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HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA



A literatura que se escreve no Brasil é já a expressão de um pensamento e sentimento
que se não confundem mais com o português, e em forma que, apesar da comunidade da língua,
não é mais inteiramente portuguesa. É isto absolutamente certo desde o Romantismo, que foi a
nossa emancipação literária, seguindo-se naturalmente à nossa independência política. Mas o
sentimento que o promoveu e princi- palmente o distinguiu, o espírito nativista primeiro e o
nacionalista depois, esse se veio formando desde as nossas primeiras manifestações literárias,
sem que a vassalagem ao pensamento e ao espírito português lograsse jamais abafá-lo. É
exatamente essa persistência no tempo e no espaço de tal sentimento, manifestado literariamente,
que dá à nossa literatura a unidade e lhe justifica a autonomia.
A nossa literatura colonial manteve aqui tão viva quanto lhe era possível a tradição literária
portuguesa. Submissa a esta e repetindo-lhe as manifestações, embora sem nenhuma excelência e
antes inferiormente, animou-a todavia desde o princípio o nativo sentimento de apego à terra e
afeto às suas cousas. Ainda sem propósito acabaria este sentimento por determinar manifestações
literárias que em estilo diverso do da metrópole viessem a exprimir um gênio nacional que
paulatinamente se diferençava.
Necessariamente nasceu e desenvolveu-se a literatura no Brasil como rebento da portuguesa e
seu reflexo. Nenhuma outra apreciável influência espiritual experimentou no período da sua
formação, que é o colonial. Também do próprio meio em que se ia daquela formando lhe não
proveio então qualquer influxo mental que pudesse contribuir para distingui-la. E como assim foi
até quase acabar o século XVIII, não apresenta períodos claros e definidos da sua evolução nesse
lapso. As reações que daquele meio porventura sofreu foram apenas de ordem física, a impressão
da terra em seus filhos; de ordem fisiológica, os naturais efeitos dos cruzamentos que aqui
produziram novos tipos étnicos; e de ordem política e social, resultantes das lutas com os
holandeses e outros forasteiros, das expedições conquistadoras do sertão, dos descobrimentos das
minas e conseqüente dilatação do país e aumento da sua riqueza e importância. Estas reações não
bastaram para de qualquer modo infirmar a influência espiritual portuguesa e minguar-lhe os
efeitos. Criaram, porém, o sentimento por onde a literatura aqui se viria a diferençar da
portuguesa. As divisões até hoje feitas no desenvolvimento da nossa literatura não parece
correspondam à realidade dos fatos. Mostra-o a sua mesma variação e diversidade nos diferentes
historiadores da nossa literatura, e até mesmo no principal deles, incoerente consigo mesmo.
Após acurado estudo desses fatos tenho por impossível e vão assentá-los em divisões
perfeitamente exatas ou dispô-los em bem distintas categorias. Fazê-lo com êxito importaria o
mesmo que descobrir outros tantos aspectos diversos e característicos em uma literatura sem
autonomia, atividade e riqueza bastantes para se nela passarem as alterações de inspiração, de
estesia ou de estilo que discriminam e assentam os períodos literários; uma literatura que em
trezentos anos da sua existência apagada e mesquinha não experimentou outras reações
espirituais que as da Metrópole, servilmente seguida. Assim sendo,


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