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Sempre, incrivelmente, eternamente Pagu



Sempre, incrivelmente, eternamente Pagu

Considerada a militante do ideal, Patrícia Redher Galvão, a Pagu, ainda  causa espanto pela riqueza de sua biografia e pelo teor explosivo de sua obra literária.

Ela nasceu em São João da Boa Vista, em 14 de junho de 1910. E, ao contrário do que reza a lenda, não participou da Semana de Arte Moderna, em 1922. A menina, aos 12 anos, ainda não sabia que sete anos depois, seria a Musa e incentivadora dos modernistas.

Mas que ela era precoce, ninguém duvida. Aos 15 anos, ela já atuava como cartunista, em um jornal do Brás, em São Paulo. Estreou como colaboradora, sob o pseudônimo de Patsy, um dos muitos que adotaria em toda sua vida. Ainda Patrícia, ela já era um anjo rebelde, revolucionário e visionário.

Em 1928, é que foi transformada em musa pelo lirismo dos versos de Raul Bopp. E ela começa a assumir seu papel. Patrícia vira Pagu .

A partir de 1930, quando passa a viver com Oswald de Andrade, Pagu assume de vez a condição de ativista política. No ano seguinte, ao lado do companheiro, engaja-se na luta revolucionária, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro, curiosa e coincidentemente fundado no mesmo ano da Semana de Arte Moderna. No jornal panfletário O Homem do Povo, editado por ambos, Pagu assina a coluna feminista A Mulher do Povo, através da qual critica duramente o comportamento das elites dirigentes e cobra um comportamento menos hipócrita e submisso por parte das mulheres.

Pagu, sempre foi uma mulher à frente de seu tempo.

Na revista Antropofágica, editada por Oswald e Tarsila, em 1929, biógrafos dão conta que os textos mais polêmicos e duros seriam de sua autoria.

Durante a greve dos estivadores, em Santos, foi presa. Pagu transforma-se na primeira mulher a ser presa por participar da luta revolucionária.

Em 1933, publica Parque Industrial, o primeiro romance proletário brasileiro, mostrando a necessidade de levar às mulheres dos operários uma consciência de classe. Por exigência do PCB, assina Mara Lobo, mas na edição norte-americana, publicada em 1993, a obra traz seu verdadeiro nome. Sem desistir da luta e de seus ideais e decepcionada com os comunistas brasileiros, Pagu começou a viajar pelo mundo como correspondente dos jornais "Correio da Manhã", "Diário de Notícias" e "A Noite?.

Na sua "volta ao mundo", Pagu foi ao Japão, Estados Unidos, Polônia, China, França e Rússia. E suas viagens renderam frutos, pois acabou sendo a primeira repórter latino-americana a presenciar a coroação do Imperador de Manchúria (China). Consta que, através deste evento, ela obteve as primeiras sementes de soja para serem plantadas no Brasil.

Em Paris estuda na Sorbonne, mas é presa em função da militância política.

TORTURA

Repatriada ao Brasil fica na cadeia de 35 a 40, sofrendo torturas, bem como perseguições dos próprios companheiros de partido. Sua postura anárquica choca-se de frente como a rígida disciplina partidária do PCB, já sob uma orientação stalinista. Durante sua permanência na Casa de Detenção começa a ligação afetiva com o jornalista Geraldo Ferraz, que também participara do Movimento Antropofágico. Quando foi solta, estava impressionantemente magra, com o seu físico e emocional em pedaços. Apesar de tudo, Pagu não se entregou, e lúcida, decide se divorciar de vez do Partido Comunista. Com Geraldo Ferraz, companheiro de toda a vida, Pagu tem um filho: o jornalista Geraldo Galvão Ferraz.

No ano de 1945, publica seu segundo romance, A Famosa Revista, no qual denuncia os males de um partido (PCB) monolítico. De 46 a 48, passa a escrever no suplemento literário de O Diário de São Paulo. Ao mesmo tempo em que lança o histórico manifesto Verdade e Liberdade, concorre a uma cadeira à Assembléia Legislativa de São Paulo, pelo Partido Socialista Brasileiro, em 1950. Não consegue se eleger.

Em 1953, passa a escrever em A Tribuna, de Santos, críticas literárias, teatrais e até mesmo notas sobre televisão, que ela assinava Gim.

A partir daí nasce o interesse pelo teatro. Freqüenta a Escola de Arte Dramática e tem uma ligação grande com Alfredo Mesquita e Paschoal Carlos Magno. O ano de 59 é marcado pela estréia da peça Fando e Lis, considerada a estréia mundial de Arrabal, sob sua direção e de Paulo Lara. No ano seguinte, dirige A Filha de Rapaccini, de Octavio Paz. Em 12 de dezembro de 1962, às 16 horas, em sua casa, na Avenida Washington Luiz, 64,  em Santos, morre, vítima de câncer.

SÍMBOLO DE SÃO PAULO

A vida de Pagu, não foi um ?mar de rosas?, mas foi emblemática, intensa, como a cidade que a acolheu. Rita Lee, que Caetano imortalizou como a ?mais completa tradução de São Paulo?, não por acaso, gravou a música ?Pagu?, em 2003. Em um trecho, a letra afirma: ?Mexo, remexo na inquisição/ Só quem já morreu na fogueira/ Sabe o que é ser carvão... ?. Dois símbolos paulistas, no palco da vida.



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