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Domínios da História: História das Mulheres



< strong>Fazer historia de gênero

Em 1991, a coleção História das Mulheres no Ocidente, sob a direção de G. Duby e M. Perrot, busca incorporar muitas das inovações apresentadas, mas segue a periodização habitual da historia ocidental, sendo assim, criticam a prática, mas a afirmam como a única possível.

O que se questiona é a pertinência conceitual dos acontecimentos decisivos da historia das mulheres e das relações entre os sexos aos marcos da historia tradicional (Renascimento, Reforma, Guerras Mundiais, etc). Silva Dias acha que não há uma correspondência, considera insensatas as obras de historia universal que adotam o modelo de historia evolutiva, linear, que implica na incorporação de categorias de dominação que a critica feminista pretende neutralizar e a historiografia contemporânea abandonar.

O que se propõe é o tratamento das mulheres sob uma perspectiva micro-histórica. Para o desenvolvimento da historia das mulheres articulado às inovações na historiografia, destaque é dado para as pesquisas em sua diversidade temática, onde as mulheres não são mais focalizadas em relação a trabalho, política, educação, direitos civis, mas sua atuação é analisada em relação a campos e eventos como família, maternidade, gestos, sentimentos, sexualidade e corpo, etc.

Principais contribuições historiográficas relativas a algumas dessas temáticas

A. Ação e luta das mulheres

Sobressaem duas vertentes de estudos, uma preocupada com os movimentos organizados com vistas a conquistas de direitos civis (movimento feminista) e outra preocupada com as manifestações informais que se expressam em diferentes formas de intervenção e atuação.

Nas abordagens iniciais relativas às mulheres (biográficas), sob a perspectiva positivista (?mulheres notáveis?), o enfoque é dado àquelas mulheres excepcionais que se destacaram no campo da política, cultura e religião. O método utilizado pelas feministas do século XIX em seus artigos para revistas e dicionários. Escreviam sobre modelos femininos alternativos a imagem do tradicional feminino passivo, fútil e sem maiores iniciativas.

Louise Otto, alemã, publica em 1869 ?Mulheres influentes do povo?, onde tece uma critica aos critérios de seleção dos biógrafos masculinos de seus sujeitos femininos, escolhidos não por suas ações, mas por seus laços, de nascimento ou beleza, que os ligam aos grandes homens. A autora dispõe-se a apresentar mulheres que não tiveram necessidade de atributos para se destacarem, apesar das circunstancias desfavoráveis que excluíam o sexo feminino das atividades publicas.

Eleni Varikas assinala a função dessas biografias de ?provar a capacidade feminina, idêntica a masculina, de fazer história, de construir a civilização (cultura feminina), porém isto implica em um questionamento dessa forma de fazer história: seria uma reprodução da definição épica da história, ainda que se constitua como oposição aos ?feitos dos grandes homens?? Por outro lado, aponta aspectos positivos nessas iniciativas, ligadas a tentativa de subversão subterrânea dos modelos recebidos, a busca de outros valores a serem usados como armas na defesa do gênero contra as tradições misóginas (aversão a mulheres e ao casamento).

Em biografias desse tipo, busca-se a compreensão do condicionamento social e sexual das mulheres focalizadas, a interação entre sua vida pública e privada. Um exemplo são as biografias de Mary Wollstonecraft que redigiu a primeira denúncia sistemática das condições de subordinação feminina.

B. Obras que creditam especial atenção ao momento da Revolução Francesa

Da visão de ?mulheres despojadas da cidadania por uma ordem que ajudaram a fundar?, que sugere a possibilidade de brechas no sistema de poder, na medida em mantidas latentes as reivindicações das mulheres, manifestam-se em outros momentos críticos.

Com referencia aos movimentos feministas da virada do século, ressalte-se o seu moralismo, a diversidade de correntes, suas aspirações a igualdade no usufruto do direito de voto e veto. Gisela Bock, sobre os movimentos de mulheres, analisa seu papel no estabelecimento dos Estados-providencia, welfare states. Alem de reivindicações de direitos políticos, sociais, de proteção social a mães e a maternidade, outra preocupação recai sobre as necessidades e os interesses das classes inferiores e sobre a pobreza feminina: a reivindicação do direito das mães a uma renda, opondo-se a coexistência maternidade-emprego, ao menos durante a gravidez e 1ª. Infância.

As feministas da década de 1960 não retomaram essa bandeira que se revelou enganosa. Hoje, a libertação, a justiça, a igualdade são pensadas mais em termos de uma ação positiva no domínio profissional e da divisão das tarefas domesticas, do que em reconhecimento publico da maternidade como função social.


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