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O Impacto de Estaline e do Estalinismo em Portugal



Durante décadas, Estaline foi olhado, considerado e venerado por milhões de pessoas em todo o mundo e também em Portugal, em especial no seio do Partido Comunista Português, dos seus militantes e simpatizantes. Gerou-se um verdadeiro culto que sofreu um golpe profundo com o XX Congresso do PCUS. O relatório secreto de Krutchev veio revelar aspectos desconhecidos da acção do velho líder, suspeitados por uns, ocultados por outros, mas ignorados, sem dúvida, pela grande maioria dos comunistas. A destalinização iniciada na União Soviética, alastrou aos partidos comunistas de todos os continentes, destruindo o mito que levou décadas a construir. Também em Portugal se fizeram sentir os ventos da destalinização, tendo o V Congresso do PCP (1957) consagrado internamente o que vinha a ser praticado lá fora.

Os comunistas portugueses renunciaram à herança de Estaline, pelo menos publica e oficialmente. Conheci muitos velhos militantes ? e outros menos velhos ? que continuavam a ter uma indisfarçável admiração, se não pela totalidade da sua acção ? em boa verdade, algumas práticas seriam difíceis de justificar... ? pelo menos pelo papel que desempenhou como dirigente da União Soviética durante a II Guerra Mundial, com o contributo decisivo na derrota da Alemanha hitleriana. Recordo a forma como falavam com entusiasmo do «Zé dos Bigodes» e da enorme admiração que muitos nutriam por ele nesses conturbados tempos em que se jogava a sorte da Europa e do mundo.

Qual foi a influência de Estaline e do Estalinismo em Portugal? Direi que, no fundamental, foi semelhante ao quer ocorreu noutros países europeus, com a ressalva de Portugal ter conhecido um regime autoritário que cerceava as liberdades, impedia o debate político, impedia a divulgação de ideias contrárias ao corporativismo vigente e reprimia, através da polícia política e de outros mecanismos, quem se opunha aos seus desígnios.

Como é evidente, Estaline foi uma referência permanente no Partido Comunista Português ? como sucedeu com os outros partidos comunistas de todo o mundo ?, apontado como exemplo a seguir, como o herdeiro e continuador de Lenine, o homem que transformou um país atrasado e medieval numa grande potência, exemplo para os trabalhadores de todo o mundo. Por outro lado, salientava-se o seu papel durante a II Guerra Mundial, e o contributo pesadíssimo da União Soviética para a derrota das potências do Eixo.

Nesta minha intervenção, abordarei alguns momentos concretos dessa projecção e influência:

 - Estaline e os intelectuais comunistas vinculados ao Neo-Realismo

 - Reflexos em Portugal do Culto da Personalidade

 - O renascimento do Estalinismo e do culto de Estaline depois de 1\974

Estaline e os Neo-Realistas

Os militantes comunistas portugueses desenvolviam uma persistente acção no plano cultural, não obstante as grandes limitações impostas pelo Estado Novo. Nesse contexto, merece destaque o labor dos neo-realistas, tanto no campo do livro ? recordemos que Gaibéus saiu a lume em 1939 ? como nas páginas de alguns jornais e revistas literárias. O Neo-realismo, como se sabe, foi um movimento literário e artístico que surgiu em Portugal em meados da década de trinta do século XX, traduzindo um empenho crítico de raiz marxista que punha em causa a sociedade burguesa, denunciando misérias, opressões e injustiças. Tratava-se, de facto, de um eufemismo para designar entre nós o «Realismo Socialista», conforme às directrizes enunciadas por Máximo Gorky e Andrei Jdanov em 1934, as quais tiveram uma assinalável audiência fora das fronteiras da União Soviética, em especial junto dos intelectuais afectos ao movimento comunista internacional. Proclamando uma concepção empenhada do fenómeno artístico e literário, numa atitude sociocultural que muitos dos seus cultores levarem às últimas consequências, o Neo-realismo estruturou-se em torno de publicações periódicas como Gleba, Síntese, e, muito em especial, Sol Nascente, O Diabo e Vértice. Inicialmente, o esforço concentrou-se na crítica e na teorização, que se afigurou difícil dadas as condições objectivas que Portugal vivia. Face à censura e à repressão, impunha-se o recurso a expedientes vários e à utilização de eufemismos que camuflassem propósitos e intenções. Um tal José Vasco Salinas, que subscreveu um artigo nos números 6 e 7 de Síntese, seria nada mais nada menos que José Staline; em Sol Nascente de 18 de Agosto de 1939, citava-se «um texto clássico de Karl Friedrich, o grande pensador do século passado». Expressões como «um grande filósofo do século XIX» e «o autor da Crítica da Filosofia Política» substituíam alusões expressas a Marx, o mesmo sucedendo a Lenine, citado com o mais discreto nome próprio de Vladimir Ilich Ulianov. Mas, apesar  das limitações impostas, a imprensa neo-realista não deixava de seguir o movimento das ideias fora das fronteiras lusas, recebendo influências decisivas de Plekhanov ? em especial do livro A Arte e a Vida Social-, de Georges Friedmann ? A Crise do Progresso ?, de Henri Lefèbvre e Norbert Gutermann  e da sua obra A Consciência mistificada. 



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