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Um retrato da sala de aula



O americano Martin Carnoy, 71 anos, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, é um dos poucos especialistas que observaram de perto o dia a dia em escolas brasileiras. Em 2008, Carnoy veio ao Brasil para coordenar um estudo cujo propósito era entender, sob o ponto de vista do que se passa nas salas de aula, algumas das razões para o mau ensino brasileiro. Nesta entrevista ele traça um apurado cenário da educação no Brasil.

Está claro que as escolas brasileiras ? públicas e particulares ? não oferecem grandes desafios intelectuais aos estudantes. Chama  a atenção a predominância do improviso por parte dos professores, o tempo perdido com a indisciplina e a absurda quantidade de trabalhos em grupo que simplesmente não funcionam. Só mesmo um professor muito bem qualificado é capaz de conferir eficiência ao trabalho em equipe ou a qualquer outra atividade que envolva o intelecto.  O nível geral é muito baixo. Os professores devem ser bem treinados para ensinar ? e não para difundir teorias pedagógicas genéricas. Um bom professor é aquele que domina o conteúdo de sua matéria e consegue passá-lo adiante de maneira atraente aos alunos. O que se vê no Brasil é a difusão de um valor diferente: o de que todo professor deve ser um bom teórico e o pior é que eles se tornam defensores de teorias sem saber sequer se funcionam na vida real. Há um excesso de ideologia na educação. No Brasil, a situação se agrava porque, acima de tudo, falta o básico: bons professores. A chave para um bom ensino é conseguir atrair para a carreira de professor os melhores estudantes, como em Taiwan, que reuniu em seu quadro de docentes algumas das melhores cabeças do país. Lá, um professor ganha tanto quanto um engenheiro. É preciso, sobretudo, dar-lhes uma perspectiva de carreira e de reconhecimento pelo talento que os distingue. O pior problema aqui não é a remuneração dos professores, mas justamente a ausência de um bom horizonte profissional. É  preciso também uma vigilância sobre os professores, salvo raras exceções, ninguém sabe o que eles estão ensinando em sala de aula. Hoje, os professores brasileiros estão, basicamente, livres para escolher o que vão ensinar do currículo. Não há padrão nenhum ? tampouco há excelência acadêmica. Ainda há uma visão distorcida da realidade ? típica de países onde as notas dos estudantes são, em geral, muito baixas. Num cenário como esse até mesmo os ótimos alunos tendem a se nivelar por baixo. Com um resultado superior à média, eles já se dão por satisfeitos, assim como seus pais e as escolas. Na verdade, estão mirando a linha da mediocridade. Os alunos brasileiros que aparecem  entre os 10% melhores são, afinal, menos preparados do que alguns dos piores estudantes da Finlândia. É necessário, também, encarar uma questão espinhosa: a cobrança de mensalidades de quem pode pagar por elas, como funciona em tantos países de bom ensino superior. Caso estudantes de renda mais alta  pagassem algo como 1000 dólares por ano às instituições públicas em que estudam, o orçamento delas aumentaria na casa dos 15%, o que daria para atrair professores do mais alto nível. Quem sabe até um prêmio Nobel. O Brasil precisa, afinal, começar a se nivelar por cima.




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