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Xenofobia



XENOFOBIA

    O termo significa: aversão às pessoas e coisas estrangeiras. Deveria sim haver um consenso como na França, onde apenas se adota um estrangeirismo ou se importa algo quando não há um similar no país. No nosso caso é difícil. É fato que quando uma cultura domina a outra, a primeira coisa a ser absorvida pelo dominado é a linguagem e a segunda a cultura. Portanto, ninguém fala que ?vai ao espetáculo? e sim ?ao show? e ninguém clica ?no rato? e sim no ?mouse?. Os portugueses dizem que para se comunicar no Brasil não basta saber português, há que se saber um pouco de inglês. 

    No que se refere à música, os mais radicais têm verdadeiro asco a tudo o que vem do estrangeiro. Já ouvi alguém dizer que acha Elvis Presley um grande cantor, mas como não entende o que ele diz, não presta. Tolo preconceito. Essa mentalidade parece querer levantar uma bandeira contra a invasão da música estrangeira. Esse verdadeiro caldeirão fervente de culturas que se misturam faz a nossa música ser a mais criativa do mundo. Falta apenas, aos brasileiros, reconhecer o que o mundo todo já sabe. 

    Há alguns anos, fui jurado em um Festival de Música Sertaneja na minha cidade. Após a apresentação de uma ótima dupla, um jurado deu zero aos rapazes alegando que ?teclado eletrônico, guitarra e bateria não são instrumentos de música sertaneja?. Um dos dirigentes do evento perguntou-lhe quais eram os instrumentos apropriados ao estilo. E o jurado enfezado lhe respondeu: ?sanfona, viola, violão, cavaquinho,...? Um total desconhecimento sobre o assunto porque a sanfona é italiana, o violão é espanhol, a viola e o cavaquinho são portugueses e os instrumentos de percussão, na sua maioria, vieram da África. Se partirmos para esse lado, os sertanejos deveriam cantar apenas acompanhados pelo reco-reco que talvez, seja o único instrumento indígena usado na nossa country music (ou seria folk music?). A indumentária do setanejo então não admitiria chapéu, bota ou cinto com fivelões. Teríamos que usar cocar, tanga e pintar o rosto. Ritmos como valseado, polca, fandango, vanerão e tantos outros usados na música caipira, deveriam ser esquecidos por terem vindo da europa e permitiríamos apenas os ritmos indígenas tais como, catira, cateretê, cururu, etc.

    As belas canções são feitas de ritmo, melodia, harmonia e letra e por causa de um tolo preconceito contra a língua que veicula a poesia, os xenófobos perdem mais uma chance de ouvir uma boa música. Gostam, muitas vezes, mas não admitem. A patrulha ideológica acabou com o fim da ditadura e onde não há liberdade não há criação, tanto nos regimes de esquerda como nos de direita. Xenofobia está mais para a sandice do que propriamente para o nacionalismo radical e quem realmente perde com essa prática é nossa arte cultuada em todo o mundo.


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