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Partilha européia e conquista da África: apanhado geral.




O texto é um capítulo de uma coletânia sobre história da África patrocinado pela UNESCO.  O autor tenta explicar porque a ?África foi repartida politicamente e sistematicamente ocupada naquele exato momento? e porque ?os africanos foram incapazes de pôr cerco a seus adversários?.


A idéia central do texto é que os motivos para os Europeus desejarem e se empenharem na partilha da África foram basicamente interesses econômicos e que a ?resistência africana à invasão crescente da Europa precipitou a conquista militar efetiva?.


Foi estruturado em três partes. A primeira, analisa as teorias sobre os porquês dos europeus terem invadido a África nesse momento. Segundo o autor, tais teorias podem ser divididas em quatro grupos: as teorias econômicas, as teorias psicológicas, as teorias diplomáticas e a teoria da dimensão africana, sendo que esta última é a que melhor explica a questão, segundo o autor. A segunda parte do texto descreve as articulações ocorridas no cenário europeu no sentido de definir a posse dos territórios africanos e em como seriam divididos, mostra a questão dos tratados firmados entre paises europeus e entre paises europeus e africanos. A última parte descreve a última etapa da conquista que foram as investidas militares, onde a supremacia nesse quesito garantiu aos europeus a vitória sobre os povos africanos. Além disso, os povos conquistados, em sua maioria, passavam por conflitos internos e isso facilitou o domínio exterior. O autor encerra seu texto mostrando como ficou o mapa da África após a conquista.


Nessa primeira parte o autor procura nos explicar qual o interesse dos paises europeus na conquista do continente africano naquele período específico de que foi feita a conquista. Inicia sua explanação colocando o leitor à par das teorias principais que buscam tal explicação. A primeira teoria é a econômica, onde os países capitalistas ? ávidos por altos ganhos ? mergunham em uma política imperialista e de busca de mais territórios. Assim, o colonialismo seria ?o resultado de uma exploração econômica descarada?. Depois o autor nos traz a atenção as teorias que ele chama de psicológicas, entre elas o darwinismo social ? onde os europeus brancos justificavam sua conquista pelo fato de que algumas raças eram inferiores e, portanto, passíveis de serem conquistadas dentro do plano da ?seleção natural?. Outra teoria psicológica argumenta que ?a partilha da África se devia, (...) a um impulso ?missionário?, em sentido lato, e humanitário, com o objetivo de ?regenerar? os povos africanos?. O atavismo social tenta explicar a conquista da África segundo uma visão sociológica: um ?egoísmo nacional coletivo? que movia os povos europeus. O terceiro bloco de teorias analisadas seriam as teorias diplomáticas: a do prestígio nacional, que ensina que ?os dirigentes europeus eram propelidos por uma força obscura, atávica, que se exprimia por uma 'reação psicológica, um desejo ardente de manter ou de restaurar o prestígio nacional'?; a do equilíbrio de forças, onde as potências européias buscaram conquistar a África com o intúito de salvaguardar o equilíbrio diplomática europeu; e a da estratégia globol, onde a ?África teria sido ocupada, não porque tivesse riquesas materiais a oferecer aos europeus ? pois então não tinham valor do ponto de vista econômico ? mas porque ameaçava os interesses dos europeus alhures?. Por último é analisada a teoria da dimensão africana, que para o autor é a que melhor explica a invasão europeia, pois leva em consideração não somente os fatores europeus, mas também os africanos e que a África já vinha a algum tempo sendo ?devorada? pela Europa e que a resistência africana a essa dominação levou às campanhas militares.


Na segunda parte, Uzoigwe nos traz a atenção ao que vinha ocorrendo na Europa no sentido de levar a África a um colonialismo. A conferência de Berlim culminou na partilha da Áfica pelas potências europeias, daí, uma série de tratados foram firmado entre os próprios europeus e entre europeus e africanos. Tais tratados visavam benefícios para os paises europeus e por isso vários deles foram impostos aos africanos. Quando os africanos viam algum tipo de benefício em tais tratados na maioria das vezes se decepcionavam pois a fraude foi um recurso por vezes utilizado. Um Estado africano às vezes celebrava um tratado porque ?aspirava estabelecer relações com os europeus na esperança de tirar daí vantagens políticas realtivamente a seus vizinhos.? Agora, quando os europeus estabeleciam tratados bilaterais, eles nem mesmo procuravam saber o que os africanos achavam da partilha que faziam.


Já terceira parte, há um pequeno roteiro das campanhas militares dos europeus na África, mas mostra o porquê dos europeus terem conquistado o continente com relativa facilidade: (1) o conhecimento que os europeus tinha da África era muito maior que a dos africanos sobre a Europa, (2) o desenvolvimento tenológio na Europa, em especial com relação a medicamentos, (3) a maior superioridade financeira da Europa e (4) uma certa união de interesses da parte dos europeus, que, ao contrário dos africanos, não estavam passando por conflitos internos significativos.


Uzoigwe  tenta se desvincular da visão eurocentrista da história e consegue ser muito pertinente em suas colocações no sentido de mostrar que dentro do continente africano vinham acontecendo reações às imposições européias e que o recurso a força foi a tentativa dos europeus de não perderem espaço e os lucros que vinham obtendo e vislumbrando na perspectiva econômica. Nesse respeito, mostra que a colonização da África teve sim um motivo africano.




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