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Guia de História da Arte




D A D A Í S M O

É mais correcto falar de grupos ou de um ?espírito?, ou de uma atitude comum ao fazer e ao pensar a arte, do que falar de uma corrente. O que distingue o fenómeno dadaísta é a autonomia criativa das figuras envolvidas e o seu desejo de modificar a abordagem mental do produto artístico, desde artista, observador, marchants, do mercado e da imprensa.

Os dadaístas produziam declarações provocatórias, inseridas numa estratégia de exploração do escândalo, numa perspectiva não só poética mas também propagandística.

O nascimento do movimento dadaísta embora coincida com a abertura em Zurique, em 1916, do Cabaret Voltaire, animado por Tristan Tzara e Hugo Ball, há unanimidade em considerar que as obras executadas em 1913-14 por Marcel Duchamp e as telas contemporâneas de Picabia, antecipam uma situação que viria a explicitar-se teoricamente em 1918, com a redacção do primeiro manifesto dadaísta. «Dada» não significa nada. Afirma Tristan Tzara, nesse manifesto. Dadaísmo e Duchamp identificam-se, dadísmo é Duchamp e vice-versa. Tendo partido da pintura impressionista e depois cubista, como bem ilustra Nu Descendo as Escadas n.º 2 (1911), Duchamp chega ao Dadaísmo, antecipando-lhe o nascimento oficial.

O dadaísmo tem as suas raízes em centros propulsores de uma actividade expositiva, editorial, mas também teatral e musical muito intensa. São eles:

? ZURIQUE; pátria adoptiva do exilado romeno TRISTAN TZARA (líder ?espiritual? do movimento), HANS ARP e HANS RICHTER. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Suiça é um refúgio para muitos intelectuais que tentam escapar ao conflito. Num país que se declarou neutral, a actividade criadora é muito densa e assume uma dimensão de revolta e niilismo.

? PARIS; o centro mais importante na época, ponto de convergência de artistas provenientes de todas as partes do mundo. O dadaísmo instala-se em 1919, decidido a agitar o clima do pós-guerra. A sua principal arma é a negação, e não a afirmação de um código estilístico, levando a que o movimento rapidamente se esgote.

? HANÔVER; pátria de KURT Hermann Eduard Karl Julius SCHWITTERS.

? COLÓNIA; onde MAX ERNST e HANS ARP fundam, em 1919, um grupo dadaísta particularmente activo.

? BERLIM; sede do grupo dadaísta mais directamente empenhado no campo político, ao qual adere GEORGE GROSZ. Outros dadaístas: RAOUL HAUSMANN; HANNAH HÖCH; JOHN HEARTFIELD.

? NOVA-IORQUE; onde MAN RAY obtém os seus primeiros resultados, após a passagem de MARCEL DUCHAMP e de FRANCIS PICABIA pela América.

O dadaísmo também invadiu outros domínios da actividade artística. Na música ERIK SATIE e os poetas ANDRÉ BRETON, LOUIS ARAGON, PHILIPPE SOUPAULT, JEAN COCTEAU e ROBERT DESNOS desempenharam um papel activo. Na fotografia e no cinema, artes jovens, até então consideradas menores, são finalmente exploradas como instrumentos cheios de potencialidades, em total concordância com uma poética centrada na subversão dos códigos linguísticos tradicionalmente aceites.

O dadaísmo foi para muitos artistas uma etapa fundamental para outras experiências, e acima de tudo para o SURREALISMO.

OS ELEMENTOS ESSÊNCIAS DA ACTIVIDADE DADAÍSTA são:

- A anulação da legitimidade de toda a linguagem artística tradicional;

- A reinvenção da relação entre os objectos e as palavras adequadas para os definir;

- A ?anestesia? da obra de arte;

- A ironia corrosiva em relação aos estatutos que regem o mundo (não só artístico);

- A CASUALIDADE e o INCONSCIENTE como motores primeiros da criação artística;

- A adopção de técnicas combinatórias: COLAGEM, ASSEMBLAGE, FOTOMONTAGEM. Técnicas inventadas: READY-MADE. A fotografia off camera: os rayographs de Man Ray, e os Merzbilder de Kurt Schwitters. Schwitters utilizava envelopes, latas, bilhetes de eléctrico, selos, sapatos rasgados, papel de embrulhar queijo, fitas, arames, penas, panos de limpar o chão?

Os ready-made (termo que data de 1916) de Duchamp são elevados à categoria de ?ícones da contemporaneidade?: a Roda de Bicicleta, 1913 (objecto-trouvé) e o Porta-Garrafas, 1914, adquirem título de esculturas; o urinol exposto com o título de Font,1917, a ampola contendo Ar de Paris são obras com uma intenção provocatória, deslocam o objecto do seu local e da sua função natural.

Para FRANCIS PICABIA o que importava era a destruição total, pelo menos no âmbito da arte. Mas foi pela sua luta anti-arte que ele produziu obras de arte surpreendentes. Em 1921, expõe a obra L?oeil Cacodylate, composta com as assinaturas e as frases escritas pelos seus amigos numa tela, cujo único elemento figurativo é um olho pintado. Trata-se de uma obra de Picabia, porque foi ele quem a concebeu e expôs, mas não porque tenha sido ele a executá-la materialmente. Tal como em Duchamp, o valor artístico, e mais largamente estético da obra, é conferido e determinado pelo pensamento que preside à sua constituição, e pelas diferentes reacções que ela é capaz de provocar no espectador. As colagens de Max Ernst vão-nos conduzir ao ponto de convergência entre o dadaísmo e o surrealismo.



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