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Jogo e Educação



O livro de Giles Brougère, ?Jogo
e Educação?, publicado pela Artmed, em 1998, intentou analisar a
importância do jogo como uma das estratégias fundamentais para o
desenvolvimento físico e cognitivo do indivíduo. No primeiro capítulo, ?a
palavra e a coisa?, foi analisado os usos do termo relacionando-o com a
Educação, visto que é um tipo de aprendizagem, pois não se liga apenas a
diversão e prazer, mas ao cálculo, raciocínio e operação. Diversas idéias, em diferentes áreas, foram
levantadas, como na Lingüística, na qual estudar o jogo é analisar e denominar
os fatos, pois existe uma impossibilidade de limitar seus conceitos pela sua
diversidade de significações; na Psicologia, cujo estudo centra-se
naquilo que a criança executa nos comportamentos lúdicos; e, em outros saberes,
enquanto oposição ao sério, porque representa uma espécie de relaxamento,
descanso, associando-se ao papel social infantil. No segundo e terceiro
capítulos, ?em busca de configurações perdidas? e ?a ruptura
romântica?, explorou-se outras lógicas e culturas, verificando como cada
sociedade significou o jogo no seu espaço. Para os romanos, o ludus
representava a encenação do mundo, com teatros, apresentações e combates
fingidos, com características de rituais religiosos. Referia-se também a
escola, lugar de aprendizagem com exercícios e treinamentos. Na Grécia,
centrava-se na noção de concurso. Eram cerimônias de iniciação dos jovens e revelavam-se
instrumentos de harmonia e consenso. Mantinham relação com a religião. Já, para
os astecas, ligava-se com o espetáculo e mostrava-se uma prática globalizante
unindo os homens e respondia a questionamentos: das iniciações juvenis, do
acesso à eternidade, da necessidade de conhecer a vontade dos deuses e do
sacrifício. Durante a Idade Média constituía em um espaço de aprendizagem. No
Renascimento foi uma atividade que supunha desafios e se dividiu em duas
categorias: os de azar e os de destreza. Já, a revolução desencadeada pelo
pensamento romântico possibilitou uma nova concepção. Passou a existir uma
associação entre jogo e exercícios escolares. Em 1807, Jean Paul Richter, em
seu tratado educativo, afirmou que o ato de jogar é o verdadeiro momento de
estudo, uma atividade séria e, estabelece contatos e relações, sendo fator de
desenvolvimento. Já, para Fröbel, o jogo executado, através de brinquedos
específicos, é o centro da educação. No quarto capitulo, ?a psicologia,
ciência do jogo infantil?, recapitulou-se as principais idéias sobre a
temática de acordo com as diversas teorias psicológicas, como a da
Recapitulação, a Piagetiana, a Darwiniana, a de Karl Gross, a de Claparède, a
Freudiana, a de Melaine Klein e a de Winnicott. Já, no quinto e sexto
capítulos, ?a investigação no jogo educativo? e ?o jogo marginalizado?,
retoma-se o estudo de outras lógicas conforme a seqüência temporal. Cita que em
1881, iniciou-se uma preocupação em educar a primeira infância. Programas foram
organizados para estruturar o ensino, no qual o jogo não foi colocado no centro
dessa pedagogia, encontrando-se como recreação ou estratagema. Somente no
Decreto de 1887, aparece nos programas das escolas maternais na forma de jogo
físico. No ano de 1908, uma circular é enviada para as escolas maternais
trazendo as idéias de Kergomard com uma nova interpretação. Então, torna-se um
procedimento de formação. Jean Girard, em 1911, afirma que é um fim em si mesmo
para a criança, para nós, deve ser um meio. Desse pensamento surgiu a idéia do
jogo educativo. Seu papel é preparar a educação infantil quanto as faculdades
física, intelectual e moral, convidando as crianças a exercícios que as
agradem, prazerosos, chegando a trabalhar sem saber. Em 1921, novas
instruções são elaboradas para as escolas maternais. Traz como centro da
pedagogia a educação física e a educação sensorial à base de exercícios. Em
1931, discutiu-se um método francês para a educação maternal: usode exercício
sensorial. No intuito de assegurar a especificidade dessas instituições,
mudou-se o papel do jogo, dedicando-lhe outro espaço: o procedimento educativo
que criaria o lúdico. Após a Segunda Guerra Mundial, Piaget torna-se uma
referência complementada por Freud. O jogo passa a ser um conteúdo concreto,
atividade séria e se adapta as idades dos alunos. O brinquedo torna-se um
material necessário. A escola maternal seria um local onde os movimentos se
fazem gestos e onde a vida se torna jogo e trabalho. Visa a formação para o
?saber-ser?. Finalizando essa trajetória histórica do jogo, no capítulo sete, ?
o jogo na escola maternal: situação atual? expõe que em 1986, as
Orientações para a Escola Maternal definiram seus novos objetivos e afirmam sua
dimensão escolar como preparação para a escola primária: escolarização das
práticas e socialização. Nessa perspectiva, o jogo ganhou espaço. Os cantos dos
jogos tornaram-se obrigatórios nas salas de aula e o local de expressão do jogo
livre. Finalmente em 1984, 1987 e 1990, foram feitas pesquisas com professores
sobre os diversos aspectos da escola maternal. Eles afirmaram que o jogo é um
poderoso instrumento pedagógico, cuja tendência é tornar a escrita mais
freqüente, assim como atividades relacionadas a motricidade, classificando-os
segundo sua importância e segundo a tipologia.
Concluindo, no oitavo capítulo, ?a educação pré-escolar associada ao
jogo?, comentou-se que o fazer educativo pré-escolar deve ser um fator de
igualdade de oportunidades, dando um espaço maior às aprendizagens de tipo
cognitivo. Deve garantir um equilíbrio entre os procedimentos autônomos
infantis e a intervenção pedagógica. O educador deve agir, estimular, interver
e aceitar os papéis que a criança desempenha, organizando um espaço rico em
potencialidades lúdicas. Hoje, as creches que atendem as crianças de 2/3 anos,
se caracterizam pelo espaço lúdico, do jogo livre ao dirigido. Na escola
maternal vem sendo limitado à tempos e espaços pré-definidos com materiais
específicos que permitem orienta-lo para seus objetivos pedagógicos.


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