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Infelizmente, os transtornos mentais ainda são muito pouco conhecidos e precisam de divulgação maciça na nossa sociedade. Quando a questão é criança nem se fala, pois muita gente acha que criança não deprime, nao tem ansiedade, não tem vontade de morrer, etc. O tratamento na área de psiquiatria infantil demanda uma equipe multidisciplinar. É caro e requer profissionais especializados na área. É o que acontece com o TDAH ou Transtorno de Déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de comportamento mais comumente visto em serviços especializados para crianças e adolescentes. 

Milhares de crianças, adolescentes e mesmo adultos, portadores do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, também conhecido como TDAH, e seus familiares, padecem diariamente em virtude do impacto adverso gerado pela presença do transtorno não tratado. E pior, na maior parte dos casos, tanto a família como o portador sequer ouviram falar do TDAH. E a vida dessas pessoas segue ?arrastada?, cheia de tropeços e dificuldades, ano após ano, sem que nenhuma medida seja tomada, até porque é muito comum as pessoas acreditarem que a vida é assim mesmo, ou que eles são assim mesmo, ou que o sofrimento faz parte da vida, ou que viver não é fácil. Mas o que não é nem cogitado é que toda aquela vida difícil e ruim pudesse ser a retratação de um estado de adoecimento que, quando tratado corretamente, apresenta melhora significativa com retorno evidente ao estágio anterior de funcionamento na maior parte dos casos.

           Lamentavelmente, o desconhecimento do TDAH ainda é muito grande, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Essa idéia de que as nossas crianças e os nossos adolescentes são hipermedicalizadas é uma idéia errônea acerca do TDAH e que não retrata a nossa realidade. As pesquisas mostram que só um pequeno percentual de crianças é medicado no Brasil e ainda assim, que a maior parte delas é submedicada, ou seja, tomando subdoses do medicamento específico, o metilfenidato, que é o medicamento ?padrão ouro? e de alto poder de eficácia para o tratamento do TDAH. Vale dizer que o metilfenidato é um medicamento aprovado pelo FDA e ANVISA para o tratamento do TDAH em crianças maiores de seis anos. Assim, no intuito de se saber o real grau de conhecimento do TDAH no Brasil, um grupo brasileiro de especialistas de referência em TDAH, realizou uma pesquisa em todos os estados, tanto nas capitais como em cidades do interior (Jornal Brasileiro de Psiquiatria, volume 56, suplemento 1 ? 2007; 9-13). A conclusão foi muito aquém do esperado, ou seja, todos os participantes revelaram idéias equivocadas e não respaldadas cientificamente sobre o TDAH, fato que possivelmente contribui para um maior atraso nos diagnósticos e tratamentos adequados. A pesquisa foi dividida entre a população geral, entre os educadores, entre os psicólogos e entre médicos (neurologistas e pediatras). Mais de cinqüenta por cento de todos os grupos acharam que o TDAH seria causado por problemas de educação por pais ausentes e sem limites. E mais da metade dos grupos concordaram que o TDAH poderia ser tratado só com psicoterapia ou através de esportes. Diante de tantos mal-entendidos, torna-se urgente a criação de meios de divulgação cientificamente validados para toda a sociedade de um modo geral, sobre o que é o TDAH, como ele se manifesta no dia-a-dia e como lidar com o transtorno em casa e na escola ou no trabalho.

           Hoje, já se sabe que uma educação sem regras e limites não causa TDAH, para alívio dos ?papais e das mamães? que durante tantas décadas foram culpabilizados por serem a causa do transtorno em seus filhos. O que ocorre é que, sendo o TDAH uma condição biopsicossocial, o mesmo vai depender da interação de fatores genéticos (90% predominantes) e ambientais, desde que a pessoa tenha predisposição genética para o TDAH. O que pode ocorrer em alguns casos é que se a dinâmica familiar for muito desestruturada, essa condição pode servir de ?gatilho? para o aparecimento dos sintomas de TDAH, mas nunca a sua causa.




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