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Quem precisa da identidade?




?Quem precisa da identidade?? é um dos três ensaios do livro Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais (Vozes, 2000, p.103-133)). Trata da questão da identidade e da diferença ? centro da teoria social e da prática política na contemporaneidade. As antigas fontes de ancoragem da identidade (a família, o trabalho, a igreja, entre outras) estão em uma evidente crise. Novos grupos culturais se tornam visíveis na cena social, buscando afirmar suas identidades, ao mesmo tempo em que questionam a posição privilegiada das identidades até então hegemônicas. A partir da perspectiva dos Estudos Culturais, os três ensaios que compõem o livro buscam, de diferentes maneiras, traçar os contornos da questão da identidade e da diferença, não simplesmente em tom de celebração, mas, sobretudo, problematizando essa questão.

Stuart Hall concentra-se em uma discussão da problemática da formação da identidade e da subjetividade. Evocando, entre outros, Freud, Lacan, Althusser e Foucault, Stuart Hall faz a importante pergunta: por que acabamos preenchendo as posições-de-sujeito para as quais somos convocados? A resposta de Hall é exemplar de sua habilidade em utilizar a teoria cultural e social contemporânea para realizar refinados e certeiros diagnósticos sobre a condição da sociedade e da cultura contemporâneas. Sua análise crítica de Foucault (a partir da p. 118) é muito relevante.

Hall salienta que está acontecendo uma desconstrução das visões sobre a identidade em diversas disciplinas, as quais põem em crise a noção de uma identidade interal, originária e unificada. O viés desconstrutivista põe alguns conceitos-chave ?sob rasura?. O sinal de ?rasura? (X) indica que eles não servem mais ? não são mais ?bons para pensar? ? em sua forma original, não-reconstruída.

Um conceito-chave é o de ?agência?, que expressa a identificação como uma construção, como um processo nunca terminado, sempre ?em processo?. A identificação é, portanto, um processo de articulação. Há sempre ?demasiado? ou ?muito pouco?, mas nunca um ajuste total. Mas o conceito principal é o de identidade, que não é, em Stuart Hall, uma noção essencialista, mas um conceito estratégico e posicional, ou seja, as identidades não são jamais unas.

Em suma, as identidades operam através da exclusão, da construção discursiva de uma exterioridade constitutiva e da produção de sujeitos marginalizados, na superfície exilados do universo simbólico ou do representável.




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