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Paraisópolis: sintomas da segurança pública



Temos insistido neste fórum que as falácias correm o risco de substituir posições verdadeiras e informações corretas. Não se trata de criticar quaisquer instituições, mesmo porque não há uma só delas capaz de demonstrar padrões de eficiência e eficácia no que se refere às atribuições na área da Segurança Pública. Trata-se, sim, de como especialistas que somos ? ou pretendemos ser ? ter uma visão sistêmica e deixar posturas corporativistas e isoladas.

O que ocorreu em Paraisópolis poderia ter ocorrido em qualquer outra comunidade paulistana, senão brasileira. Os sintomas da falta de um tecido social consistente, capaz de abrigar e integrar comunidades carentes são justamente estes: expressam-se na surpresa que gera tais manifestações de cunho violento, como se ato isolado fosse e não a conseqüência de iniciativas falidas da própria sociedade.

A primeira resposta que a Segurança Pública deveria dar a este episódio seria a implantação de uma verdadeira Polícia Comunitária. Polícia esta integrada por policiais civis, policiais militares e guardas municipais. Uma Polícia Comunitária que realmente conhecesse a região física e as pessoas que a ocupam. Que mapeasse terrenos baldios, casas abandonadas e outros locais propícios a ocorrências de crimes. Que tivesse a identificação de pessoas especialmente vulneráveis a criminosos, como idosos vivendo sozinhos ou pessoas com os mais variados tipos de deficiência sem assistência familiar constante. Que pudesse solicitar e acompanhar determinados serviços municipais como a iluminação pública.

Estas vertentes teriam seus atores perfeitamente identificados: à Polícia Civil caberia subsidiar, através de seu conhecimento investigatório, a comunidade de possíveis criminosos, investiga-los e tira-los de circulação. À Polícia Militar ocupar verdadeiramente os espaços garantindo a ordem pública e a sensação de segurança à comunidade. À Guarda Municipal Metropolitana todo o serviço de aproximação efetiva com a comunidade, pois sendo uma instituição municipal teria a vocação natural de desenvolver esta aproximação ? inclusive facilitando determinados serviços municipais através de um gerenciamento apropriado que integrasse tais funções.

É claro que o envolvimento da sociedade como um todo seria requisito principal. Sem ele, continuaremos a observar iniciativas isoladas como se fossem grandes soluções... Continuaremos a nos confortar na falácia daqueles que querem nos convencer que não há problemas, tão somente fatos isolados... E, possivelmente, continuaremos a nos surpreender quando manifestações, como as ocorridas em Paraisópolis, nos mostram ? claramente ? que é tempo de soluções sistêmicas e integradas, impossíveis de serem empreendidas sem a participação daquela que realmente é a especialista em Segurança Pública: toda a sociedade!



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