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John Dewey e sua influência na pedagogia experimental brasileira



Com o intuito de continuar a retrospectiva da pedagogia experimental, a qual consiste em importante elemento de apoio à compreensão dos elementos teóricos (especialmente nos campos da filosofia e da pedagogia), que configuram a criação e estruturação da instituição de ensino a cujo estudo me dedico (o Colégio Nova Friburgo), é preciso trazer à tona as contribuições de dois autores de especial interesse para o entendimento da maneira como a pedagogia experimental veio a possibilitar o surgimento de instituições de ensino brasileiras cujo projeto pedagógico foi influenciado por esta perspectiva teórica. Prosseguindo, veremos abaixo uma breve recuperação dos fundamentos principais das idéias de Dewey e Kilpatrick, principalmente no que refere àquelas voltadas para a ?interesecção? dos campos da filosofia, da psicologia e da pedagogia, eixo principal da chamada pedagogia experimental (SUCHODOWLSKY, 1973).
Começando pelo teórico responsável, pela criação de um corpus conceitual organizado a partir da denominação de Pragmatismo, o qual teria como principal pressuposto a idéia de uma idéia de subsunção das experiências ao método científico experimental, derivando daí uma reconstrução da experiência que permitiria ao indivíduo se desenvolver em seus aspectos psicológicos, morais e sociais (MOREIRA, 1997). A idéia de ?permanente reconstrução da experiência? seria então uma das bases sobre as quais se assenta a proposta educacional de Dewey (TEIXEIRA, 2001). Sobre a pedagogia de Dewey, CAMBI (1999) afirma ainda que esta seria:

?um novo modelo de pedagogia nutrido pelas Ciências da Educação (?) desenvolvendo a lição do pragmatismo americano rumo a resultados no sentido instrumentalista, isto é, ligados a uma idéia de razão aberta, colocada como instrumento na complexa dinâmica da experiência individual e histórica (p. 546)?.

A pedagogia em Dewey estaria voltada para o completo desenvolvimento no aluno, das potencialidades cognitivas, éticas e morais, em nível individual, sendo que para este autor a ação pedagógica se dirige:

?(?) ao homem e a sua inteligência criativa, confiado o desenvolvimento e o controle da experiência ao uso da lógica definida como ? teoria da pesquisa? e caracterizada pelo método científico, pelos princípios da experimentação, da generalização e da hipótese, da verificação; método que deve se tornar o critério de comportamento: intelectual em todo o âmbito da experiência (p. 548)?.
No tocante a Kilpatrick, cabe indicar que suas idéias incidiam sobre a esfera pedagógica mais diretamente do que as idéias de Dewey (NUNES, 1980), especialmente quando levamos em consideração o Método dos Projetos, proposto por este autor, o qual consistiria em uma reformulação da organização curricular, a qual passaria a se dar em função de projetos integradores que, por meio de atividades práticas, reuniriam elementos programáticos de diferentes disciplinas em função dos objetivos das atividades, explicitados sob uma forma similar aos centros de interesse de Decroly.
Após esta breve releitura de algumas das mais relevantes idéias de Dewey e Kilpatrick, as quais teriam influenciado autores de grande importância para a educação brasileira, como Anísio Teixeira<1>, segue-se um panorama das iniciativas ligadas às escolas experimentais no Brasil nos anos de 1950 e 1960.
No Brasil dos anos de 1950 e 1960, a junção entre as teorias do desenvolvimento econômico, o Pragmatismo de Dewey, e o Método dos Projetos de Kilpatrick, ocorrida no âmbito do cenário educacional (especialmente no que se refere ao planejamento educacional, e ás metodologias de ensino utilizadas nas escolas), teria gerado o que se convencionou denominar de experimentalismo pedagógico, movimento que consistiria numa aplicação do método experimental aos programas de ensino e orientações curriculares de algumas instituições de caráter experimental. Ainda a esse respeito, cabe destacar que, se no ?conteúdo? (referente à orientação filosófica de tais iniciativas) o Pragmatismo de Dewey surgia como ?matéria-prima? da proposta de criação de escolas experimentais, a sua ?forma? (relativa ao modo como seriam tornados concretos os objetivos de ensino) teria se inspirado basicamente no Método dos Projetos de Kilpatrick, ainda que nem sempre tenha sido possível verificar nessas instituições a necessária adaptação nos níveis da infra-
estrutura e da prática pedagógica às propostas inspiradas nestes dois autores (TEIXEIRA, 1954).
É necessário mencionar que várias dessas iniciativas, tal como indicado acima teriam se materializado na criação de escolas experimentais, inspiradas em modelos pedagógicos oriundos dos países ditos desenvolvidos (ABREU, 1968). Tais escolas teriam se revestido de importante significação no que se refere às políticas educacionais dos anos de 1950 e 1960.

<1> Torna-se necessário lembrar que, nos anos de 1950 Anísio Teixeira encontra-se à frente do INEP (à época chamado Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos). Igualmente merece ser ressaltado o fato de que, comandando o CBPE (Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais), buscava encontrar, pelas vias da pesquisa dos problemas educacionais brasileiros e da atuação política junto ao do Ministério da Educação, maneiras de elaborar e implementar parâmetros e diretrizes relativos ao funcionamento das escolas, estimulando o desenvolvimento de instituições escolares de caráter experimental no País (TEIXEIRA, 2000).


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