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Futuro das Universidades



Resumo
A universidade sempre foi uma instituição social, voltada para a autonomia, desmembrando-se dos ideais da igreja e do estado, as duas instituições mais fortes durante vários séculos. Ao longo dos anos, tornou-se uma instituição inseparável da democracia e da democratização do saber. A universidade só pode adotar essa postura, se o estado também for democrático e republicano, porém, exatamente por essa autonomia, pode pensar de maneira diferente do estado.
Com a reforma do estado ocorrida no último governo, a educação deixou de ser considerada um direito e passou a ser um serviço, que pode ser prestado por particulares. Nesta reforma, a universidade foi definida como organização social, ou seja, não lhe compete discutir ou questionar sua própria existência.
Em comparativo entre instituição social e organização social, pode-se afirmar que a instituição tem a sociedade como seu princípio e a sua referência normativa e valorativa, enquanto a organização tem apenas a si mesmo como referência, num processo de competição com as outras que fixaram os mesmos objetivos particulares. Nesse caso a organização precisa se adaptar ao meio, sendo flexível com as mudanças do meio ambiente. Este novo modelo de universidade é caracterizado pela rápida transmissão de conhecimentos, em manuais de fácil leitura ao estudante, com utilização de recursos multimídia e afins. O recrutamento de professores é feito sem base na sua formação, mas sim na quantidade de artigos publicados. A idéia do pensar é descartada, pois não há tempo para reflexões e críticas dos conhecimentos adquiridos.
A universidade pública na forma de organização se lança as pesquisas por determinação do mercado e todo o conhecimento produzido por ela, acaba sendo repassado aos agentes financiadores, ou seja, as grandes empresas patrocinadoras das pesquisas.
A redução da carga horária dos cursos de graduação e pós graduação é algo irreversível, tendo em conta a quantidade de informação disponível no mercado. Os cursos devem ser rápidos e contínuos, mantendo o agente sempre atualizado. Isso acaba gerando um vazio na formação do profissional, que não se aprofunda no conhecimento da base, ou seja, os clássicos e histórias reais transmitidas pelos professores. Com isso a educação deixou de ser uma preparação para a vida e tornou-se educação durante toda a vida, tornando-se algo inseparável na formação do indivíduo.
Algumas mudanças podem ser feitas na universidade pública para garantir a formação consistente do indivíduo. São elas:

Tornar o ensino superior um direito do cidadão, garantindo que seja acesso para todas as classes populares, impedindo de que o ensino público seja privatizado.
Aumentar a autonomia das universidades, através do poder da formação, docência e pesquisa, ou seja, autonomia em relação ao estado, autonomia em relação a religião e autonomia de gestão financeira, que permita utilizar os recursos financeiros de acordo com suas necessidades.
Apoiar o conceito de democratização da educação superior, ao invés da massificação. Deve ser articular o ensino superior com outros níveis de ensino, diminuir a carga horária excessiva, para que o estudante tenha mais tempo livre dedicado à pesquisa e posso criar a sua próprio horário, com disciplinas optativas e assegurar que os conhecimentos dos clássicos sejam repassados a todos os estudantes que ao mesmo tempo, sejam demonstrados os problemas contemporâneos da sua área, época e região.
Valorizar a docência, que perdeu o prestígio com a avaliação de desempenho quantitativa. Isso implica em oferecer condições de trabalho descente, com infraestrutura adequada, realizar concursos públicos para assegurar o atendimento da demanda pelo nível superior, garantir condições salariais dignas à classe e incentivar intercâmbio com outras universidades, inclusive do exterior.
Revalorizar a pesquisa, não aceitando a redução do tempo de um mestrado ou doutorado, trabalhando na pesquisa de acordo com a necessidade do estado ou da sociedade em geral e participando de parcerias com grandes movimentos sociais e até com a igreja, mantendo o princípio da cidadania.
Financiamentos públicos através de agências de incentivo à pesquisa, com projetos propostos pela própria universidade ou por setores do estado, de acordo com a demanda regional.É preciso deixar claro a idéia de sociedade do conhecimento e educação permanente, para que a universidade tenha sua autonomia e senso social sem que acabem servindo ao capital, mas servindo aos anseios da sociedade.


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