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Teorizações críticas do currículo: Paulo Freire e Henry Giroux





Paulo Freire abordou a problemática curricular e tentou responder a questão sobre ?o que ensinar?? Em sua preocupação com ?o que significa conhecer?, desenvolveu uma obra que tem implicações importantes para a teorização sobre o currículo. A crítica freiriana ao currículo sintetiza-se no conceito de ?educação bancária? que concebe o conhecimento como sendo constituído de informações e de fatos a serem transferidos do professor (agente ativo) para o aluno (agente passivo). Outro conceito, o de ?educação problematizadora?, baseia-se na fenomenologia: o conhecimento é o saber de ?alguma coisa? e sempre ?dirigido para alguma coisa?. E, as experiências são como mundo para a consciência. Para ele, conhecer envolve dois aspectos: a intercomunicação, mediada pelos objetos a serem conhecidos e intermediados pelo universo cognoscível; e, a intersubjetividade do conhecimento, que concebe o fazer pedagógico como ato dialógico, no qual educador e educandos criam, dialogicamente, um conhecimento de mundo. Freire fornece subsídios de como desenvolver um currículo que seja a expressão de sua ?educação problematizadora?. É a própria experiência dos educandos que se torna à fonte de busca de ?temas significativos ou geradores? que vão constituir o ?conteúdo programático? do currículo da educação de adultos. Os especialistas devem, interdisciplinarmente, organizar esses temas em unidades programáticas, mas o conteúdo é sempre resultado de uma pesquisa no universo experiencial dos próprios educandos, que são ativamente envolvidos nessa pesquisa. O conteúdo programático é a devolução organizada, sistemática e acrescentada aos educandos daqueles elementos que foram entregues de forma desestruturada. Assim, numa operação curricular, a escolha do conteúdo programático deve ser feita em conjunto pelos educadores e educandos com base naquela realidade que constitui o objeto do conhecimento intersubjetivo. É igualmente central, entretanto, o ?conceito antropológico de cultura?. O desenvolvimento dessa noção tem importantes implicações curriculares, pois vê a cultura popular como um conhecimento curricular. Além disso, inicia uma pedagogia pós-colonialista sobre o currículo, que visa problematizar as relações de poder entre os países colonizadores e aqueles que eram colonizados. Essa perspectiva privilegia a epistemologia dos povos dominados, pois esses grupos têm um conhecimento da dominação desconhecido pelos dominantes. Em meados da década de 1980, Henry Girox contribuiu de forma decisiva para traçar os contornos de uma teorização critica. Criticou as perspectivas empíricas e técnicas, baseando-se em conceitos desenvolvidos por autores da Escola de Frankfurt. Atacou a racionalidade técnica, utilitária e o positivismo das teorias dominantes sobre o currículo, pois se concentram em critérios de eficiência e racionalidade burocrática e não consideram o caráter histórico, ético e político das ações humanas e sociais e, no caso do currículo, do conhecimento, contribuindo para a reprodução das desigualdades e injustiças sociais. Esboçou, também, alternativas que pudessem superar falhas ou omissões nessas teorias. Entretanto, é no conceito de resistência que o autor busca as bases para o desenvolvimento de uma teorização critica e alternativa sobre a pedagogia e o currículo. Ele sugere que existem mediações e ações no nível escolar e curricular que podem se opor aos desígnios do poder e do controle, dando espaço para a oposição e a resistência. Giroux foi influenciado pela pesquisa feita pelo inglês Paul Willis, quando questiona o porquê dos jovens da classe desfavorecida escolher empregos operários. Ele argumenta que o encaminhamento desses jovens para essas ocupações foi criado por sua própria cultura através da celebração de uma masculinidade associada à cultura operária do ?chão de fabrica?. No entanto, é um momento e um espaço de criação autônoma e ativa que poderia ser explorado para uma resistência politicamente informada. Ao desenvolver essa possibilidade, acredita ser possível canalizar o potencial de resistência demonstrado por professores e alunos para formar uma pedagogia e um currículo que tenham um conteúdo político e que seja crítico às crenças e aos arranjos sociais dominantes, permitindo aos educandos se tornarem conscientes do papel controlador exercido pelas instituições, emancipando-se do seu poder e controle. Três conceitos são centrais a essa concepção: o de ?esfera pública democrática, na qual escola e seu currículo seriam locais onde os estudantes exerceriam a democracia, através da discussão, da participação e do questionamento dos pressupostos do senso comum da vida social; a ?intelectual transformadora?, na qual os docentes devem ser vistos como sujeitos envolvidos nas atividades críticas e de questionamento a serviço do processo de emancipação e libertação; e, a de ?voz?, na qual há necessidade de construção de um espaço onde os anseios e os pensamentos dos alunos possam ser ouvidos e considerados, para que possam ter um papel ativo participativo. Há uma reconhecida influencia de Paulo Freire na obra girouxiana. A concepção libertadora e a noção de ação cultural forneceram-lhe as bases para o desenvolvimento de um currículo e de uma pedagogia que apontava para as possibilidades ausentes nas teorias críticas da reprodução. Já, a crítica freiriana sobre a ?educação bancária? e sua concepção do conhecimento como ativo e dialético colaborou para que Giroux desenvolvesse uma perspectiva curricular que contestasse os modelos técnicos. Além do mais, enfatizava as conexões entre a pedagogia e a política, entre a educação e o poder. Em suma, Giroux analisava a pedagogia e o currículo através da noção de ?política cultural?.


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