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"Mexeram no meu queijo... e daí? II



(continuação) Quase sempre são as pessoas menos privilegiadas financeira e culturalmente que gastam nesse quasímodo mundo da ?ciência-show? e do quás-quás-quás. Essas pessoas poderiam juntar suas economias e concentrar seus esforços para melhorar de vida concretamente, através de cursos e leituras com mais substância e respeito às peculiaridades de aprendizado e às reais necessidades de cada cultura, sociais e empresariais, sabendo-se que não existe aprendizado sem confrontamento de opiniões nem sem o enfrentamento das situações e seus públicos e das negociações de posições diferentes ou oponentes, da mesma forma que não existe produtividade e competitividade sem o campo de provas e correção. Mas a cultura dos ratos está tão apoiada em pseudo-cientistas que a maioria dos que aderem a ela passa por inteligente, não por muito tempo: caso não se corrijam, irão para o último lugar da concorrência, quando não à falência. Mas será que não é isso mesmo que os ?gurus? da contra-cultura empresarial querem para os incautos aprendizes dos países concorrentes? Estimular paradigmas e filosofias de trabalho que aprisionem o pensamento crítico e criativo dos concorrentes sempre foi uma estratégia maquiavélica usada pelos filhos do príncipe deste mundo. Bem aventurados sejam todos os tocadores de flautas mágicas e todos os cantores dos cantos das sereias: pelo menos servem de ponto de despertamento aos que inocentemente dormem em berço esplêndido. Mais bem aventurados são as Cigarras que cantam para que as formigas vejam que sua cantoria inoportuna não é mais tola do que a produtividade delas em juntar, juntar, juntar mais para o tamanduá. Na cultura dos ratos tudo é feito em cima de obviedades e muita ambição. "A Arte da Guerra para Quem Mexeu no Queijo do Pai Rico", do professor da USP Luli Radfahrer, é um guia dos que se fiam na pseudoliteratura de gurus empresariais. A indústria de auto-ajuda empresarial veio no rastro dos anos noventa, com a idéia reforçada de que nada vale a pena no mundo, a menos que se preste para ganhar muito dinheiro. Antes dela vieram as ondas de auto-ajuda pela comunicação, auto-ajuda pelos poderes mentais, auto-ajuda pelo pensamento positivo e auto-ajuda pela religiosidade, para citar apenas alguns tipos de auto-ajuda, que ciclicamente se repetem, umas após outras. Tão logo as vendas e lucros de uma caiam, outra onda entra em cena, com novos nomes e caras novas, mas a mesma velha essência superficial, descartável e ineficaz. Tão ineficaz que seus consumidores ficam viciados nessa literatura, parecendo até que este tipo de leitura os mantém em estado permanente de insegurança pessoal, baixa auto-estima e embotamento da inteligência. Eu gostaria de me juntar aos defensores deste tipo de literatura, que alegam ser ela a única coisa que um grande número de pessoas podem ler e entender, no que concordo. Dificilmente uma população semi-analfabeta ou de analfabetos funcionais como a nossa conseguiria ler os mestres da humanidade com algum razoável proveito. Porém, defender que alguém continue a se alimentar indefinidamente de leite, quando há carne para todos, é querer que permaneçam sempre no estado de dependência escravizante. A condição humana, suas fraquezas e grandezas, sempre foi tema abordado pela literatura digna desse nome e pelos grandes nomes dignos dessa literatura, como Shakespeare, Cervantes, Proust, dentre tantos de igual quilate. Num mundo de pseudo-viventes e pseudo-cientistas, de pseudo-alunos e pseudo-professores, ser também pseudo é normal: alienado, retrógrado ou ?mané? é quem foge disso. Não devemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que o lado prático das coisas sejam menos lucrativos e imediatos do que o lado essencial delas. Mas, também, não sejamos tão arrogantes e néscios que possamos desprezar o elemento essencial, pois sem ele o lado prático logo desaparece. Peter Drucker assinalou que o único bem econômico que faz sentido é o conhecimento, a educação. Não aquela educação que é usada para impressionar um possível cliente, um empregador ou fazer amigos e influenciar pessoas, educação essa que pode ter sua importância como maquetes na construção de um prédio: pronto o prédio autêntico, descartam-se as maquetes. Ninguém mora definitivamente em maquetes, e maquetes acostumadas podem virar macaquetes. Mas a educação por si só não abre muitas portas e o consumidor comum não quer o método mais difícil para educar-se efetivamente, pois a imitação de boas maneiras e a cultura de verniz é mais rápida e útil ao sucesso profissional imediato e aos carreiristas de plantão. Então, pelas leis da ação e reação, dos estímulos e respostas, a cultura do rato cumpre seu papel. Porém, que nenhum rato se engane e comece a sonhar com os postos das águias e dos leões. Conceda-se poder a uma pessoa que finge saber e ela torna-se um ditador; conceda-se o mesmo poder a uma pessoa autêntica e ela torna-se um líder servidor O entregador da ?Mensagem a Garcia? será sempre o melhor entregador, mas nunca chegará a ser o general Garcia e muito menos o presidente americano que escreveu a mensagem, a menos que passe da cultura do rato para a cultura das águias e dos leões.(Jair Jatobá in sites UOL www.vidaamorenegocios.zip.net)


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