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Um passo para a igualdade



Está cada vez mais comum vermos, com o passar do tempo milhares de pessoas correndo atrás de um meio de subsistência, uma forma de como vencer na vida. E, em meio a esse mundo, onde impera a idéia de que ?somente o mais forte sobrevive? está uma pequena (mas não menos importante) parcela. Uma classe que, assim como qualquer outra, busca por seus ideais e direitos a serem defendidos. Essa parcela é a dos considerados ? deficientes?, pessoas que apesar de suas limitações, sejam elas físicas, mentais ou de qualquer outra espécie, procuram um lugar na chamada Sociedade.

No Brasil, segundo os dados do Censo/2000 realizado pelo IBGE, cerca de 24,5 milhões de brasileiros, são portadores de algum tipo de deficiência, o que equivale a 14,5% da população. E a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que há pelo menos 600 milhões de deficientes físicos no mundo, ou seja, 10% da população mundial são deficientes físicas. E segundo ela, 80% dessas pessoas vivem nos países pobres ou em desenvolvimento. Deste número, apenas 1% a 2% tem acesso a serviços de readaptação.

Em televisões, rádios e outros meios (uns dos nossos poucos aliados) vemos muito falar em ?inclusão? social e cotas do mercado de trabalho. Porém esse discurso pode até ser bonitinho no papel, porém apenas serve para mobilizar milhares de pessoas que nos vêem com aquele olhar de pena. Mas quando se diz em ações, toda essa história afunda e mostra a verdadeira realidade que pessoas assim como eu, passa. Realidade essa que não é nenhum pouco fácil.

            Não é questão de caridade, mas sim qualidade.  O grande problema de acesso ao mercado de trabalho é o preconceito e a visão distorcida sobre as pessoas deficientes. Em qualquer área de atividade as pessoas deficientes podem trabalhar. Basta dar-lhes as condições necessárias e acreditar em seus potenciais. As pessoas deficientes não são piores ou melhores que as outras pessoas.

            Isso pode até parecer cômodo para eu dizer, que vivo esse transtorno há 18 anos. Mas se dissesse ao contrário apenas para amenizar essa situação, não estaria sendo nenhum pouco justo com muitas pessoas que passam pelo mesmo problema e que muitas vezes nem tem a oportunidade de se expressar, e até comigo mesmo, alguém que sonha tanto em ser alguém capaz de mudar o mundo.

            São nas horas de pegar um simples ônibus mal equipado até na procura de empregos, que vemos até onde essa chamada Lei dos Direitos Humanos segue à risca seus inúmeros artigos. Não queremos um lugar de destaque para que possamos nos achar os ?Donos do Pedaço?, Nós, deficientes por assim dizer, somos apenas pessoas comuns, que tentam em meio a tantos, conseguirmos não sermos apenas tachados de ?coitadinhos?, mas sim como pessoas capazes de fazer sua parte no que se diz respeito ao mundo como um todo.

Poucas pessoas têm conhecimento, mas existe uma portaria do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) de número 4.677/98 fundamentada no artigo 201 do Decreto número 2.172/97, onde todas as empresas são obrigadas a ter em seu quadro de funcionários pessoas portadoras de deficiências. A lei diz que empresas com até 200 funcionários tem que ter 2% de deficientes contratados, de 201 a 500 3%, de 501 a 1000 empregados 4% deficientes e mais de 1001 funcionários, 5%.

            Infelizmente não existe nenhuma fiscalização no sentido de penalizar com multas em dinheiro as empresas que não cumprem a lei. Aliás, não existia. Segundo Maria Cristina Abreu, Gerente da Unidade SESI/CIRA ? Centro de Integração e Apoio ao Portador de Deficiência "Rogéria Amato" acaba de ser firmado um convênio entre a DRT/MG e o SESI/CIRA cujo objetivo é o compromisso das partes de trabalhar em parceria, visando ao correto encaminhamento das pessoas portadoras de deficiência ao mercado de trabalho, conforme as vagas disponibilizadas pelas empresas junto ao Balcão de Empregos. São beneficiários deste programa: beneficiários do Seguro-Desemprego, candidatos ao primeiro emprego, portadores de deficiência, confinados e idosos da terceira-idade.

            Isso tudo se demonstra com simples perguntas como: Quantas pessoas deficientes vemos trabalhando em cargos de grandes ou até mesmo pequenas empresas? Cadê a tal ?lei? (se é que posso chamar assim) nessas horas? Cadê nossos ?representantes? para mudar esse quadro? Essas questões dificilmente serão respondidas não é mesmo?

            Sei que empregos não se acham de uma hora para outra, que esta situação é difícil para todos e que isso não mudará do dia para noite, mas apenas gostaria que, já que essa lei existe que façam vale-la e que não fique apenas no papel, como uma meta a ser cumprida, mas sim como um direito já conquistado.

            Estamos cansados de ouvir aquela famosa frase ?você não se encaixa no perfil que estamos procurando?, camuflada num mar de preconceitos. Queremos mesmo é ser tratados com pelo menos um pouco de dignidade, alguém assim como qualquer outra pessoa, com nossas limitações e fragilidades, mas, sobretudo com nossas qualidades e com nossa capacidade de mostrar ao mundo que temos algo a oferecer e não apenas porque as cotas de mercado nos permitem isso, mas sim porque somos pessoas que vivem nesse mundo. Um mundo no qual, negros e brancos, altos e baixos, ricos e pobres deveriam andar unidos, um mundo que um dia espero chamar de Igualdade.


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