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Sentimentos no Comportamento das Crianças



Há uma aprendizagem de vida a
respeito de relações humanas que me surpreende muito sempre que passo por ela.
É a evidente diferença nas conclusões que nascem em relação aos comportamentos e
atitudes das outras pessoas que nos rodeiam, especialmente as crianças
pré-adolescentes. Sendo mais específico, a diferença de conclusões e
julgamentos que são extraídas quando observamos as crianças através dos fatores
emocionais que influem em suas ações.

Há um exemplo
de uma situação que presenciei que talvez sirva de demonstração da força das
emoções sobre as crianças e a tremenda diferença de conclusões e julgamentos
quando abrimos os olhos para isso. Por uma questão de privacidade eu vou mudar
o nome dos envolvidos. Numa manhã de quarta-feira, cheguei ao local de trabalho.
Amanda, a mãe, estava muito preocupada em relação ao prazo para o cadastramento
dos clientes para a extração da carteira de habilitação. Camila, sua filha de 8
anos, implorava para que a mãe a levasse para tomar café na lanchonete. Mas
aquele problema parecia não poder esperar porque o prazo de cadastramento era
preestabelecido pelo DETRAN, o órgão responsável pela regularização de transito
brasileiro. Amanda tentou argumentar sobre as razões pelas quais não podia
fazer aquilo naquele momento, pediu à filha que esperasse mais um pouco e até
tentou convence-la a ir com um dos funcionários. Mas Camila ?bateu o pé?
irredutível e não queria aceitar um ?não!? como resposta, nem queria esperar
para depois. Amanda, já exaltada, começou realmente a perder a paciência e
reagiu com dureza, impôs autoridade, começou a julgar e a criticar a filha ?você é impossível! Você não toma café da
manhã como toda criança normal faz para me interromper quando estou ocupada!?...
?Tenho que te levar nos braços para o banheiro do contrário você não escova os
dentes nem toma banho!?... ?se eu não estiver 24 horas diárias vigiando seus
passos você morre, porque nem respirar por conta própria você consegue?...

Eu observava
aquilo com tristeza, mas parecia ter algo por trás que resultou naquelas palavras.
Amanda e sua família se mudaram há poucos dias para a cidade onde moro, Camila
ainda não tinha feito amizades com crianças de sua idade, aliás, eles moravam no
bairro central onde a maioria dos prédios é comercial e as poucas residências estão
afastadas umas das outras. Os bairros mais dedicados à habitação ficam na parte
mais periférica da cidade. Isso deixava Camila com muito pouco contato humano,
principalmente agora no período de férias escolares. E, ela tinha apenas 8 anos
de idade, era muito dependente do afeto e carinho da mãe. Amanda criticava o
comportamento aparentemente irresponsável da filha em relação à não tomar café
da manhã em casa como toda ?criança normal? faz, mas na verdade, talvez o
motivo disso fosse a alegria que a menina sentia quando iam juntas tomar café
na lanchonete, isso parecia ter um valor e importância para a menina, numa
intensidade talvez maior do que a própria fome, que Amanda não compreendia. O problema
em relação a escovar os dentes e tomar banho talvez fosse simplesmente porque
Amanda tinha o hábito carinhoso de acordá-la e levá-la até ao banheiro todas as
manhãs, mas agora, com muito trabalho e pouco tempo, aquele hábito estava sendo
posto de lado, gerando uma sensação ruim de ausência, arruinando com a empolgação
de Camila. A idade com a mudança de cidade e a ausência de amigos, acabou
deixando a dependência emocional, comum nessa fase, ainda mais alta. Aquelas críticas
tiveram um impacto tão grande que a menina simplesmente se sentou num canto da
sala e chorou por quase meia hora.

Acredito
que todo mundo entende a importância do papel dos sentimentos em nossas vidas,
mas nas pessoas que observo em minha comunidade, damos à devida atenção a isso
apenas quando falamos dos grandes eventos emocionais, o nascimento de um filho,
aconclusão da faculdade, a preparação para o casamento. Que são os 10% da vida.
Mas não atentamos para os pequenos eventos, as pequenas doses de motivação
subjacentes ao maior número de nossas ações. Os 90% da vida.

As
crianças são pura emoção, cada atitude delas, especialmente as mais
irracionais, tem um forte ponto emocional por trás. Talvez um dos modos mais
confiáveis de se compreender mais a fundo nossos filhos seja, como primeira
postura, ter o devido respeito e consideração ao peso e influência que a emoção
deles exerce sobre suas consciências. Antes de tirar qualquer conclusão ou
julgamento a pergunta ?Quais os sentimentos por trás do comportamento de minha
filha?? precisa ser respondida. Isso modifica muita coisa, talvez a mais
importante modificação seja em nós mesmos porque quando entendemos realmente,
de um modo profundo e revisado, a influência que os sentimentos, vontades e
desejos exercem nas crianças e o quando é difícil para elas lidar com isso,
paramos de tentar forçar o crescimento. Basta aprender enquanto se vive para
entender que a grande maioria das ações das crianças são atos impulsivos, até
mesmo os adultos, pessoas com as fibras mais amadurecidas da consciência do que
é certo e do que é errado, enfrentam dificuldades em amadurecer esse lado de
sua natureza, é um processo de vida que tem seu fim quando a pessoa morre, é
bom lembrar!

Pais
conscientes, que trabalham para perceber a vida por uma lente mais emotiva, que
entendem a importância disso para o bem-estar da interação com os próprios
filhos, têm muito mais chances de se realizarem como pais e resolverem seus problemas
porque aprenderam a extrair suas conclusões e discernimentos de fontes mais confiáveis
e menos especulativas. Com mais clareza se pode entender o que acontece por
dentro de uma menina de 8 anos, o quanto é difícil para ela abrir mão de seus
desejos e aceitar a indisponibilidade e as diversas influências que num dado
momento estão reduzindo a atenção da mãe.


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