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Sobre a Sociologia Educacional de Pierre Bourdieu - 2: o papel da escola na sociedade



Com vistas a continuar esta breve análise do aspecto educacional da obra de Pierre Bourdieu, apresento alguns desdobramentos de tal teoria para a compreensão de certos fenômenos da Sociologia Educacional.
Conforme vimos nos resumo anterior, três conceitos fundamentamboa parte das análises que Pierre Bourdieu irá construir do mundo social (da alta costura até o funcionamento dos sistemas de ensino). No tocante à Educação, este autor irá investigar o funcionamento do sistema de ensino francês. Cabe destacar que suas análises foram desenvolvidas de forma tão séria e competente que muito do que foi produzido por ele nos anos de 1970 ainda hoje é considerado válido para muitos sociólogos.
Uma das principais questões que Pierre Bourdieu levanta em suas análises a respeito da escola diz respeito ao papel de democratização que era atribuído às escolas (por exemplo, pelos teóricos da Teoria do Capital Humano), no sentido de propor que no momento em que todas as pessoas estivessem presentes nas escolas a sociedade se democratizaria pelo fato de que para tais teorias isto seria a garantia de que o indivíduo seria bem sucedido na sociedade devido à simples presença em tais escolas. Os estudos de Pierre Bourdieu vêm a demonstrar, que não é suficiente a mera expansão dos sistemas escolares. Isto se dá devido ao fato de que a escola realiza na realidade um tipo de seleção interna , gerando um fenômeno de exclusão de muitos dos alunos que estão dentro da escola (e que Bourdieu chamará de ?excluídos do interior?). Tal sistema de seleção se dá com base em critérios ligados ao Capital Cultural e ao Habitus dos alunos. Com relação ao Capital Cultural, o autor argumenta que os conteúdos escolares são organizados no currículo de modo a serem identificados com o Capital Cultural comum às classes dominantes (culturalmente falando, pois com o conceito de campo entendemos que um indivíduo pode possuir posições diferentes no campo econômico e no campo cultural, e aí nem sempre quem possui mais posses é dominante culturalmente). Assim os alunos que vem de famílias cujos responsáveis possuem maior Capital Cultural, chegam na escola e são expostos a muitas coisas que já vivenciaram em casa (por exemplo: o hábito da leitura), levando assim uma vantagem com relação aos que não possuem este Capital Cultural herdado. No que se refere ao habitus, o aluno que possui um habitus mais ligado às atitudes consideradas mais certas em uma instituição escolar (por exemplo: o habitus ligado à disciplina de estudos fora do horário da escola) é também visto pela instituição escolar como ?um bom aluno?. Neste sentido, do ponto de vista da nota e da análise dos comportamentos a escola realizaria uma dupla seleção, a qual tenderia a reproduzir as diferenças (culturais e às vezes econômicas já existentes na sociedade). Desta forma Bourdieu vai argumentar que o papel de democratização atribuído aos sistemas de ensino no sentido de diminuir a distância entre as classes e grupos é falso.
Desta maneira entendemos que a Teoria de Pierre Bourdieu acaba por revelar elementos na estrutura dos sistemas de ensino que não eram vistos com freqüências pelos sociólogos e este olhar acaba por revolucionar tudo o que se pensava sobre a relação educação-sociedade até então.


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