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INFORMALISMO

(EUROPA)

A ARTE INFORMAL: O GESTO

O informalismo gestual substitui a representação pela expressão, confiando ao gesto de pintar a missão de comunicar as mais diversas emoções. O domínio do artista converte-se em tema privilegiado, potencialmente traduzível através dos gestos mais variados, raivosos ou calmos, de acordo com o estado de espírito do momento. Há artistas que exprimem o seu mal-estar interior, transpondo-o para cores filamentosas e pinceladas violentas como estocadas, chegando por vezes a servir-se do próprio corpo como instrumento para gravar formas na tela. Em contrapartida, há outros que adoptam uma atitude mais reflexiva, concentrando-se totalmente na tela sem nunca cederem à necessidade de comunicação: nas suas composições de ritmo mais lento, a cor espalha-se suavemente ou concentra-se em pequenos sinais que se repetem, acabando por formar uma espécie de partitura silenciosa. A diferença é, por conseguinte, determinada pela rapidez de execução: a aceleração impõe uma pintura menos controlada e uma composição mais incerta, ao passo que a desaceleração permite dar maior atenção a cada fase do trabalho.

A partir de 1950, a relação entre a Europa e os EUA parece inverter-se, dado que os artistas americanos começam a influenciar a pintura francesa, italiana, espanhola, alemã e belga. JEAN FAUTRIER é um dos mestres da pintura informal.

Fautrier pintou as atrocidades que assistiu durante a II Guerra. Os seus quadros parecem representar os muros salpicados com o sangue dos fuzilamentos. O artista aplica camadas sucessivas de têmpera misturada com cola, para tornar a pasta mais grumosa e como que dotada de uma espessura táctil, a série Otages mostra cabeças de prisioneiros de guerra privadas de traços individualizantes, mas como que materializadas pela consistência da cor, que torna a pintura quase escultórica, tridimensional.

O catalão Antoni TÀPIES, também procura obter efeitos semelhantes, misturando pedra moída na tinta para a tornar granulosa e evocar o aspecto de uma parede rugosa. Tàpies representou Espanha, além fronteiras, tendo sido um pintor de oposição ao regime.

Na Europa, a tendência gestual revela um carácter mais moderado e reflexivo do que o da action-painting americana. O crítico francês Michel Tapié inventa o termo art informel, eliminando o realce dado pelos americanos ao conceito de action e destacando o efeito dessa mesma acção: a abolição da forma.

WOLS e Hans HARTUNG, residentes em Paris desde os anos 30 são os principais representantes deste movimento. Wols adere ao expressionismo abstracto após o trauma da reclusão num campo de concentração. A ?escrita? ampla de Hartung reclama-se de tradição oriental da caligrafia, que, tendo sido descoberta neste período, exercerá uma influência notável sobre as experiências da vanguarda europeia e de que encontramos vestígios em artistas como Pierre SOULAGES e G. Mathieu. O tachismo é a principal interpretação da arte informal em França. Pintura de ?manchas? de cor ? taches -, mais ainda do que pintura de gesto ou de matéria, implica que o impulso criativo desenfreado se converta numa negação da forma associada à impossibilidade de um controlo racional da mente.

Em Itália, o gestualismo obtém resultados significativos com Emilio VEDOVA, que pressupõe uma ideia de envolvimento psíquico muito próxima, em certos aspectos, da dos americanos. Em Imagem do Tempo (Barragem) de 1951, Vedova baseia-se em linhas geométricas, em perspectivas e em transparências que não encontramos nos americanos.

A tendência gestual também é aplicada no domínio de uma representação pictórica que não desdenha a imagem figurativa: nos quadros do irlandês Francis BACON, intérprete de um estilo que serve de medianeiro entre o expressionismo e a pop art.

Os representantes daquilo a que se poderá chamar ?componente herética? da pintura informal são os artistas que, partindo de bases sempre diferentes, abrem caminho às pesquisas dos anos 60: Fontana, Burri,? O italiano Lucio FONTANA introduz o conceito de espacialismo na tela e que na obra Conceito Espacial de 1959, faz incisões na tela recorrendo a um x-acto, ou que noutra obra de 1960, com o mesmo nome, a perfura com uma chave de parafusos. O que une estes artistas é a necessidade de uma transposição da obra de arte para fora do espaço da realidade, ou a recusa do quadro como local fechado e independente. Alberto BURRI, por exemplo, experimenta novos materiais, heterogéneos entre si e estranhos à bagagem técnica artista: os metais, os plásticos, as madeiras, os sacos, os lençóis usados, sujos, deteriorados, queimados, remendados e cosidos de novo com cordas, que se dispõem dentro da moldura.

Escultura

Entre os raros exemplos de escultores informalistas, pode citar-se Leonardo LEONCILLO, que influenciou o escultor leiriense Charters de Almeida. Com obras de cerâmica e terracota, Leoncillo revela uma adesão incondicional ao sentido misterioso da matéria bruta. Noutras obras, o escultor retoma temas clássicos da iconografia religiosa, mas transpõe-nos para a revelação carnal e directa de uma mera presença física, atingindo muitas vezes níveis de intensidade dramática comparáveis aos da pintura de Soutine.

Em Portugal encontramos Júlio Pomar, Artur Bual, Costa Pinheiro, João Vieira, René Bertholo, Júlio Resende, Menez ou a madeirense Lourdes Castro.



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