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Tamara de Lempicka - análise da obra



Para se poder entender a importância de Tamara e o seu contributo para a sua época, devemos enquadrar a sua obra no contexto histórico: entre 1905 e 1960, a Europa e o Mundo viviam um tempo de excessos, de rivalidades, de guerras e carnificinas que desencadearam consequentemente rupturas e horrores, como a Primeira e a Segunda Guerra

Mundial; a preparação e a consolidação do nazismo na Alemanha; a tomada do poder por Mussolini, entre muitos outros conflitos observados por toda a Europa e até noutros continentes. Todos estes factores oprimiram a população, e destruíram a liberdade de cada um, amordaçando a imprensa e a arte.

O período entre guerras está fortemente marcado pelas vanguardas, porém não nos devemos esquecer que foi também uma época marcada em massa pelos nacionalismos e que a arte estava ao serviço dos governos da altura. O realismo incutido na época, era uma forma de combater contra as vanguardas, sendo o estilo empregado pelos senhores da força, e Tamara de Lempicka encontra-se do lado deles, sendo como que uma mensageira para tranquilizar o público ao qual se dirigia, através dos seus quadros a extravasar de luxo, opulência e uma vida cheia de sucesso, conseguindo ajustar-se na perfeição, a um mundo que valorizava o nu clássico, o nu bem proporcionado atleticamente e musculado, designado para impor a beleza que todos deveriam imitar.

A pintura e os temas de Tamara de Lempicka combinam na perfeição com o seu estilo de vida cheio de ?glamour? e com o esplendoroso círculo social onde se inseria. Reunia em si tudo o que simbolizava a época em que viveu: artista incondicional da Art Déco, com influências cubistas e neo-realistas, representava o luxo, serenando o público a quem se dirigia e que temia as vanguardas, por isso mesmo, Tamara de Lempicka foi uma das mais bem sucedidas artistas comerciais em França.

O corpo feminino ocupa no trabalho de Lempicka uma posição central e de destaque, sejam os corpos nus ou semi-nus. Tamara de Lempicka tem como principais influencias a Art Déco, o cubismo e o pintor Ingres cujo trabalho serviu de inspiração para grande parte das suas telas.

 Começando pela Art Déco, que corresponde a um movimento artístico do entre guerras e de um período complexo e sofredor de convulsões nos domínios não só artísticos mas também sociais e tecnológicos, nasce como reacção à Arte Nova e tem as suas influências em movimentos vanguardistas como o cubismo e o futurismo.

As influências do movimento Art Déco em Tamara de Lempicka são claramente óbvias. A artista, emigra para Paris no borbulhar do movimento e o seu espírito, ou antes, o seu estilo de vida vão precisamente de encontro aos princípios da Art Déco: o fascínio pela ostentação, pelo luxo; a emancipação da mulher, representada agora como um símbolo independente, a femme fatal, que pode fumar em público e sair para uma noite de jazz ou teatro; a máquina. Este último tópico, é bastante interessante do ponto de vista da mulher, isto porque está também relacionado com a obra de Lempicka, não fosse o ?Auto-retrato de Tamara no Bugatti Verde? a obra mais emblemática da artista onde se retrata como uma diva hollywoodesca ? um hino à mulher moderna. Lempicka insere nos seus quadros esses elementos da Art Déco: na decoração da composição da figura plana que caracteriza o seu trabalho, com as suas formas rebuscadas, linhas ornamentais e uma plasticidade acentuada; toda a superfície é atravessada por linhas e sombras desenhadas por uma exactidão realista.

Assim como Lempicka, também outros pintores do movimento Art Déco encontraram em Ingres, a forma ideal do corpo humano. Não é raro encontrar-mos semelhanças entre as obras destes dois pintores, já que Lempicka se serve repetidamente dos seus grupos de mulheres nuas com os longuíssimos dorsos e braços.

É necessário também referir André Lhote como uma das grandes influencias para Lempicka, pois foi através dele que a artista adquiriu as suas características mais particulares. Tamara serve-se ao longo da sua obra, da ?metáfora plástica?, metáfora essa que, segundo Lhote, permitia que o mundo da natureza fosse captado dentro dos limites de uma simples pintura, ao mesmo tempo que as formas dos objectos, incluindo as do corpo humano, se mantinham intactas, afirmando-se todas elas num plano.

Entre os vários artistas das vanguardas, Picasso foi o que teve em Lempicka a maior influência, com o seu quadro Demoiselles d?Avignon, através do seu estudo do primitivismo. No caso de Picasso, o desenvolvimento deste revolucionário vocabulário cubista, tornou-se desde cedo no desaparecimento da fisionomia a que todos estavam habituados. Lempicka adquiriu para as suas obras, os detalhes relativos as máscaras africanas. Não se tratam de rostos tão marcados pelas máscaras como no quadro de Picasso, mas mesmo assim existem pontos de ligação entre os dois.

O cinema trouxe exactamente aquilo que Tamara procurava pintar: a emancipação da mulher. Tamara de Lempicka é, claro está, uma mestre da teatralidade. O seu mestre a este respeito foi, como não poderia deixar de ser, o cinema, nascido nesta época de mudanças profundas, quer a nível estético, quer a nível técnico. Ela retirou das estrelas em voga nessa época, como Greta Garbo, Pola Negri e Lya de Putti, os seus visuais e os seus comportamentos de mulheres independentes que davam às suas protagonistas, e que por sua vez Tamara colocava nas suas obras.


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