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Psicogênese da Língua Escrita




Os processos que envolvem a aprendizagem da leitura e da escrita é o tema discutido por Ferreiro, Emilia e Teberosky, Ana em ?Psicogênese da Língua Escrita?. A obra traz uma análise dos métodos de aquisição da leitura e escrita por parte das crianças em detrimento do já conhecido pelas mesmas, levando-se em conta o contato anterior com sua língua materna. Calcadas por um problemática de fundo, as autoras trazem dados da Unesco sobre alfabetização no mundo referentes ao ano de 1974, dentre os quais destacamos o fato de dois terços do total de alunos repetentes estarem nos primeiros anos de escolaridade, dentre outros dados. O texto traz também, antes de sua real discussão, um enfoque sobre polêmicas referentes ao fracasso escolar de alguns alunos, questionando, neste ponto, o fato disto acontecer principalmente com indivíduos de classe econômica desprivilegiada, desmistificando questões até então tratadas como vilãs causadoras da subinstrução que permeia a América Latina. Este tratamento social inicial é fundamental para o entendimento da proposta feita pelas autoras, pois começa a derrubar o papel passivo da criança no processo de lectoescrita.
Questiona-se em um dado momento, métodos utilizados por alfabetizadores que trabalham de forma diferenciada. São apresentados o método sintético, processo que sai das partes para o todo das palavras e no qual as mesmas são inicialmente tratadas de forma mecânica; e também o método analítico, que contrariamente sugere uma primeira visão global das palavras e só em seguida um detalhamento. As críticas feitas a ambos são seguidas da forma como os estudos sobre este campo de trabalho evoluíram, chegando a psicolingüística contemporânea, apoiadas em Gramática Generativa (Noam Chomsky ? 1974,1976), o texto passa a explorar o argumento de que o prévio conhecimento da língua materna é essencial na discussão de como se aprende ler. Merece aqui um parecer importante, a ênfase dada a Piaget, que vem calçar a idéia das autoras, validada quando ocorre tanto por Chosmsky como pelo próprio, uma distinção entre competência e desempenho, características tais até então homogeneizadas pela ignorância que despreza o ?saber lingüístico da criança?.
O foco do texto, como já foi dito, explora idéias que tentam explicar a aquisição da lectoescrita, e quando Piaget é citado para apoiar que as crianças aprendem sob suas ações sobre os objetos do mundo (sujeito piagetiano), parece que o mesmo falou sobre o tema central de tal discussão, o que não ocorreu; na verdade sua ?teoria? instiga e valoriza este tema, ainda mais no que se refere a ?assimilação? visto que por tal processo fica viável admitir que o indivíduo em fase de aprender a ler torna-se também um adaptador da realidade que o cerca, derrubando mais uma vez a concepção de criança vazia e passiva.
Numa segunda parte do texto é apresentada uma pesquisa in loco, onde as crianças foram confrontadas com imagens e supostas combinações de símbolos gráficos, nem sempre lógicas, para que as mesmas, ainda não alfabetizadas, identificassem se aquilo seria ou não passível de ser lido. A experiência comprovou que não dominar a leitura não é obstáculo para caracterizar um texto que possa ser lido. Os parâmetros adotados variaram da quantidade de caracteres até a variedade dos mesmos, onde a grande maioria das crianças revelou que palavras que possuíam acima de três caracteres já era própria para ser lida, levando em conta que a variedade ou não das letras, bem como a inserção de números, tornava uma palavra ?apropriada ou não para a leitura?. A visualização dos desenhos que acompanhavam, foi classificada das mais diversas formas, desde sua utilização na aprovação da palavra até sua própria incorporação como elemento de leitura.
Não restam dúvidas que Ferreiro e Teberosky estão muito bem apoiadas na proposta que se submeteram a fazer, tratando de um tema explorado cegamente pelos demais autores da área. A análise que sugere respeitar o prévio do aluno ultrapassa os limites da sala de aula, pois sabemos que são muitos os fatores, tanto sociais quanto políticos e econômicos, que vislumbram explicar as constantes derrotas obtidas pelos alunos no processo de ?tentativa de aquisição da leitura e escrita?, ao menos essa escrita carregada de convenções propostas pelo social. Nossa realidade é bem mais chocante do que possa parecer a do texto, mas ao propor culpados para o fenômeno, devemos repensar o real papel que um pedagogo deve assumir, não assim chamado pela sua formação e portanto, assumindo um papel burocrático, mas principalmente pelas suas convicções pedagógicas. O que resume isso é o fato de nos sentirmos de mãos atadas para resolvermos um problema tão corriqueiro e reincidente e, no entanto, nada tentar fazer. Pode parecer contraditória essa idéia anterior, mas nossos alunos carecem de um mínimo de atenção especializada, algo que, principalmente em escolas públicas está muito longe de se tornar uma realizada plausível.


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