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"Mexeram no meu queijo... e daí?



Mexeram no meu queijo. E daí? Eu não sou rato, nem duende, nem minha vida é só de queijo, pois nem só de queijo vive o homem. Se não tem queijo, como brioches ou degolo o Minotauro. Os poderes de criação, adaptação e superação, nos humanos com alguma espiritualidade, que não deve ser confundida com religiosidade, são invencíveis e podem muito bem livrá-los da neura de estarem sempre ansiosos e preocupados, correndo pelos labirintos, sem perceber que a melhor parte é ser dono do labirinto e vê-lo de cima, ou saber quem está manipulando as entradas e saídas dele para só então decidir se terá uma corrida justa naqueles corredores ou se poderá enfrentar uma concorrência desonesta. No entanto, a maioria paga para entrar no labirinto e correr desesperado atrás do queijo, com medo que ele acabe, e estragam a alegria do hoje com os fantasmas de um amanhã que talvez nunca aconteça. Basta a cada dia o seu mal: disse Jesus. Obviamente, ninguém em bom juízo deixará de ser previdente e prudente para com o amanhã, a ponto de não limpar, afiar e guardar bem as ferramentas que usou no seu trabalho do dia de hoje, achando que isso seria ansiedade e preocupação com o amanhã. A cultura do ?rato? é velha na humanidade. Deve interessar principalmente aos que exploram ratos que acreditam que a responsabilidade de seus insucessos e infelicidades é só e exclusivamente deles, como se eles não fossem parte de um todo ou como se fossem ilhas. Que indução à culpa injusta e submissão! Que incentivo ao isolamento e à impossibilidade de reunir cérebros e forças para perceber e reagir ao engodo! Que convite à produtividade e competitividade maléficas! Que falta de visão sistêmica! Que individualismo pegajoso! Que consumismo anti-ecológico! Que praga na humanidade! Que esperteza de governantes e seus negociantes para manterem a cadeia de necessidades artificiais e a rede de pagadores de suas tarifas, impostos e taxas, sem resistência e sem contestadores e, ainda por cima, posarem de messias e salvadores indispensáveis da pátria, surfando as ondas dos escândalos de corrupção em que estão envolvidos. Proliferam ainda os velhos tocadores de flautas mágicas e cantores dos cantos das sereias, na condução por cabresto, de crianças e ratos, e proliferam os pregadores das fontes da juventude e exploradores dos mundos perdidos e mágicos, de Atlântida a Passárgada, de Al-di-lá a Shangrilá. Desses exploradores e de sua ganância por lucros maléficos nada escapa. Nem mesmo Cristo escapou da cocacolarização que tenta mostrá-lo como o maior psicólogo, o maior guru, o maior administrador, o maior isso, o maior aquilo, menos como o que ele disse que realmente é: o Filho unigênito de Deus, que julgará vivos e mortos, mas isso não dá os lucros que os flautistas mágicos querem. Mickey e companhia não foram exceções nessa cultura do rato. Que delícia! Um mundo onde nossos atos não têm conseqüências mortais e onde o consumo e a imitação patética é a expressão máxima de paraíso. Que me perdoem os portadores apenas da cultura do brilho fácil, dos 5 minutos de glória e fama, dos diplomas descartáveis, da cultura de verniz, do pastiche comportamental, da performance estereotipada nos famosos, do discurso empolado aparentando alguma inteligência e das historinhas tão inocentes que escondem o veneno de muitas víboras. Agregar mais substância e valor às vidas pessoal, social e profissional, só é possível pela ascensão a níveis de conhecimento que dêem segurança e desenvoltura superiores às possibilitadas pela cultura láctea, de fácil deglutição e disgestão, pela cultura superficial e instantânea, pela cultura de manchetes, que imperam nas TVs, jornais, revistas, livros e internet, dos editores que instrumentalizam a cultura pós-moderna do parecer mais do que ser, que se presta ao editorado bélico, que faz os mais vendidos, e ao bélico editorado com ares de arte e coisa boa, que vende a morte como se fosse vida. Não se confunda liberdade com irresponsabilidade nem criatividade com ?vale tudo?. O mote de séculos passados, de que no domínio da arte vale tudo e ninguém é dono não passa de demagogia barata. Arte e engenho nunca estiveram separados, são faces da mesma moeda, exigem estudo, método, rigor, pesquisa e formação. Não é ?terra de ninguém?, muito menos para arrivistas da cultura dos ratos que, hoje, vem estendendo seus tentáculos também às ciências aplicadas, em especial à da administração de empresas e negócios, com uma enxurrada cada vez mais forte de livros e palestras de auto-ajuda empresarial e cursos de capacitação rápida à distância, sob o manto milagroso dos gurus criados mais pela mídia que pela academia e prática, que prometem mudar a vida e render resultados impressionantes... -continua em " Mexeram no meu queijo...II-. (Jair Jatobá in sites UOL www.vidaamorenegocios.zip.net)


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