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Educando príncipes no espelho



Já no primeiro parágrafo o autor nos afirma que a infância é uma instituição social, valendo-se de Michel Foucault, Karl Marx e Philippe Ariès para embasar tal conceito. E então passa a falar sobre a educação das crianças da aristocracia e da nobreza, para em seguida localizar que em seu texto tratará do pressuposto doutrinário que normatiza o modelo ético-político do que ele chama "Príncipe Prudente". Esse modelo está presente em algumas categorias institucionais que compõem um gênero didático chamado "espelho do príncipe", que contém a descrição das virtudes cristãs necessárias a um bom governo.

Tais virtudes seriam reciclagens de padrões antigos, gregos, latinos, patrísticos e medievais adaptados à monarquia dos séculos XVI e XVII. A nobreza dessa época se diferenciava das antigas nobrezas por ser letrada, erudita, civilizada. A educação ministrada, principalmente nos colégios jesuíticos naturalizava a desigualdade social, distingue o príncipe das crianças do povo porque estas possuem corpos baixos e vulgares, enquanto aquele tem o corpo alto ou sublime. Apesar destas distinções, como os espelhos de príncipes foram elaborados por cristãos, afirmam que a virtude está acessível a todos, não apenas aos nobres.

O principal ofício dos reis, nos espelhos de príncipes medievais era o de fazer justiça. Naquela época a justiça era a lei e não a aplicação da lei. Nos séculos XVI e XVII os espelhos de príncipe mantém sua estrutura, mas com a dissolução da unidade cristã, houve um alargamento do mundo conhecido. A concepção tradicional de ?natureza humana? se transforma. E a questão da moral passa a ser importante debate, incluindo a descrição de costumes exóticos, como uma espécie de pré-história da antropologia.

Nos textos medievais a unidade da alma está constituída por três faculdades: memória, vontade e inteligência. Essas faculdades deveriam ser controladas e o homem deveria estar no meio termo dos apetites.

Santo Tomás apresenta uma analogia de proporção do corpo político com o corpo natural do homem: Deus: mundo:: cabeça: corpo; transferindo a proporção para a sociedade cabeça: corpo :: rei: reino. A razão suprema dirigiria o corpo. O rei dirigiria o corpo político. Cada súdito corresponderia a partes do corpo.

Os autores dos espelhos de príncipes pensavam à maneira de Aristóteles, classificando as matérias de modo dedutivo, de acordo com gêneros, espécies, indivíduos, acidentes e diferenças específicas. Essa ordem espelharia a ordem teológico-política de tudo o que for exposto. O dogma era defendido com intransigência e isso implicava em retomar a idéia aristotélica de que a natureza poderia ser corrigida pelas artes, assim a instrução letrada poderia melhorar a alma humana.

A educação das crianças plebéias era muito diferente, com a utilização da violência como modo de correção. Os castigos corporais eram um hábito.

As regras para controlar a relação mestre/discípulo fornecem indicações sobre a sexualidade e outras normas de comportamento em público. Existiam mestres domésticos e escolares, que rivalizam entre si. As moças não recebiam educação e faziam mexericos sobre os mestres.



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