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O Ensino da Gramática



Neves (2004) questiona como é a gramática ensinada nas salas de aulas nos dias de hoje e se a sistematização tem de passar pela reflexão. Nesse ponto, consideramos importante enfatizar que a reflexão é algo indispensável para o aprendizado efetivo do aluno, não só no que tange a compreensão das normas lingüísticas, mas também sobre seu próprio mundo.

Expõe que há questionamentos entre linguistas sobre o ensino da gramática, pois se de um lado consideram irrefutável qualquer preconceito lingüístico, de outro valorizam a necessidade de garantir ao aluno o acesso ao padrão lingüístico, valorizado e reconhecido pela sociedade.

            Enfatiza a importância de pesquisas voltadas para a valorização do uso lingüístico e do usuário da língua, uma vez que é na interação que se usa a linguagem e se produzem textos. Defende ainda que é na escola que cada indivíduo deve ter garantido a orientação correta para o bom uso linguístico, cabendo a ela, como espaço institucionalizado, a constante reflexão sobre a língua materna.

            É de conhecimento da esfera acadêmica que a criança reflete sobre sua própria  língua, porém ao entrar na escola lhe é apresentada uma sistematização mecânica, por meio da qual ela vai desaprendendo a língua e esta passa a ser vista como um corpo estranho e que só terá sentido se a gramática for eliminada. Afinal, que sentido teria para uma criança a simples tarefa de decorar definições?

            Precisamos pensar que a linguagem em seu propósito comunicacional transcende o limite dos conhecimentos normativos, como é o caso, por exemplo, do processo de referenciação. Tal processo vai além da estruturação sintática, pois uma instrução é dada ao leitor considerando o contexto textual ou situacional de um enunciado. Portanto, é importante considerarmos as indicações feitas por Neves (2004), quando aponta reflexões no âmbito escolar.

             A autora expõe três temas básicos para reflexão: língua, norma e padrão. A primeira está diretamente ligada à interação lingüística, ou seja, ao uso corrente da linguagem, portanto abriga um conjunto de variantes. A norma é um conceito de estatuto não apenas lingüístico, mas também sócio-político-cultural, tanto no seu sentido amplo, o da normalidade, quanto no sentido mais restrito, a normatividade.  Contudo se entendermos que nos manuais de gramáticas tradicionais está inserida a língua-padrão cabe-nos examinar como são estabelecidas as regras que se encontram nesses manuais, pois poderíamos entender que a língua-padrão seria somente aquela dos livros de literatura. Isso tudo está no campo do padrão lingüístico.

            Nesse sentido, para ser coerente na busca de um padrão lingüístico não é correto restringir as escolhas a um espaço de atuação lingüística e sociocultural, totalmente particular e peculiar. Assim, para o estabelecimento de um padrão real para descrição nas escolas, são consideradas as seguintes opções: ter como parâmetro a linguagem do aluno; toda linguagem pode estar em foco e que a linguagem que predomina seria a de  maior prestígio social. Aqui, travaremos com uma série de problemas, no primeiro caso haveria inoperância, conforme afirma a autora, no segundo, demagogia e no terceiro caso, a discriminação.

Fica estabelecido que, até pela pressão social por preservação da identidade (Rosenblatt, 1967), há um lugar para o estudo da língua-padrão na escola. Mas, na avaliação final, a única certeza é a de que temos de ir da língua ? da linguagem ? para o padrão (isto é, do uso para a norma), e não do padrão para a linguagem e para a língua, que é o que numa visão acrítica se tem feito. (NEVES, 2004, p. 22. Grifo da autora)

            Neves considera, portanto, que ? a natureza da gramática que se defende para uso escolar é, pois, a de uma gramática não desvinculada dos processos de constituição do enunciado?

            Uma questão relevante apresentada por Bechara (2002) e que incomoda os professores e estudiosos da linguagem é, afinal, ?como deve proceder o professor, já que admitimos que é correto todo fato lingüístico fixado historicamente numa comunidade??

            Nesse sentido, corroborando com o autor o problema do ensino da gramática na escola não é só de correção idiomática, mas também de ordem didático-pedagógica. Bechara discorre também sobre três dimensões que o professor deve se preocupar para desenvolver a competência lingüística em seus alunos. A primeira diz respeito ao pensar, do domínio das regras elementares do pensamento, é a dimensão que ele denomina de universal. A segunda dimensão é a da língua e a terceira a dimensão do texto, de sua construção. Todas elas devem ser levadas em conta de forma conjunta para trabalhar a gramática na escola e não trabalhar somente no domínio da língua, que é o que notoriamente se tem percebido nas escolas.

            É importante salientarmos que na história do ensino da gramática na escola, estudiosos da área da linguagem já mudaram suas concepções e orientações pedagógicas a fim de que o ensino se torne algo efetivo e significativo no e para o aluno.

            Ocorre que muitas vezes o próprio professor não tem o domínio da gramática, da norma culta, aqui entraríamos em outro problema a ser pensado. Como ensinar a pensar a gramática se o próprio professor tem suas dificuldades e o que é mais preocupante, muitos não procuram saber o que ignoram e acabam por prejudicar de forma muito significativa a aprendizagem de seus alunos.

            Outro ponto de grande relevância a ser discutido é que a língua deve ser estudada considerando a prática social, sua utilidade na interação com os outros, como indivíduos que constroem sua história por meio da linguagem.


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