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História DO BALÉ



Qualquer pessoa que se considere bem informada pôde, algum dia, ter visto a um trecho de balé. De origem européia, o balé agrada o gosto de grande parte do povo brasileiro.

Zucolotto que argumenta que a dança segue praticamente por duas vias. A dança espiritual e a litúrgica. A dança espiritual tem caráter próprio, pois é geralmente produzida na forma de culto de participação coletiva. Por outro lado, as danças litúrgicas tem o foco no culto de relação, como a dança indiana, a dança moderna, a contemporânea e o balé, onde existe a relação entre bailarinos e platéia. Porém, muito antes da dança apresentar-se no formato conhecido como palco & platéia, a dança, na Idade Média, geralmente manifestava-se na rua. Atores e dançarinos faziam seus espetáculos nas feiras, nos limites dos castelos. Ao longo da Idade Média, a dança não tinha caráter profissional sendo vista apenas como atividade recreativa, embora muitos artistas que se apresentavam em feiras e praças tinham-na como meio de vida.

As danças populares foram combatidas pela Igreja pelo seu conteúdo pagão.

Dessa forma, o teatro e a dança ficaram marginalizados.Os representantes destas artes, embora apreciados pelo povo e também pelos nobres, eram condenados pela Igreja.Manifestações de espontaneidade individual ou coletiva não combinavam com os cânones eclesiásticos. Tais condenações às manifestações do corpo, chegaram a ser tão duras que o próprio Tomás de Aquino (Século XIII) chegou a interceder pelos dançarinos populares.

Contudo, é na Idade Moderna, que abriga o movimento Renascentista, onde a dança

toma corpo. O Renascimento foi um período de alteração na visão ou concepção de mundo, uma

visão do futuro. A próspera classe burguesa apreciava a dança em espetáculos e festas executadas em salões.A dança então dividiu-se em: danças populares, danças da corte ouballetos. Esta origem aristocrática dos balletos marcou-a como uma arte das elites apresentando elementos típicos da burguesia, tais como roupas pomposas, ornamentos de cabeça e calçados em pés que dançavam utilizando saltitos e andar calculados. Durante anos, a dança dos nobres executadas aos pares, ou por jovens meninas em espetáculos exóticos, atinge o auge de sua popularidade através do rei Luiz XIV, rei com 5 anos de idade, amava a dança, parando de dançar apenas na velhice. Tornou-se um grande bailarino e com 12 anos dançou, pela primeira vez, no bale da corte. A partir daí tomou parte em vários outros ballets aparecendo como um deus ou alguma outra figura poderosa. Seu título "REI SOL", vem do triunfante espetáculo de balé, que durou mais de 12 horas.A dança tinha também um significado filosófico durante a Renascença.

Por iniciativa do próprio rei, em 1661 foi fundada, a Academia Real de Ballet. Oito anos mais tarde, transformara-se em Escola Nacional de Ballet, hoje a atual Balé da Opera de Paris. Na academia fundada pelo rei Sol, os bailarinos trabalhavam o corpo utilizando o fundamento do en-dehors

(ponta dos pés voltados para fora).A Academia Real de Música e Dança, a partir de 1669, passou

a produzir discípulos que formaram os primeiros corpos de baile profissionais.

A dança deixara de ser passatempo da corte. Da Academia Real de Ballet surge, em 1713, o Ópera de Paris que abre as portas para súditos pobres. Meninos e meninas entre 9 e 13 anos, recebiam gratuitamente a profissão. Surgira a primeira oportunidade de formação profissional oficial para o sexo feminino na Paris do Século XVIII.Nessa altura, o balé torna-se conhecido por toda a elite européia. Graças ao entusiástico patrocínio da Czarina Cataria, a Grande (1729-1796), enciumada com

as atividades culturais promovidas pela sofisticada corte de Viena, São Petersburgo torna-se também uma capital cultural. Mestres de balé estrangeiros foram convidados para apresentar seus trabalhos

à nobreza russa. Já no período Contemporâneo, em 1860 inaugura-se o principal teatro de bale de

São Petersburgo. Batizado com o nome de Mariinsky em 1917, o nome foi trocado para Teatro

Acadêmico de Estado para Opera e Ballet. Em 1935 adota o nome de Kirov.

A escola russa de dança fora precocemente fora celeiro de grandes nomes do balé, tais como, Vaslav Nijinsky (1889-1950) e Anna Pavlova (1881 - 1931). No ano de 1910, Anna funda a sua própria companhia com oito bailarinos de São Petersburgo. Mais tarde, a companhia de Anna Pavlova recebeu a jovem bailarina russa Maria Olenewa (1896-1965). A Cia. de Anna Pavlova, chega a América do Sul em

1921. Olenewa decide ficar na Argentina lecionando no Teatro Cólon em Buenos Aires de

1922 a 1924, aportando no Brasil em 1927. No mesmo ano, abre sua escola que, mais tarde,

seria oficializada como escola de dança do Teatro municipal do Rio de Janeiro.

Olenewa muda-se para São Paulo onde leciona em sua própria escola e no Teatro Municipal nos anos de 1948 a 1949. Foi a grande difusora da metodologia russa pelo Brasil.



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