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O poder disciplinar e a Escola.



No interior das escolas a burocracia conta com um poderoso aliado: o poder disciplinar.Professores, alunos, funcionários, diretores, orientadores. As relações
com todos estes personagens no espaço da escola reproduzem, em escala
menor, a rede de relações que existe na sociedade.

Isso não é novidade. O que interessa é conhecer como essas relações se
processam e qual o pano de fundo de idéias e conceitos que permitem que
elas se realizem de fato. A nós interessa analisar a escola através de
seu poder disciplinador. Conforme diz o pensador francês Michel
Foucault, a escola é o espaço onde o poder disciplinar produz o saber.

Essa situação surgiu no século XIX com a instituição disciplinar que
consiste na utilização de métodos que permitem um controle minucioso
sobre o corpo do cidadão através dos exercícios de domínio sobre o
tempo, espaço, movimento, gestos e atitudes, com uma única finalidade:
produzir corpos submissos, exercitados e dóceis. Tudo isso para impor
uma relação de docilidade e utilidade.

A escola se constitui num centro de discriminação, reforçando
tendências que existem no ?mundo de fora?. O modelo pedagógico
instituído permite efetuar vigilância constante. As punições escolares
não objetivam acabar ou ?recuperar? os infratores. Mas, ?marcá-los? com
um estigma, diferenciando-os dos ?normais?, confiando-os a grupos
restritos que personificam a desordem, a loucura ou o crime.

No seu processo de trabalho, o professor é submetido a uma situação
idêntica ao proletário, na media em que a classe dominante procura
associar educação ao trabalho, acentuando a responsabilidade social do
professor e de seu papel como guardião do sistema. Nesse processo o
professor contratado ou precário (sem contrato e sem estabilidade) ?
mais de 85 mil só no Estado de São Paulo ? substitui o efetivo ou
estável, conforme as determinações do mercado, colocando-o numa
situação idêntica ao proletário.

O professor é submetido a uma hierarquia administrativa e pedagógica
que o controla. Ele mesmo, quando demonstra qualidades excepcionais, é
absorvido pela burocracia educacional para realizar a política do
Estado, portanto, da classe dominante em matéria de educação.
Fortalecem-se os célebres ?órgãos? das Secretarias de Educação em
detrimento do maior enfraquecimento da unidade escolar básica.

O professor subordina-se às autoridades superiores, essa submissão
leva-o a acentuar uma dominação compensadora. Delegado dessa ordem
hierárquica junto aos estudantes, ele é símbolo vivo dessa
subordinação, o instrumento da submissão. Seu papel é impor a
obediência. Na relação do professor com a classe, encontram-se dois
adolescentes: o adolescente aluno a quem ele deve educar e o
adolescente reprimido que carrega consigo.

Ao invés de colocar como tarefa pedagógica dar um curso e o aluno
recebê-lo, por que não colocá-lo em outros termos: em que medida o
saber acumulado e formulado pelo professor tem chance de tornar-se o
saber do aluno?

Vistos estaticamente a escola e o professor, ele aparece como guardião
de um saber estratificado, como o sacerdote das salvaguardas
educacionais, como o gerente de sua distribuição, como o profeta da
necessidade do trabalho e do mérito vinculado a um esforço redentor,
finalmente, da vontade que tudo salva.

Porém, há o outro lado da moeda. O professor é agente da reprodução
social e, pelo fato de sê-lo, também é agente da contestação, da
crítica. O predomínio das funções de reprodução e de crítica
professoral dependem mais do movimento social e sua dinâmica, que se dá
na sociedade civil, fora dos muros escolares.

Em períodos de mudança social, o professor, enquanto assalariado ou
funcionário do Estado, se organiza contra a deterioração de suas
condições de trabalho. Nesse momento ele contesta o sistema. Porém,
para contestar o sistema é necessário estar inserido nele numa função
produtiva.

Por tudo isso a escola é um espaço contraditório: nela o pr


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