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"WARRIORS", GUERREIROS SEM GLÓRIA



"WARRIORS", GUERREIROS SEM GLÓRI A Carlos C. de Andrada São notáveis a simplicidade e criatividade em "Warriors", que é, provavelmente, o melhor filme já feito sobre gangues de rua. Dirigido por Walter Hill, ambientado na conturbada e caótica cidade de Nova York dos anos setenta e com uma trilha sonora solidamente alternativa, mostra a diversidade de grupos que se formam através da perda da identidade individual na busca pelo domínio coletivo. A idéia da trama não é somente original no modo de tratar as roupas, símbolos e apetrechos de cada turma, como também a linguagem, a gíria, os termos do conflito urbano e principalmente o contexto do ponto de partida para o desenrolar da história. A distribuição das facções de jovens suburbanos fragmentando-se em incontáveis nomes reflete a realidade de uma metrópole anárquica, onde a polícia vive uma guerra interminável, muitas vezes travando combates nos quais duvida que vencerá. Em contra-ponto cogita-se a união de todos para um fim revolucionário, inimaginável...Até a emblemática frase de Cyrus: "Vocês sacaram, caras?" Quando tudo parece definido por um roteiro simples e apocalíptico, um acontecimento abrupto inicia a reviravolta que tornará os Guerreiros do título personagens centrais, figuras singulares a fugir e lutar pelas ruas, trens metálicos, parques e becos da floresta acidentada de concreto. São homens que chegam a beirar o mítico injustiçado, caçados num fogo cruzado por algo que nem cometeram. A começar pelo líder, negro num país assolado pelo racismo, comandante de outros das mais diversas raças e princípios, linchado como muitos inocentes, resistindo até o último fôlego. Os restantes têm como único vínculo os coletes, identificação fatal que confere certa lealdade e amizade. As cenas de briga podem parecer ingênuas ou "leves", porém a estética da coreografia marcial improvisada ainda fascina por ser um método crú de filmagem, com uso de câmera lenta apenas, sem as modernas técnicas de reversão e inserção de imagens por computador tão comuns atualmente. Além de não ser uma luta de combate regrada e coreografada, harmoniosa. É briga de rua mesmo, com golpes baixos, ataques desleais, uso de objetos; e quanto mais machucar, melhor. Não é ?Matrix?, mas é contundente, bombástico, autêntico. Cada confronto permanece clássico, impactante: perseguições, armas, recursos criativos de improviso, tudo faz a ação fervilhar para um empolgante desenrolar, terminando em violentos desfechos. As diferentes personalidades dos membros vão aparecendo, à medida que os confrontos acontecem, os obstáculos são ultrapassados, outras turmas são vencidas e fica-se mais perto de casa. Os trajes das gangues, suas armas, seus cabelos, tudo é muito característico, singular, definindo o grupo, tornando-o uma pequena unidade de combate num retalho suburbano. Há os que raspam a cabeça, os que usam tacos de beisebal, os que vestem macacão, as mulheres, os "Òrfãos"(em todos os sentidos), aqueles que usam chapéus, e os mais importantes (e numerosos) de toda conexão: os implacáveis Riffs - "Yeah, Riffs" -liderando a perseguição frenética com voz firme, comando inflexível, linhas de comunicação ágeis, mão de ferro e manobras estratégicas. Mas eles não são como os Warriors. Talvez pelo desespero momentâneo da luta pela sobrevivência, ou quer seja pela esperteza nata de quem nasce nas sarjetas, cresce nos becos e combate nos galpões suburbanos, eles sabem como agir. São bons demais para perderem os confrontos, espertos demais para se exporem e unidos demais para traírem-se ou agredirem-se mutuamente. O único contestador não se impõe e ainda acaba em situação desfavorável. As fervilhantes gangues estão à solta na noite de Noiva York, e seu mais completo e nítido exemplo são os rapazes de jaqueta vermelha e calças jeans compridas. A namorada do líder mostra uma personalidade forte e segura, sem perder a feminilidade. O que ela poderia perder seria a vida, se não fosse corajosa. A coragem, ao lado da união, é a cadeia que fecha a corrente de importância do filme. Quem é covarde ou não decide constantemente se arriscar, não dura, ou supera seus medos e entra de vez na pancadaria, ou então que caia fora. Brigar é um hábito diário, fugir é de praxe, ser perseguido e espancado pela polícia é rotina; ninguém tem medo de morrer, todos já sabem disso, nem há lamentos ou hesitação para quem faleceu ou foi deixado para trás. Não há tempo nem de pensar direito, os momentos são de agir, só a vingança rápida abre uma brecha nesse espaço hostil. No entanto, analisar este filme não é fácil, porque não se trata de uma produção que use somente cenas de violência gratuita ou brutalidade com vistas ao puro e simples entretenimento. A formação de gangues ou grupos de combate está entranhada na humanidade desde a pré-história, quando os homens formavam grupos de caça para enfrentar e abater grandes animais. Mais tarde os grupos brigavam entre si pelo domínio, território, comida, mulheres, objetos. Não é dessa origem ancestral que o filme trata, é claro, pois justamente observar desse parâmetro seria uma estupidez intelectualóide. Porém, levando em conta as circunstâncias espaço-temporais e os diversos fatores humanos mostrados na fita, se pode pensar mais aprofundadamente. É uma pena que Walter Hill não tenha conseguido repetir a mesma fórmula em seus filmes posteriores. E Martin Scorcese bem que tentou fazer o clássico definitivo em ?Gangues de Nova York?, porém os estereótipos e maniqueísmos, somados à reconstituição de época ? que por mais bem trabalhada, nunca é precisa ? tornaram o filme apenas razoável. E dos atores de Warriors também não sobrou ninguém de projeção, somente James Remar seguiu como coadjuvante em produções medianas até o momento. Contudo, o triunfo do filme talvez esteja irônica e justamente nisso: simplicidade, sem atuações brilhantes e abordagem temporal paralela. É um grande ? e inteligente, por que não ousar dizer ? filme, um clássico dos gêneros de ação, aventura e policial, quase inigualável em dinamismo e criatividade.


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