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A Educação e a Teoria do Capital Humano



Poucas são as teorias que, ao mesmo tempo, oferecem tantos exemplos concretos de sua validade e ao mesmo tempo são tão questionadas quanto a teoria do Capital Humano.
Esta teoria foi desenvolvida por Theodor Schutz nos anos de 1950 e surge a partir de uma grande pesquisa em escala mundial desenvolvida pela UNESCO e por ele coordenada, a qual realiza um levantamento acerca da situação do ensino de países pobres e ricos de todos os continentes do planeta. Ao longo de vários anos de pesquisa, Schutz começa a constatar que quanto maior a riqueza de um país, maior o nível de instrução de sua população, e melhor conseqüentemente a sua situação de ensino (por exemplo: os índices de analfabetismo em países com melhor situação de ensino são sempre menores). Observando sistemáticamente este dado em todos os países investigados, Schutz acaba por depreender que a Educação era o fator que fazia a diferença no que diz respeito à riqueza de um país, pois alguns dos países mais pobres possuiam grande volume de recursos e riquezas naturais (por exemplo: a África do Sul era o País com maior produção mundial de diamantes e sua renda per capita era muito inferior à da Síça que não produz um diamanete sequer).
Com base nestas constatações, Schutz afirma que há efetivamente uma relação entre escolarização e riqueza. A partir destes estudos, alguns anos mais tarde ele (e alguns outros continuadores desta linha de pesquisas) decide investigar também a relação entre escolarização e riquezas e acaba por descobrir igualmente que, em muitos países do mundo, quanto mais anos de estudo maior a tendência para que o sujeito acumule um patrimônio individual, de forma que, por analogia ao capital econômico (que é um conceito que pode ser definido simplesmente como algum elemento produtor de riqueza que rende lucros periódicos para quem o possúi) haveria um outro tipo de capital: o capital humano.
O Capital Humano é assim a soma dos investimentos do indivíduo em aquisição de conhecimentos (capital este adquirido em sua quase totalidade nas escolas e universidades) e que a qualquer momento reverete em benefícios econômicos para o próprio indivíduo (por exemplo, na posse de melhores empregos e vantagens na aquisição de novas aprendizagens para o mercado de trabalho). Este capital, diferentemente do capital econômico, não pode ser roubado ou transferido, vindo a constituir um bem pessoal que acompanha o sujeito durante toda a vida e que de alguma forma influencia em sua trajetória social e economica.
Vários autores, porém (como é o caso de Sonia Rummert) váo criticar esta abordagem, indicando que nem sempre a escolarização é devidamente valorizada, além de questionar a possibilidade de todos terem as mesmas oportunidades de investir em sua escolarização. Ocorre porém que, mesmo havendo todas estas exclusões e desigualdades, ninguém pode negar que os mercados de trabalho no mundo se orientam mediante esta lógica e que saber investir na própria escolarização é efetivamente o melhor investimento que algumas pessoas (sobretudo as mais pobres) podem fazer se pretendem ascender socialmente e economicamente.
Espero que todos tenham aproveitado o texto, especialmente meus alunos de uma grande universidade brasileira.


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