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Avaliar E MEDIR



 ?O Homem é a medida de todas as coisas?

(Protágoras)

 

A dificuldade em investigar a verdadeira realidade, já aparece nos escritos de Platão e, no Teeteto, a dialética  se dá entorno da afirmação de Protágoras - se o Homem é a medida de todas as coisas.

Pensar se existem realidades ou Realidade e como o sentir do Homem, concatenado com sua estrutura física, interfere na busca por uma resposta fidedigna.   Vejamos a fundamentação nestes trechos de diálogos:

SÓCRATES - Tiveste, pois, inteira razão em dizer que a ciência não é mais do que a sensação. Quer se admita, como Homero, Heraclito e os que pensam como eles, que tudo se move como um rio, quer se afirme, como o sapientíssimo Protágoras, que o homem é a medida de todas as coisas, ou como Teeteto que, sendo assim, a sensação se torna ciência, tudo isto significa o mesmo. Poderemos dizer, Teeteto, que é este o recém-nascido que deste à luz,graças aos meus cuidados? Que te parece?

TEETETO - É forçoso reconhecê-lo, Sócrates. (...)

SÓCRATES - Se as opiniões que formamos pela sensação, são verdadeiras para cada um, se ninguém melhor que o próprio está em condições de saber o que ele experimenta nem de examinar se a sua opinião é verdadeira ou falsa, e, pelo contrário, como tantas vezes se repete, cada um forma por si mesmo as suas opiniões e estas são sempre justas e verdadeiras (...)

SÓCRATES - Porque seremos nós mais ignorantes e porque havemos de freqüentar a sua escola, se cada um é a medida da sua própria sabedoria? Dar-se-á o caso de Protágoras ter dito isto por brincadeira?

Max Planck e Einstein, pais da Física Quântica, Feyerabend e Thomas Kuhn, que pensaram sobre o método científico, concluíram que o próprio instrumento de avaliação altera o fenômeno que está sendo investigado.

Ao inserir um termômetro frio num frasco contendo um líquido quente causa-se um viés, porque a temperatura do instrumento interage com o líquido. A questão quem é a medida de todas as coisas, se temos a Realidade ou realidades, ainda é tão recente como  ela o foi nos tempos da Grécia Antiga entre os discípulos de Sócrates.

Nas Ciências Humanas a situação é mais desafiadora, tanto para a área da Psicologia como nas questões pedagógicas inerentes às avaliações e seus instrumentos, porque não se tem acesso às variáveis internas do sujeito, questionam-se quais são os limites da interpretação e  quanto o avaliador e seus instrumentos interagiram positivamente ou negativamente com o analisando ou  quem e o que se pretende avaliar.

Há um grande risco de tornar Ciência em elucubração quando o resultado obtido está enviesado.

Em algumas universidades européias as avaliações e correções são elaboradas, aplicadas e corrigidas por professores que não ministraram as aulas. Esta metodologia é uma tentativa ética e racional de não gerar aberrações pedagógicas.

Na minha prática docente já apliquei avaliações onde eu não sabia de quem era a prova a ser corrigida. A identificação era feita por um sistema de códigos. Isto me deu uma sensação de paz, pois certamente eu estava exercendo a minha profissão de forma ética.

Diversificar instrumentos de avaliação e avaliar continuamente os alunos, também é uma forma de se evitar viés, de potencializar mecanismos de exclusão.

A pergunta que eu faço para meus colegas educadores é: vocês colocariam seus filhos nos colégios em que estudaram?

O pedagogo japonês Makiguti, criador do  Sistema Educacional de Criação de Valores,  disse que a escola deve educar para felicidade.

Isto é muito profundo! Porque num sistema capitalista onde a competição e  a meritrocracia são regras, aspectos subjetivos que levam o homem a dobrar sobre si mesmo e questionar se ele é feliz, se sabe a diferença entre prazer e felicidade, são posturas antagônicas com as leis do mercado financeiro e no mundo do trabalho globalizado.

Em nome da ordem secular da organização que o professor representa, utiliza-se métodos educacionais autoritários que condicionam o aluno a não mais argumentar e, assim, ao  perder a capacidade de mediação, instala-se a obediência cega, que tem como matriz as falácias de autoridade.    

Então, quem é a medida de todas as coisas? O professor? O sistema educacional? As leis do mercado de trabalho?  O vestibular? A bolsa de valores? A mídia? Por que o Porco não pode ser a medida de todas as coisas? (Sócrates)

?Se admitimos não ser possível chegar a um consenso através de argumentos, só resta o convencimento pela autoridade. Portanto, a falta de discussão crítica seria substituída por decisões autoritárias, soluções arbitrárias e dogmáticas ? e até violentas ? para se decidir uma disputa?

Popper



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