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Por que nossas crianças/jovens não sabem ler nem escrever?



Você, professor, que atua no ensino Fundamental, Médio e até mesmo no Universitário, seja em que área for do conhecimento, deve sempre encontrar entre vários de seus alunos, ano após ano, aqueles que não aprendem o que lhes é ensinado porque, a bem da verdade, apresentam graves deficiências e escasso domínio no que se refere à verbalização e à escrita. Também são incapazes de relacionar dados, de redigir de forma coerente, incompetentes quanto aos manejos gramaticais, básicos que são para a realização de uma boa redação. O caos instalado é de tamanha gravidade que, inúmeras vezes, você precisa solicitar ao aluno que leia o que escreveu para que se possa entender o que tentou redigir e, não raro, ele mesmo não consegue identificar suas próprias palavras, ali colocadas. Essa imensidão de estudantes continua sendo vítima do descaso apresentado pela política educacional vigente, que não tem dado a merecida importância à aquisição da leitura e da escrita, ferramentas mestras e estruturais para a aquisição dos demais conhecimentos. Os alunos não estão sendo, realmente alfabetizadose,assim, todo o processo evolutivo de aprendizagem fica deficitário, gerando o baixo rendimento escolar que, por sua vez, é um dos elementos responsáveis pela maioria dos comportamentos anti-sociais e de desprezo pela instituição escolar. Apontadas as deficiências, é preciso agora identificar quando e onde essa falha teve inicio. Seria na própria dinâmica individual ou na síndrome psicossocial? Ou na relação escola/família que precisa ser melhor esclarecida e trabalhada? Bem, no que diz respeito à dinâmica individual, sabe-se que ela depende do processo de maturação, como também dos aspectos fisiológicos, emocionais, intelectuais e sociais. Sendo assim, deve merecer o devido destaque o estudo da psique, justamente porque é nela que se encontram os aspectos inconscientes, que muito influenciam tanto a aprendizagem quanto a harmonia psíquica, sendo também a responsável pela forma como o ser humano conduz sua relação com o mundo e introjeta para si os contatos feitos com o meio em que se desenvolve. Nessa relação, são relevantes os termos que conduzem a experiência emocional, fonte geradora tanto da motivação, quanto da frustração. Diante do que até agora foi exposto, denota-se que muito ainda precisa ser revisto e reformulado no que se refere à capacitação dos professores das séries iniciais do Ensino Fundamental, para que se possa conseguir que nossos alunos sejam efetivamente alfabetizados, fazendo a perfeita transposição dos sons para as letras ao escrever e destas para os sons ao ler. A aquisição plena de tal processo é condição sine qua non para o desenvolvimento de todas as demais áreas do conhecimento. Portanto, por desconsiderar todos esses fatores, o poder público deve ser responsabilizado totalmente pela contínua desconsideração da necessidade de capacitação e estimulação desses professores. É bom lembrar que este é um fator primordial para a recuperação da qualidade do ensino, bastante requisitado pela maioria dos professores que, dia após dia, vem se sentindo incapaz de detectar e, posteriormente, trabalhar com as diferentes deficiências apresentadas por seus alunos e, conseqüentemente, de atuar de forma tal que possam conseguir corrigir tais distorções. Faz parte do consenso geral que, enquanto esses educadores não foram capazes de compreender como cada criança organiza seu pensamento, quais são suas características de personalidade e como reage afetivamente no meio peculiar em que se desenvolve, a marginalização dos alunos com dificuldade de aprendizagem continuará acontecendo.. Pior ainda, passam a se sentir culpados por seus desajustes e incompetências e, assim, permanece o desvio de foco que faz com que a escola seja a única responsável pelo fracasso escolar. Esta, por sua vez, continua sem saber como colocar em prática muitos dos diferenciados recursos didáticos que lhes são enviados, já que falta a já citada capacitação para tal. No entanto, todos esses desacertos também têm a ver com o tipo de atuação dos professores que não podem mais permanecer atrelados a práticas pedagógicas ultrapassadas e desmotivadoras e, sim, partir para o estabelecimento de um novo tipo de relacionamento com seus alunos, em que prevaleça a amizade, a solidariedade, o respeito ao diferente e à adoção de uma postura formadora, tanto individual como cidadã, assumindo o compromisso de fazer a parte que lhes cabe para que esse nefasto quadro geral educacional seja transformado em uma ação renovadora. É bom sempre lembrar que, antes de tudo, o ato de educar depende muito do exemplo e da atitude condizente que o professor apresenta, assim como a sua capacidade de abertura à mudança, pois são elementos essenciais para que o aluno passe a gostar de conhecer, de aprender e... de freqüentar a escola.


Artigo baseado em alguns dos escritos de Tânia Maria de Campos Freitas ? Diretora Científica da Associação Brasileira de Dislexia


 


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