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Transgressão e mudança na educação - os projetos de trabalho





Por estarmos vivendo em uma época de grandes mudanças sociais, passou a ser função da escola não apenas a transmissão de conteúdos, mas ajudar a construir a identidade e a subjetividade de cada criança e adolescente, tanto como sujeito histórico, como cidadão, ensinando-os a elaborar estratégias e recursos para interpretar o mundo em que vivem, a escrever suas próprias histórias, respeitando as mesmas, as relações estabelecidas através das diferentes experiências culturais e os conhecimentos relevantes para eles. Como decorrência, pertinentes indagações têm sido apresentadas: a escola tem ajudado os alunos
a estabelecer relações entre as diferentes matérias, partindo do
que
realizam em sala de aula? Os currículos têm sido elaborados respeitando os conhecimentos prévios e peculiares de cada comunidade escolar? Há uma preocupação especial com relação às concepções de ensino e aprendizagem em sala de aula? Tais questionamentos estão correlacionados ao valor a ser dado à indagação crítica como estratégia de conhecimento, da educação para a compreensão
, visto ser do consenso geral que o melhor caminho para se ensinar alguém a pensar e aprender compreensivamente é através da pesquisa, observação do contexto
social ao qual o aluno pertence, além das estratégias elaboradas, que lhe permitam interpretar a realidade existente. Daí a ênfase dada pelo
autor à organização curricular. Acredita que, aquilo que os alunos aprendem não pode ser organizado a partir de temáticas decididas por um grupo de especialistas disciplinares, mas sim, de conceitos ou idéias chaves, que vão além das matérias escolares e que permitem explorá-las, descobrir relações e interrogar sobre os significados das interpretações dos fatos. Para Hernández, as disciplinas escolares nunca são um ponto de chegada, mas uma referência para o aprendiz orientar-se numa exploração mais ampla e incerta, já
que o que aprende deve ter relação com a vivência de cada um, cabendo à educação possibilitar a aquisição de estratégias de conhecimento que permitam ir além do mundo como estamos acostumados a representá-lo, por códigos lingüísticos e sinais culturais estabelecidos e ?dados? pelas matérias escolares e pela bagagem outorgada pelo grupo
social ao qual se pertence, refazendo e renomeando esse mesmo mundo. O ensino da interpretação seria a parte central de um currículo, enfocando a compreensão, enfrentando o educador o duplo desafio de ensinar os alunos a compreender as interpretações sobre os fenômenos da realidade, a origem deles e, assim, compreender a si mesmos. Dessa forma, seria entendido que o conhecimento escolar não se ?fixa? em verdades universais e
estáveis e, sim, coloca aluno e educador, em uma atitude de incerteza frente a diferentes linguagens
que se
refletem nos saberes, nas disciplinas, nas matérias, processo este que dará sentido à realidade. Por isso, uma das grandes propostas deste livro é a de convidar os educadores a romperem com a idéia existente de classe e de organização da escola, por grupos de nível ou de idade, com um professor como a única fonte de conhecimento. Os currículos escolares devem ser organizados partindo da priorização de projetos de estudo
, com atividade docente diversificada, alunos agrupados a partir de temas ou problemas que irão pesquisar e não por questões de nível ou de idade. O tempo é planejado em termos de períodos de trabalho: início de uma semana ou quinzena, ?espaços de trabalho?, sem a estrutura de aulas fechadas, mas, pela idéia de seqüencialidade e de organização de conteúdos, sendo cada sala de aula um cenário com uma cultura própria, não única, mas que vai se definindo mediante os diferentes discursos que são desenvolvidos e as diferentes situações encenadas. Isso favoreceria o reconhecimento das influências e representações mútuas entre as diferentes culturas, em diversas formas de conhecimento, para melhor construção da realidade. Trata-se de repensar a escola, entendendo que ensinar é: questionar toda forma de pensamento único e suas representações e verdades estáveis da realidade; incorporar uma visão crítica que induza o indivíduo a se perguntar a quem beneficia ou marginaliza essa visão dos fatos; estudar um fenômeno, destacando opiniões diferenciadas, para que
o aluno comprove que a realidade se constrói a partir de pontos de vista diferentes; compreender que toda realidade corresponde a uma interpretação, não inocente, objetiva e nem científica, e sim interessada, pois ampara e media visões do mundo e da realidade conectadas a
interesses que quase sempre têm a ver com a estabilidade de um status quo
e com a hegemonia de certos grupos.


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