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Aspectos formais na obra "O Casal Arnolfini"



Jan van Eyck surgiu em uma época de transição a qual a mentalidade medieval dava lugar a um novo contexto social, econômico e cultural. Pertencendo ao inicio do Renascimento, o quadro O Casal Arnolfini já apresentava características do estilo clássico que se afirmou no século XVI. Todos os conceitos de linearidade, percepção espacial através de planos, formas fechadas, pluralidade e clareza absoluta se encontram neste duplo retrato feito por Eyck, fazendo a obra pertencer ao estilo clássico.
A linearidade está bem marcada na obra estudada, todas as figuras são bem nítidas e não deixa dúvida quanto sua forma. Os moveis, o tapete, o espelho, todos os elementos estão bem delimitados. As tábuas do piso que são percebidas uma a uma. Os objetos de mesma cor não se transformam em um único elemento. O cãozinho e a perfeição das linhas de seu pêlo. Apenas a imagem refletida no espelho perde um pouco da linearidade, devido ao seu tamanho, porém todas as figuras ali representadas são bem identificadas, não deixando dúvidas em relação a sua forma.
A noção de espaço é feita através da perspectiva em planos. Com o casal e cachorro no primeiro plano e o restante do aposento no segundo. O espelho reflete mais do que é visto na cena e convida os olhos do espectador percorrer as imagens refletidas em seu interior. Nele dois planos são revelados, um terceiro que mostra o casal refletido de costas e um quarto plano com mais duas pessoas.
Equilíbrio e simetria também fazem parte do Casal Arnolfini
. Através do candelabro, do espelho, do tamanco vermelho e do cachorro há a formação de uma linha vertical, que divide o quadro em duas partes de tamanhos iguais. A linha horizontal também se encontra no espelho convexo. A grande cama que está do lado esquerdo do casal é compensada pela janela do lado direito, não deixando um lado ficar mais carregado do que o outro. Nenhum elemento pode ser retirado ou adicionado à obra, pois esta perderia sua harmonia.
A pluralidade é revelada por cada objeto. O cão, o rosário, o espelho, os frutos, qualquer um desses elementos continuarão sendo reconhecidos fora da obra, apenas os seus significados simbólicos irão perder o valor. As partes representadas são livres, porém condicionadas pelo todo que dá sentido ao quadro.
A clareza absoluta mostra todos os objetos com extrema nitidez, na sua forma mais límpida. O tecido das roupas, o metal do candelabro, o vidro reluzente do espelho, todos esses materiais e suas características estão representados com a maior atenção aos detalhes, cores e texturas. A sala é iluminada lateralmente através da janela, a e a claridade que vem desta não cria sombras expressivas. A iluminação principal vem da janela, a secundária é proveniente da vela que está no candelabro, logo, o aposento é iluminado como um todo.
A obra de arte não é apenas composta pelas paixões do artista, nela também está impregnado o ideal de uma época, a história de uma nação, os anseios daqueles que as financiam. Com O Casal Arnolfini
não é diferente, um retrato de um casal burguês que usa da arte para alcançar o reconhecimento social, fazendo desta um instrumento para atingir seus anseios. Clareza, segurança, equilíbrio, estas são as características esperadas de um próspero comerciante, assim como da arte clássica. Deste modo, não seria na imprecisão e na instabilidade da forma barroca que a burguesia iria afirmar seu gosto por coisas concretas, por realidades tangíveis, por imagens condizentes com o real. Portanto, não é por acaso que O casal Arnolfini
está em estilo clássico.


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