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História, filosofia e ensino de ciências: a tendência atual de reaproximação



Neste artigo o autor investiga os usos e os argumentos a favor da história e da filosofia da ciência no ensino escolar. Faz um breve comentário sobre algumas iniciativas americanas nessa área, colocando que tais iniciativas têm sido importantes no enriquecimento da prática do ensino de ciências e reconhece que, apesar disso, a história, a filosofia e a sociologia da ciência não têm todas as respostas à crise que levou àquelas iniciativas. A inclusão de componentes de história e filosofia da ciência em currículos americanos e europeus contribuiu para ?uma compreensão maior, mais rica e mais abrangente das questões neles formuladas?. Os programas de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) ?representam uma abertura importantíssima para as contribuições histórico-filosóficas para o ensino de ciências?.
O texto ainda discute o novo Currículo Nacional Britânico de Ciências e o Projeto 2061 da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS) para mostrar as conseqüências de reaproximação dos conteúdos de sala de aula com a natureza desses. Essa discussão traz questões como:

A necessidade de que os cursos de ciências sejam mais contextualizados e mais reflexivos;
A necessidade dos estudantes desenvolverem o conhecimento e o entendimento sobre as mudanças no pensamento científico através do tempo e como a natureza desse pensamento e sua utilização são afetados pelos contextos em que ele se desenvolve;
A significação e a investigação histórica do que é ensinado;
A inclusão de um tratamento honesto sobre as dúvidas e a natureza incompleta da ciência.
Posteriormente o texto traz uma discussão sobre a história da ciência no ensino de ciências. Algumas correntes atacam o uso da história no ensino de ciências argumentando que ?a exposição à história da ciência enfraquecia as convicções científicas necessárias à conclusão bem sucedida da aprendizagem da ciência? ? defendido por Kuhn ? e que ?a única história possível nos cursos de ciências era a pseudo-história?, já que a perspectiva do historiador era diferente da do cientista ? defendido por Klein.
Matthews ainda discute uma questão importante para o ensino de ciências que é a idealização em ciência. ?Há uma diferença entre os objetos do mundo real e os objetos teóricos da ciência? e confundir uns com os outros é arriscado. Conhecimentos de história e filosofia e sociedade (HFS) ?podem dar uma dimensão mais humana e compreensível às idealizações em ciências?, com uma compreensão mais exata de ?como a ciência apreende e não apreende o mundo real, vivido e subjetivo?. HFS pode promover um ensino de ciências mais coerente, crítico e humano.
História, filosofia e sociedade também devem fazer parte da formação do professor de ciências. É óbvio que um professor precisa conhecer a fundo a sua disciplina para promover um ensino de qualidade. E o professor de ciências precisa ter um conhecimento razoavelmente sólido da terminologia, dos objetivo ? muitas vezes conflitantes ? da ciência e da sua dimensão cultural e histórica. Sobre isso, Matthews se apóia no comentário de Shulman:

?Pensar apropriadamente sobre o conhecimento do conteúdo requer que se vá além do conhecimento de fatos ou conceitos da área; requer que se compreenda as estruturas da matéria. (...) O professor deve não apenas ser capaz de definir aquilo que é aceito como verdade na área, mas também deve ser capaz de explicar porque uma dada proposição é considerada definitiva, porque deve-se aprendê-la e como ela se relaciona a outras proposições; tudo isso tanto na própria matéria como fora dela e, também, na teoria e na prática.? (Shulman, 1986, p. 9).


Para Matthews, os cursos de formação de professores, apoiados em HFS, devem explorar os problemas que os professores têm no desenvolvimento de sua práxis
profissional e que eles próprios considerem relevantes.
Por último, o texto traz alguns temas atuais para a discussão sobre educação em ciências, tais como: feminismo, construtivismo, ética, metafísica, idealização e racionalidade.
O autor conclui dizendo que o sucesso nas tentativas de aperfeiçoamento do ensino de ciências está na introdução de cursos de HFS apropriados à formação inicial e contínua de professores.

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Texto: MATTHEWS, M. História, filosofia e ensino de ciências: a tendência atual de reaproximação
. Caderno Catarinense de Ensino de Física, v. 12, n. 3, p. 164-214, 1995.


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