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Iconografia e iconologia: a arte através de seu tema.



Partindo da premissa de que a arte sempre trás consigo um sentido, Erwin Panofsky expõe em seu livro Significados das artes visuais<1>, a análise dos objetos imagéticos através de seu tema. Ao apresentar a arte por meio de seus aspectos temáticos, este teórico formula os conceitos iconografia e iconologia, orientando seu estudo a uma percepção não apenas simbólico cultural, mas também histórica. Para melhor compreensão destes conceitos, Panofsky mostra uma metodologia fundamentada em três níveis de análises, que, por sua vez, são baseadas na descrição, na identificação e na compreensão da obra de arte.
Segundo este estudioso, a análise temática deve ser iniciada através da descrição visual do objeto artístico. Esta descrição tem como finalidade identificar as formas puras, ou seja, os elementos, as cores, os formatos, assim como, as expressões e as variações psicológicas inerentes às imagens. Nomeado de pré-iconografia, este primeiro nível de observação, no qual o olhar minucioso é fundamental, é uma das bases para a boa compreensão simbólica contextual da obra de arte.
O segundo nível de análise, proposto por Panofsky, é baseado na identificação das imagens, estórias e alegorias que permeiam os costumes e as tradições de determinadas épocas e civilizações. Sendo apreendido por iconografia, este exame permite reconhecer a personificação de conceitos e símbolos em imagens. Segundo Panofsky, esta parte da análise se diferencia da primeira por causa de dois motivos: ?em primeiro lugar por ser inteligível em vez de sensível e, em segundo, por ter sido conscientemente conferido a ação prática pela qual é veiculada<2>?.
Por fim, há o terceiro nível de observação, no qual a obra de arte é compreendida como documento histórico. Conhecida como iconologia, esta análise é feita através do condicionamento da arte a época e a sociedade na qual ela foi concebida. É a interpretação de imagens através dos princípios que norteiam a escolha, a produção e a apresentação das estórias e das alegorias presentes na obra de arte.
Portanto, Panofsky expõe os objetos artísticos como documentos, que juntamente a outras fontes se tornam passíveis de análise. Fazendo da arte uma importante ferramenta para compreensão de momentos e conjunturas históricas pelo historiador.

<1> PANOFSKY, Erwin.
O sentido das artes visuais
. 2ª. ed. São Paulo: Perspectiva. 1979.

<2> Ibidem, p. 49.


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