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A Educação na Casa: uma prática das elites no Brasil de 1800 (parte 2)



Na década posterior de 1860, o número de colégios aumenta na cidade do Rio de Janeiro, bem como no interior e adjacências da Província. Além disso, percebe-se que muitos professores de colégios também se oferecem para ensinar em casas particulares, ou seja, a atividade da docência em escolas exclusivamente ainda não se constitui como ocupação principal para muitos docentes.
Pode-se resumir essa década do Brasil de Oitocentos pela coexistência entre modalidades de educação (doméstica e escolar), apesar do aumento significativo de estabelecimentos de ensino.
Houve uma pequena ampliação na oferta e demanda de colégios na década de 1870, mas ainda considerada insignificante para uma década. Esse fato pode ser explicado pela epidemia de febre amarela que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1876, levando muitas pessoas a se refugiarem no interior e com vários colégios fechados no período. Porém:
(...) pouco a pouco, a cidade foi se restabelecendo, mas a educação, justamente pelo caráter de reunir crianças ou de expô-las a professores itinerantes, talvez tenha sido um dos setores mais abalados pela endemia, conseqüentemente não demonstrando, em 1879, uma ampliação compatível com outros serviços, no mesmo período (pág.34).

A partir do fim da década de 1870 Vasconcelos indica que parece haver uma maior preocupação com a habilitação dos professores, tanto da educação doméstica quanto escolar. Há uma valorização da chancela do Estado, verificada através dos anúncios analisados, caracterizada por afirmações do tipo: ?aprovada e legalmente habilitada pelo Conselho Director da Instrucção Pública?, ?com carta da Instrucção Pública? (pág.36). No entanto, a prática ainda é considerada como indicativo de habilitação para professores.
Transformações importantes ocorrem no contexto político da década de 1880. Com a Abolição da Escravatura em 1889, os anúncios de jornal sofrem mudanças: chegam ao fim os relativos a escravos e se abre lugar a outros sobre contratação de trabalhos poucos remunerados como cozinheiros, carpinteiros, carregadores, costureiras, etc. Os anúncios relativos a professores e preceptores passam a ocupar lugar de maior destaque e prestígio, sendo anunciados em seções destinadas a médicos, dentistas, advogados, etc.
A autora destaca que o número de colégios anunciados permanece semelhante à década anterior. Porém o número de anúncios de preceptores aumenta significativamente, em proporção maior que em décadas anteriores. O fato indica que a educação doméstica continuava a ser uma prática contínua na sociedade brasileira. A valorização da educação como estratégia de atingir a civilidade desejada, a precariedade dos colégios existentes, o aumento populacional e a representação social de muitos pais que consideram a casa o lugar apropriado a educação, são fatores que levam a educação doméstica a seu ápice e que explicam de certo modo o aumento da procura por preceptores.
A escola tinha um contingente de alunos pequeno (cerca de 2% da população). Dentro desses números as escolas públicas estatais se restringiam as crianças de classes menos favorecidas e as escolas particulares atendiam as camadas médias urbanas oriundas da pequena burguesia que não tinham condições financeiras de bancar a educação doméstica a seus filhos. Note que a educação doméstica, na sociedade brasileira nesse período, se configurava como fator de status e ascensão social, a medida que apenas as elites usufruíam dessa modalidade de educação.
A última década do século XIX é marcada pela progressiva adesão das elites às escolas, pois já se delineavam mudanças nas relações educacionais. Para o avanço da hegemonia da escola, sobretudo estatal, era necessário delimitar o campo de ação das instituições Casa e Estado. Porém, a educação doméstica perdura por todo o século XIX e parte do século XX como uma prática educacional das elites do país, convivendo com os colégios particulares e escolas públicas estatais emergentes.


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