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PINTURA SEM PALAVRAS ou Os paradoxos de Ingres



Segundo o autor, Ingres não foi um homem de escritos, mas de prática; nem de idéias, mas convicções, as quais se exprimiam de modo breve. Mesmo o sentido de suas palavras escapavam e de suas referências também.
Em sua obra é clara a unidade no conjunto da produção, não há diferença entre os quadros iniciais e os últimos de sua carreira, seja pela qualidade ou pelas características. Ele, desde o início, já possui os seus meios como artista, dessa forma não conhecerá fases, ou evoluções. No entanto, opondo-se a unidade de seu trabalho, existe a sua enorme diversidade de estilos.
Essa diversidade não representaria um problema se ocorressem de forma linear no tempo, contudo, Ingres não possui fases e suas referências vêem a tona a cada quadro. Há uma convivência de múltiplas referências formais na mesma tela em muitas telas.
Some-se a este paradoxo mais um outro: o da certeza e da dúvida. Ingres têm verdades bem sólidas em sua mente; tais verdades dão a sua obra uma qualidade extratemporal e estável a sua pintura, mas em contrapartida Ingres foi atormentado por essa prerrogativa de seu íntimo; pois pintava com receio e lentamente, crendo que não conseguiria fazer ou terminar o quadro que começara a fazer. Passava por crises freqüentes, retomando até quadros que já estavam envernizados.
Seu terceiro paradoxo seria o fato de Ingres ser ?O guardião do belo ideal?, ele constantemente se referia a Géricault e Delacroix como ?apóstolos feios, também considerava o romantismo francês insuportável por seu realismo. Ingres tinha uma pintura baseada na primazia da linha idealizadora.
Ingres tem parte de sua formação nos anos de 1790 . Não é insensível ao clima criado pelos Barbudos. Sua inspiração vem de um artista de nome Flaxman, da copia de vasos gregos, do Renascimento Clássico Italiano e também dos relevos de Jean Goujon, do qual ele retoma as ondulações femininas. De posse dessas referências, ele foi de criar corpos idealizados que em sua forma e sinuosidade tendem ao imaterial.
Ingres tem dois tipos de realismo. Um foi herdado do neoclassicismo de David, que recebe um tratamento de observação empírica do objeto que em sua transformação pictural recebe uma força emblemática. O segundo advém de primitivos flamengos, seria um realismo de minúcia que se preocupa com o detalhe em extremo.
Ingres como grande representante da tradição clássica, gerou um ou outro paradoxo: o primitivismo em suas obras. Isto porque primitivismo e classicismo normalmente se excluem. No entanto, em suas obras, os dois convivem paralelamente.
Originalidade e monstruosidade são duas características estranhamente agregadas a formação neoclássica de Ingres. Por uma lado seguia a prerrogativa de David obcessivamente, ao fazer estudos de anatomia isolados das partes que formariam seus quadros; mas infringia totalmente a outra prerrogativa do mestre neoclássico quando simplesmente não considerava a unidade anatômica exigida por este para um melhor resultado da composição. Ingres também desdenha da unidade da perspectiva em seus quadros.
Na pintura de Ingres não há espírito de sistema, e as deformações e justaposições nascem além do que é intencional em sua obra. Se tem a impressão de que tais fenômenos simplesmente acontecem em seus quadros; ele não possui as qualidades básicas dos maneiristas; o que o torna único em seu tempo por sua prática, pois esta não pode ser ensinada ou imitada.
Ele se dizia contrário a qualquer novidade em arte. No entanto, com todas as sua contradições e métodos nada acadêmicos em diversos aspectos, acabou por influenciar pintores como Picasso, Matisse, Seurat e Renoir. Julgava-se, em seu tempo um incompreendido e esperava que a posteridade o justificasse, mas esse fato ainda não aconteceu.
Como cometário final, pode-se dizer que a arte de Ingres é insondável pela palavra, escapa dela; suas muitas contradições o tornam uma figura de difícil análise, ao mesmo tempo que viabilizam uma notável originalidade que de outra forma talvez não existiria. E é por isso que sua arte é motivo de discussão até hoje.


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