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"A Lepra e o Laissez-Faire"



 "O hábito torna suportáveis até as coisas assustadoras."  

(Esopo)

 

Existe uma velha Lepra na educação que se instalou principalmente no Ensino Público. Ela foi e continuará disseminando-se através dos péssimos professores que não têm nenhum compromisso com a formação cultural, científica e ética dos alunos.

Essa lepra chama-se espontaneísmo. Que está travestida com o rótulo de sócio-construtivismo e ganhou enorme pestilência com o sistema de ciclos e promoção ?automática?   

A lepra não mata, mas deforma lentamente sua vítima. Isso mesmo! Deformaram o sócio-construtivismo transformando-o num ?laissez-faire<1>?. 

Abriu-se mão de planejar a ação docente e avaliar continuamente o aluno.

Abusou-se do ditado: ?É caminhando que se constrói o caminho!? Apropriação equivocada de uma fraca licença poética que se incrustou na (des)prática anti-pedagógica!

Só os andarilhos fétidos, fracassados e dementes andam a esmo, sem um objetivo, esperando a morte chegar...

Péssimos educadores iniciam suas ?aulas? partindo de qualquer tema para chegar a lugar nenhum! E, assim, sem conteúdo o aluno não conseguirá a inserção num curso técnico que o capacitará a encontrar lugar no mercado de trabalho.

Como falar em cidadania sem emprego? Sem emprego passa-se fome e "um homem com fome não é um homem livre? (Stevenson)

O pior ?gestor?  é aquele que fica trancado em sua sala, atrás de uma mesinha repleta de papéis,   alheio ao que se passa na escola, pois delegou tudo para seus assistentes e coordenadores, que sofrem imensa sobrecarga de trabalho. Estes ?gestores? apenas delegam responsabilidades para seus assistentes, mas nunca acompanham as tarefas que delegaram. Eles  só aparecem para cobrar resultados, dar repreensões e colher méritos que não lhe pertencem! Assim é fácil dirigir uma escola!

Coitado do corpo discente que tem diretores que escondem atrás de uma mesa e professores que disseminam a lepra do espontaneísmo! 

Gestores educacionais competentes realizam planejamentos com a flexibilidade que permitirá aos docentes atingirem níveis de excelência em sua prática pedagógica.

Só é possível atingir um nível de excelência educacional questionando-se o que é uma educação significativa e exercendo uma gestão participativa.

Planejamentos coerentes viabilizam a articulação de conteúdos significativos  com bons livros didáticos permitindo ainda trazer o mundo para a sala de aula através da internet e outras mídias educacionais.

Um Planejamento sério parte de uma avaliação diagnóstica e, a partir da tabulação dos objetivos alcançados deve-se, se necessário, replanejar.

O replanejamento fará os ajustes necessários para se obter o melhor desempenho dos  alunos.

O foco da prática pedagógica deverá sempre estar no aluno e não nos anseios, idiossincrasias e saudosismo de educadores acomodados e refratários às mudanças que a cyber-dromocracia impõe a todos.

É necessário realizar ao menos duas avaliações diagnósticas, uma no início do ano letivo e outra no começo do segundo semestre.

"Antes de começar, é preciso um plano, e depois de planejar, é preciso execução imediata." (Sêneca)

Saber onde se está, para depois escolher a estratégia adequada que permitirá alcançar os objetivos propostos pelo grupo docente, articulando-se com a missão da escola.

Se o termo ?missão? soa por demais empresarial e incomoda aos educadores mais afetivos, podemos falar em diretrizes educacionais previstas na Constituição Federal.

Planejamentos inteligentes e viáveis fortalecem o grupo docente quando eles são praticados seriamente e feitos os ajustes necessários ao longo do ano letivo.

Quando a gestão é participativa incorporam-se ao planejamento experiências docentes bem sucedidas, portanto, o foco está no êxito da equipe e não nos erros, porém, é preciso conhecer os erros para não repeti-los da pior forma possível.

Diante de discrepâncias pedagógicas, o planejamento será decisivo para resolvê-las: planejamento é documento de referência.  

?Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo?  (Paulo Freire)

Se educar-se implica em mediatizar com o mundo globalizado, essa mediatização não se dará com laissez-faire, mas com um planejamento eficaz que possibilitará ao aluno transitar entre o necessário caos criativo e a rotina necessária ao cenário escolar. Rotina que não engessará o aluno, mas o capacitará a seguir normas sociais.  

<1> Laissez-faire é parte da expressão em língua francesa "laissez faire, laissez aller, laissez passer", que significa literalmente "deixai fazer, deixai ir, deixai passar". 

 


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