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Durmeval Trigueiro Mendes e a Pós-Graduação em Educação no Brasil



Neste texto, Durmeval Trigueiro Mendes realiza uma análise da conjuntura educacional brasileira no que tange ao Mestrado em Educação, o qual a essa época (década de 1970) estava surgindo no Brasil. Para tanto, se apóia em elementos concretos (tais como: proposta de estruturação do Mestrado em Educação do IESAE/FGV ? Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas) .Segundo Durmeval Trigueiro, os maiores problemas que enfrentávamos na estruturação de Programas de Pós-Graduação em Educação no Brasil eram: (?)uma prática excessivamente rudimentar e inconsistente por falta de conhecimentos rigorosos e atualizados. Ou então, as idéias atuais provém do mimetismo cultural (p. 249). Como alternativa a esses problemas, o autor propõe que dois princípios devem ser aplicados às pesquisas a serem desenvolvidas no País, são eles: 1. Deve haver complementaridade e dinamismo entre criação e método para que se aperfeiçoem indefinidamente; 2. O método deve tender epistemologicamente para a universalidade (p. 249). Partindo desse princípio, podemos depreender que haveria uma interdependência entre método e criação, onde ambos acabam por constituir uma única ação reflexiva, a qual possui dois momentos, os quais se integram e se alternam entre si, de acordo com as contingências do objeto a ser estudado. Com base nessas assertivas, Trigueiro Mendes assinala que: o problema de pesquisa no IESAE deve abranger três aspectos essenciais: a filosofia da pesquisa, a estratégia e a articulação com o ensino (p. 250). A partir dessa assertiva, realiza uma análise detalhada desses três aspectos. Em relação ao primeiro, defende a idéia de que a Filosofia da Pesquisa deve estar articulada com o desenvolvimento das Ciências da Educação no Brasil, assim como deve acompanhar os eventos da Política Educacional Brasileira, com vistas a não se tornar estanque frente às mudanças ocorridas no cenário político educacional brasileiro. No tocante ao segundo, propõe que deve a Filosofia da Pesquisa privilegiar a elaboração de um conhecimento empírico, oriundo da reflexividade, mas que permita-nos (?) ir às raízes de inteligibilidade da educação, de suas categorias e de seu processo (p. 250). A esta reflexão ativa, dá o nome de obra do pensamento. Em relação ao terceiro aspecto, demonstra que a pesquisa não pode unicamente ser analítica, mas também prospectiva, ou seja, na mesma medida em que vai às raízes do Problema Educacional, deve igualmente prever as próximas configurações que a conjuntura educacional irá ter em momentos futuros. Para o autor, estas duas dimensões apresentam-se igualmente integradas, e, ainda que pressuponham operações distintas, acabam por ocorrer simultaneamente em diversos momentos da atividade intelectual de pesquisa. Ainda em relação à pesquisa, propõe que deve haver uma integração entre as diferentes áreas do conhecimento, onde haveria: a necessidade de fixarmos a metodologia interdisciplinar (p. 252). Com isso, teríamos uma proposta de pesquisa baseada em uma integração entre as disciplinas e entre as atividades teóricas realizadas em cada uma das dimensões assinaladas.No que se refere à estratégia de pesquisa, Trigueiro Mendes nos informa que: a pesquisa educacional deve centrar-se nas três áreas da Pós-graduação: filosofia da educação (incluindo uma parte histórica), administração educacional (no sentido macro-estrutural) e psicologia educacional (p. 253). Em relação aos parâmetros de avaliação da qualidade da pesquisa produzida, o autor indica que: (...)o sentido da eficácia que vai inspirar a pesquisa educacional não deve apoucar-se no imediatismo. O compromisso intelectual é com a educação e nãoapenas com as contingências a que esta se encontra vinculada, no plano das decisões políticas e administrativas, ou da opinião pública (p. 254).Ao partirmos do princípio acima exposto, somos levados a crer que Durmeval Trigueiro rompe com a falácia do imediatismo presente na educação brasileira, na medida em que propõe que as pesquisas devem ser elaboradas, não com base nas contingências de ordem econômica, administrativa e política, mas sim em função da relevância destas para o desenvolvimento da educação no País.Como forma de promover a integração entre os problemas de pesquisa tratados, e a realidade educacional brasileira, o autor propõe os seguintes mecanismos: 1) a montagem de um cadastro dos especialistas em educação no Brasil; 2) a edição de um boletim informativo periódico; 3) a formação de colóquios periódicos com administradores e especialistas, à semelhança de tantos que se institucionalizaram na América e na Europa. Sua particularidade consistiria no processo rigorosamente analítico aplicado à discussão de temas que interessem à política educacional, visando, tanto à explicação científica na educação como a conciliação entre a ciência e a política educacional (p. 255).Estes mecanismos, ao que tudo indica, seriam de importância crucial na prospecção de dados relativos à conjuntura educacional brasileira, assim como seriam igualmente relevantes para discutir, aprofundar e encaminhar soluções para os problemas educacionais diagnosticados através da pesquisa educacional no Brasil.No que tange à relação ensino-pesquisa a ser desenvolvida em um Programa de Pós-Graduação em Educação, Durmeval Trigueiro nos informa que: A) O curso não se organizaria predominantemente, em termos de aulas, mas de pesquisas e seminários, destinando-se as aulas, basicamente, aos trabalhos de orientação geral e de síntese teórica. B) O aluno seria assistido pelos professores em forma de tutoria, convindo que cada aluno tivesse seu professor orientador, escolhido no próprio ato de matrícula(...). C) Um dos principais instrumentos de trabalho dos alunos será a bibliografia (p. 257-258).Deste modo, finaliza o autor expondo de forma clara como se articula a pesquisa e o ensino em uma dimensão integrada na pós-graduação brasileira, onde estas duas atividades se complementam, de forma a se aperfeiçoarem mutuamente.


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