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O Anjo Exterminador



Surrealismo. Chegando da ópera, o casal Leandro e Luzia Nobile recebem em seu palacete um grupo de vinte pessoas para jantar. São cantores, maestros, doutores, gente da alta sociedade. Inexplicavelmente, porém, os empregados que deveriam servi-los vão aos poucos deixando o local, ficando apenas o mordomo Julio para atender todos os convidados. Apesar disso o jantar é um sucesso, embora os anfitriões estranhem que, passando das cinco horas da manhã, ninguém se manifeste para ir embora. Os quartos são então oferecidos para que passem a noite, mas ninguém parece interessado em deixar o cômodo, e todos dormem na sala, espalhados pelo chão. Quando amanhece, as pessoas dão-se conta de que simplesmente não conseguem atravessar a porta para sair da sala, sem que haja qualquer impedimento. O grupo começa a preocupar-se. Aos poucos, a elegância e a cordialidade vai cedendo lugar à impaciência, à irritação, e logo começam as hostilidades. Anoitece novamente, não há mais o que comer. Da mesma forma que no interior, fora da casa ninguém consegue atravessar o portão de entrada, nem a polícia. Passam-se dias, um dos convidados morre, vem o pânico, a depressão, o desespero. E na irracionalidade crescente, já há quem pense em assassinato.

A inexplicável situação limite imposta aos personagens, que vai minando convenções sociais e tirando a máscara de cada indivíduo, é a maneira do diretor/autor Buñuel explicitar a estranheza que atravessa as relações. Antes mesmo de consumada a prisão, a futilidade dos diálogos e comportamentos, a animosidade mal escondida nas entrelinhas da cortesia, a inconveniência de certos comentários (Está seguro da paternidade?, alguém pergunta gentilmente, diante de um casal que espera um bebê), a repetição de gestos e falas, são pequenas revelações não só de excentricidade, mas sinais da impossibilidade da convivência. Isto fica claro quando um dos personagens comenta que o grande martírio dessa situação é, mais do que tudo, "não poder estar só". Nessa hora as loucuras, as manias de cada um sobem até a superfície e vê-se um homem distraindo-se enquanto depila os pêlos da perna; uma mulher diante do espelho penteia insistentemente apenas um lado da cabeça; um casal que se refugia dentro do armário; o mordomo que, na falta de comida, se alimenta de papel picado; até as alucinações, como a da mão decepada deslizando pela sala. Nesta crítica social repleta de simbologia (como na cena em que todos avançam famintos sobre os carneiros que entram na sala), Luís Buñuel pinça os pequenos horrores da burguesia (o que voltaria a fazer mais vezes em sua obra) e os leva às últimas conseqüências de maneira brilhante e incomparável.


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