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Unforgiven_ homenagem de Clint Eastwood aos Westerns...



Em sentido amplo, quando um critico se pronuncia sobre algum assunto, tem por finalidade apresentar a sua opinião mais honesta. Um bom crítico procura ser objectivo mas ao mesmo tempo criativo, pois se a sua linguagem quer falada, quer escrita, não for aprazível, o público perderá o interesse no respectivo objecto de critica. O crítico tem de ter em vista que será a partir de sua opinião que as pessoas irão tirar as suas primeiras ilações e daí formar as primeiras conclusões sobre o objecto de critica.
A estrutura básica dos Westerns consiste: homens = violência / mulheres = paz. ?Unforgiven?, das mais variadas maneiras, claramente se afasta da linha geral de outros Westerns. Neste filme a falecida mulher de Will Munny, Claudia que abominava por completo a violência, representa a paz e a mudança na sua vida, contrapõe-se com o desejo de vingança por parte das prostitutas de Big Whisky, que oferecem 1000$00 a quem assassinar os vaqueiros que desfiguraram Delilah. As prostitutas vêem a ser as provocadoras e causadoras da tremenda vaga de violência que se desenrolou ao longo do filme.

Clint Eastwood, como a última grande estrela dos Westerns, frequentemente exagera a imagem de herói invencível e em particular com a sua imagem de homem frio, distante e misterioso. O mítico ?Man With No Name?, que surge sempre na altura oportuna, quando a sua presença é mais necessária, para vingar as acções perpetradas. No entanto o perfil da personagem interpretada por Clint em Unforgiven, de certo modo não se encaixa no modelo comum de Clint ?Man With No Name? Eastwood.

Em ?Deconstructing Gender Roles in Unforgiven?, William Beard, citado por Roger F. Cook da University of Missouri, sugere que Unforgiven poderá melhor ser descrito como um Western peculiar, de florescimento tardio, que abrange a claridade moral de um género que foi posto em dúvida. Este é um Western desconstrutivo, não é o Western convencional de Hollywood.
Ao contrário de outros Westerns, Unforgiven procura mostrar para além do mito. Vemos o herói Will Munny no princípio do filme, a cuidar de porcos. Lutando arduamente pela sua existência e a de sua família. Esta cena tem por pretensão demonstrar que não há nada de glorioso acerca deste homem ou de sua vida, mostra-o numa forma decadente de existência. Mas quando Schofield Kid surge em cena, apresentando a recompensa oferecida pelas prostitutas, Unforgiven, recai nos parâmetros habituais de um Western, mas ao contrário de um Western convencional, o herói não é motivado por um código pessoal de honra, nem está a liderar uma causa contra os poderosos e corruptos, mas sim porque Munny está desesperadamente a necessitar de dinheiro. Sejam os factos quais forem, eles não são certamente suportados pelo mito convencional do Oeste.
Unforgiven, usa o seu género cinematográfico como forma de expor injustiças patentes numa sociedade injusta, como por exemplo e embora nada no filme sugira que a razão por trás do modo brutal como Little Bill lidou com Ned Logan se deva ao facto dele ser negro, tendo em conta a história dos negros nos EUA, essa não é uma hipótese que se deva descartar.
À segunda fase da sua tese, Roger F. Cook, da University of Missouri, dá como titulo, ?Murder, Myth, and the Conflicted Hero of U nforgiven?, onde apresenta as seguintes considerações:
Quer Alice, Will ou The Kid, todos confirmam a pouco sofisticada lei com que as pessoas eram condenadas no Oeste, com a mesma frase: ?He had it coming?.
Sendo que em Unforgiven a lei verbal legitima a contratação de assassinos, nos termos do Oeste, como sociedade, este filme também desconstrói a representação da violência nos Westerns. Apercebemo-nos do peso da consciência em Ned, Will e em The Kid sempre que matam alguém. Ganhamos consciência desse factor quer através de seus actos, gestos, expressões e mesmo frases, ?It?s a hell of a thing killing a man. You take away all he?s got and all he?s ever gonna have.? ?We all have it coming kid?, esta verdade inegável relembra-nos que a decisão para matar alguém envolve sempre um certo grau de moral relativa.
Com um certo teor de autocrítica, Unforgiven expõe o Western como um género que distorce os factos em prol do mito.
Little Bill assim como English Bob, antes dele, começa a ser absorvido no processo de construção mítica, pois suas atitudes demonstram que se sente atraído por vir a ser reconhecido como uma figura heróica, merecedor de se tornar numa lenda do Oeste.
Assim como o mito de English Bob como herói do Oeste foi destruído por Little Bill, quando este corrigiu alguns dos factos do livro ?The Duke of Death?, da autoria de Beauchamp, onde English Bob figurava como herói, também o seu mito vem a ser destruído por Will Munny, desta feita presenciado em primeira pessoa por Beauchamp. Encontrando-se ferido no chão, Little Bill protesta ?I don?t deserve this? I was building a house.?, ao que Will repele ?Deserve?s got nothing to do with it.?, por esta altura Beauchamp havia já deixado o saloon, implicando assim que a lenda de Will Munny iria ficar imaculada na forma como havia morto cinco homens em Big Whiskey saloon, não incluindo o facto dele ter disparado sob um homem ferido, a sangue frio. Desta forma Unforgiven demonstra a impossibilidade de separar alguns mitos da realidade.


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