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A instalação dos germanos, suas relações com os romanos, 1



Os Estados germânicos surgidos na antiga porção ocidental do Império Romano (séculos V e VI), tiveram evoluções diferentes: germanos orientais, desapareceram vítimas tanto do expansionismo franco como da renovatio Imperii (Justiniano); reinos vândalo do norte da África (533-34) e ostrogodo da Itália e Provenza (536-552) sucumbiram depois.


Sobre as estruturas socioeconômicas, interesse da historiografia, a decadente visão a respeito do caráter próprio do período (particular associação de elementos da antiguidade clássica e de tempos plenamente medievais) - que, sem dúvida, valoriza a busca do caráter do período nas realidades socioeconômicas (fatores demográficos) oriundas de transformações sofridas pelo campo e pela cidade, demonstra o especial interesse sobre o meio rural dada a supremacia indiscutível do agrário nas sociedades ocidentais, nisto, o predomínio significativo da grande propriedade senhorial no Baixo Império.


Em função das invasões, segue uma análise das possíveis mudanças introduzidas no status quo pelo assentamento dos invasores e estabelecimento de novas formas romano-germânicas, nisto, é admissível a visão dessas formações enquanto modalidades e tempos variados em zonas do Antigo Império, cujas particularidades espaciais estão marcadas pela geografia; densidade demográfica e tradições históricas anteriores.


Como caracterização do período, sugere a concepção da afirmação de duas grandes classes sociais bem definidas - aristocracia feudal latifundiária (militarista) e campesinato dependente, como polarização social marcada por critérios econômicos e político-ideológicos.


Quanto ao caráter urbano no sentido físico/sócio-político/econômico, como problemática também centrada nas continuidades/descontinuidades com respeito a Antiguidade clássica, privilegia o econômico para análise das permanências (comércio, trabalho especializado, centro de governo e também da defesa militar que sofre metamorfoses nesse período).


Bases demográficas. A caracterização para o período indica debilidade e fragilidade, embora haja carência de dados quantitativos. Povoação escassa e população mal-nutrida, a cidade era presa fácil para guerras, fomes e epidemias. Debilidade que tem base em processo anterior (Baixo Império), consideradas as situação (regiões). Nos séculos IV e V, contínuas guerras e fome (bloqueios a cidades e abandono de campos) são fatores que viriam a acentuar o retrocesso demográfico.


A necessidade de alimentar os exércitos e os saques de bárbaros tendenciam a fiscalização mais opressiva a pequenos e médios proprietários de terras, nisto, as invasões surgem como causa principal de amplo movimento de povoação e trocas de status em todo o ocidente do Mediterrâneo. A historiografia alemã exemplifica o tratamento das invasões como migrações. A pergunta que se faz é: de que forma invasores puderam se sobrepor a população romana?


Para MORENO, os assentamentos tiveram modalidade variada segundo os povos e as áreas. Invasões germânicas fora das áreas da velha Roma, do ponto de vista quantitativo, teve baixa incidência demográfica. Para ósticos, em áreas centrais do Império, próximas ao Mediterrâneo, os métodos de investigação (onomástica/arqueologia) permitem inferir significativas diferenças. Para grupos germânicos orientais, numericamente menor, assentados sobre áreas densamente povoadas, em grupos compactos nos pontos centrais para o controle e domínio militar (área mais romanizadas), nisto, são as cidades que sofrerão com a chegada dos invasores (os germanos buscam fortalecer sua identidade étnica). Nos valles, regiões anteriormente negligenciadas (dificuldades de drenagem), haverá maior assimilação étnica/cultural.


Neste sentido, a maior/menor romanização dos Reinos bárbaros influirá no processo de assentamento. Exemplo da Gália (constante pressão germana desde o século IV) que sofre verdadeira colonização e germanização em área anteriormente bem assentada e organizada. Dos francos, cuja colonização franca foi intensa e mudou profundamente as estruturas agrárias. Dos ostrogodos na Itália, grupos compactos com preferência seguiam para as cidades prósperas, a influência sobre as estruturas agrárias seriam mínimas, a região segue mantendo sua identidade durante bom tempo, até a conquista da Itália por Justiniano.


Estruturas camponesas. Fato é a primazia da agricultura em todas as economias pré-industriais. As teses clássicas para esses períodos propunham a visão da ruralização. Para MORENO, a análise da vida rural deve considerar dois níveis: 1) dos elementos oriundos do mundo rural para a época (terra, instrumentos tecnológicos, objetivos da exploração, incidência das catástrofes naturais); 2) estruturas da propriedade (força de trabalho humana e grupos beneficiários da dita estrutura de propriedade). Os problemas para a investigação estão ligados a diversidades geográfica e histórica, escassez de documentação, e particularismos nas monografias sobre determinadas regiões.


A visão demarcada pela historiografia tradicional de duas grandes áreas, (oposições e diferenças): terras próximas ao Mediterrâneo (norte da África, península ibérica, Itália e ilhas, meio e centro da Gália) e terras continentais da Europa central e setentrional (ilhas britânicas, norte da Gália, Alemanha e países do Danúbio), permite a composição da paisagem européia como romana e germânica. A primeira como habitat concentrado, latifúndio individualista (cereais; vinhedos e oliveiras; pecuária subsidiária). A segunda como habitat disperso ou em aldeias, cujas tradições coletivistas (cultivo do campo; exploração dos bosques e prados) permitem a grande pecuária e a não existência de cultivos de tipo plantation.


Caracterização da área mediterrânea como resultante de seu conservadorismo (permanências da paisagem romana). Nos séculos V-VII, quando herdam velhas redes de núcleos urbanos, o conservadorismo se viu favorecido por usos administrativos/conexões fluviais/de caminhos. Sobre núcleos fortificados/agrupamentos aldeães, não podendo ser considerados como elementos claros de ruptura mas consequência da insegurança, é interessante notar a transformação: de centro senhorial do antigo latifúndio para o novo agrupamento aldeão, modificação que tem haver com alterações no modo de exploração. Consequência, a maior opressão sobre o camponês ? que resistiu violentamente ou passivamente (fugas/eremitismo/resistências pagãs/bandidagem) a união dos poderes (reis/Igreja/vassalos).

(Ver: A instalação dos germanos,suas relações com os romanos, 2)




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