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A desordem na relação prof./aluno:indisciplina,mor alidade,conhecimento



O que está acontecendo com a educação brasileira atual? O papel da escola é o de transmitir conteúdos e de conformar moralmente os novos sujeitos a simplesmente aceitar e acatar para si, regras de condutas preconizadas? A questão é complexa e há aspectos e opiniões discordantes por parte dos educadores a esse respeito. Para muito deles, a escola deve continuar sendo aquela instituição que deve atender a seu papel essencial, qual seja, a escolarização, atrelada à assimilação de conhecimentos necessários acumulados pela humanidade. Para outros, ela deve ter uma dimensão socializante, de preparo para o exercício da cidadania e convívio com a sociedade. E há ainda aqueles que optam pela dimensão profissionalizante, voltada para a qualificação para o trabalho. Bem, este quadro especulativo a respeito do papel que a escola deve ocupar dentro da sociedade, por si só, já é gerador de ocorrências indisciplinares, que vêm se acentuando, chegando às barbáries de violência das quais se tem conhecimento dentro do espaço escolar. A própria mídia impressa e falada vem dando destaque a essa dificuldade que os professores em geral vêm encontrando para trabalhar e enfrentar tal problemática, tendo a indisciplina se tornado o principal inimigo do educador atual para o bom desenvolvimento de seu trabalho didático-pedagógico. E a pergunta que todos desejam obter uma resposta é a seguinte: o que afinal mudou: a escola ou mudamos nós, seres humanos pertencentes a um novo tipo de sociedade e realidade? Vivemos hoje em uma sociedade que despreza inúmeros valores até então tidos como norteadores da formação individual e este um fato que, por não se restringir ao ambiente escolar, implica em uma visão e análise transversal de âmbito didático-pedagógico, além de um olhar para o processo sócio-histórico, acompanhado dos devidos condicionantes culturais e familiares. Deve-se salientar também a importância da crescente democratização política do país que trouxe consigo a desmilitarização das relações sociais, o que permitiu que um novo perfil de uma nova geração de pessoas fosse formado, inclusive os perfis de aluno e professor que também se modificaram: não há mais espaço para o padrão pedagógico autoritário e nem para o de aluno submisso e temeroso. Também foi extinto o caráter elitista e conservador, que fazia com a escola ficasse restrita prioritariamente às classes sociais privilegiadas, mas, no entanto, as estratégias de exclusão continuam existindo, já que os parâmetros que regem a escolarização ainda são regidos por um sujeito abstrato, idealizado e desenraizado dos condicionantes sócio-históricos, voltados para um aluno que é pensado, e não como realmente hoje é, como se todos fossem iguais em essência e potencialidades. É a partir de tal constatação que se pode entender como se iniciou a deterioração da qualidade do que é ensinado e assimilado e, conseqüentemente, a indisciplina. Alia-se a isso, o ingresso na escola de um novo sujeito histórico, que busca outras demandas que essa instituição não foi preparada devidamente para absorvê-lo, tornando-se, portanto, responsável pela rejeição do mesmo. Cabe, portanto, aos professores, atuarem de uma nova forma, que inclua princípios de permeabilidade, determinantes psicossociais, partilha de responsabilidades, cooperação, reciprocidade e, especialmente, o exercício da alteridade, condição básica para que se estabeleça uma convivência grupal harmônica, como é o caso do trabalho em sala de aula. Tudo isso, no entanto, não poderá ser pensado e nem realizado apartado da união e da articulação com a família, pois são essas duas instituições responsáveis pelo que se denomina educação, num sentido amplo. E é justamente isso que não vem ocorrendo já que só à escola vem sendo delegada a função de educar integralmente as gerações mais novas, ultrapassando, em muito, as de âmbito pedagógico, que vêm sendo substituídas pelas moralizadoras e disciplinadoras. Pergunta-se: é tarefa da escola ter um entendimento da infra-estrutura psíquica de seus alunos? A ela é oferecida a contribuição in loco de pessoal especializado para tanto? Sabe-se que não cabe a ela tal papel e, por incompreensão por parte da família de suas próprias responsabilidades no que se reporta ao ato de educar seus filhos, há a quebra do contrato pedagógico, a proposta de um trabalho educacional não é cumprida de forma satisfatória, gerando um estado de insatisfação de ambas as partes e a perda da visibilidade a respeito dos grandes sentidos sociais da educação como um todo. E, assim, a indisciplina deve ser considerada como um sintoma da falta de sintonia e de relações descontínuas e conflitantes geradas exatamente por esse espaço vazio existente entre a escola e as demais instituições sociais responsáveis pela formação integral do sujeito e do futuro cidadão. A escola já tem garantido seu lugar autorizado na educação, pelo fato de ser o espaço onde ela é praticada e referendada continuamente aos olhos de todos que nela estão ou estiveram. Trata-se, pois, de uma delegação de legitimidade e autoridade que lhe é conferida sobre o fazer educacional, garantindo-lhe um lugar privilegiado dentro da tarefa educativa. Resta-lhe agora, rever o eixo argumentativo de autoridade que sempre lhe foi inerente, para que possa enfrentar o problema da indisciplina. A saída para tal impasse pode ser encontrada no coração mesmo da relação professor-aluno, isto é, nos próprios vínculos cotidianos, através do entendimento que o lugar do professor é imediatamente relativo ao do aluno, e vice-versa, e que, guardadas as especificidades das atribuições de agente e clientela, ambos são parceiros de um mesmo jogo, sendo a grande rival a ignorância, a pouca perplexidade e o conformismo diante do mundo. 


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