do exposto, trata-se de um livro interessante, que traz diversas informações e reflexões, bem como questionamentos, propostas e algumas soluções encontradas, sendo que tudo isso pode ser particularmente útil para quem esteja também engajado em organizações com objetivos semelhantes no contexto específico das mulheres negras. Sua leitura pode ser pertintnte também para pessoas interessadas com as lutas das mulheres em geral, e nas construções teóricas e metodológicas apresentadas.


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