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Ouro e Moeda na História (1450-1920)



CAPÍTULO XIV ? Os metais preciosos da América: Potosí

o descobrimento das minas e a utilização do método da amálgama de mercúrio faz com que as chegadas de prata em Sevilha atinjam o máximo no final do século XVI. P.Vilar tentando apreender as experiencias concretas vividas no Potosí, recorre a um documento da época do apogeu da mina: La relación general de la Villa Imperial del Potosí. Este documento, além de refletir a mentalidade de quem, um proprietário, engloba uma análise geográfica, tecnológica, econômica, social e moral da exploração do Potosí.


O Potosí é uma região inóspita, que em poucos anos se transforma em uma cidade de 160.000 habitantes. Sobrevive através de importações de produtos de produtos de tudo que é gênero e de toda parte do mundo. Na ?montanha de prata? encontra-se filões muito ricos e outros medíocres. De 1545-64, a primeira fase, são exploradas principalmente as ?vetas? mais ricas usando-se o antigo método indígena, la guaira. Entre 1560-70, há uma fase de depressão, porque esgotam-se todas as vetas rias, principalmente. Em 1570-72, começa uma nova fase, baseada na utilização da amálgama da prata com o mercúrio, de Huancavelica sobretudo. A produção então começa a crescer.


O sistema de exploração do Potosí: não há uma propriedade sobre as minas, a exploração é concedida a concessionários perpétuos. Os métodos de exploração são vários e pouco racionais. Durante a fase da guaira, a exploração estava totalmente entregue aos índios. Na segunda fase, a mão-de-obra é controlada pela mita (quando os índios são requisitados). Não obstante, há acordos entre indígenas e concessionários, que permitem a exploração pelos índios sob a condição de uma divisão do material extraído. Isto ocorre porque o número de homens necessários à exploração de metais nas minas é muito superior àquele que o sistema de mita é capaz de fornecer.


A necessidade técnica e o custo dos investimentos são mais sentidos nessa segunda fase. O esgotamento das vetas mais ricas traduz a necessidade de se ir mais longe na procura (profundidade), o que coloca o problema dos custos das escavações (devem ser seguras e rentosas) por outro lado, a utilização da amálgama exige um investimento em aparelhagem complexa e cara, além do próprio preço do mercúrio.


A partir daí, podemos encarar a produção dos metais da América como uma empresa: capital, mão-de-obra e tecnologia; e perceber que, nesta fase, os gastos com equipamentos e ?investimentos? são acrescidos aos custos da produção e, logo, ao preço da prata.


Em relação à exploração do trabalho indígena, P.Vilar não o confunde com uma escravidão; esclarece que era antes um trabalho mal pago. A mita, instituição oficial de controle do trabalho nas minas do Potosí,é uma reutilização do sistema incaico de tributo pago em trabalho ao Estado. Como necessidade de homens nas minas era enorme, o sistema de mita desloca,e retira da agricultura, cerca de 17.000 pessoas por ano.


Não se deve esquecer a existência do mingado, trabalhador livre que aluga sua força de trabalho nas minas. Quanto a cidade, que sobrevive da importação,é, por isso, um centro de especulação (mercados). Nos mercados, vendiam-se produtos europeus, escassos e caros, e produtos indígenas,o que denota uma certa liberdade econômica do índio nesses centros e um favorecimento da agricultura do Peru. Essa efervescência da vida econômica do Potosí,ou seja, o contato mercadoria-prata no mesmo lugar, faz com que seja visto como um dos grandes lugares históricos do nascimento do capitalismo.


Subjacente a esse desenvolvimento econômico, surge uma ?camada? , ou um aspecto da vida social marginal: vagabundos, prostitutas, casa de jogos, de danças, etc. Em meio a essa vida social agitada e aparentemente alegre, é possível identificar profundos conflitos de raça e de classe nos mecanismos de contenção das ?liberdades? experimentadas pelos indígenas, e nas relações entre corregidores e índios.




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