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Lua do dia



Tem pelo menos uns 10 anos que sempre faço um
texto pelo dia de hoje a todas as mulheres da minha vida. Mãe, irmã,
primas, amigas, namoradas, ex-namoradas, amores platônicos. Não por
fazer média, nem para fazer imagem de um homem contemporâneo, sensível,
ou até mesmo para ganhar pontos com elas. Tanto que os textos ao meu
ver, pelo menos, não tem cheiro de patchouli quando lido, não são
panfletários e nem mostram uma falsa homenagem. Coisa de um dia só. Mas
retratam mais o meu dia-a-dia. Meu olhar e a participação delas nos
fatos que presencio desde que me entendo por gente. Tanto que fazia
isso com uma regularidade que vai além do oito de março. Pode ser num
dia qualquer. Mas tem tempos que não guardava uns minutos para isso.
Trabalho, problemas, amores correspondidos ou não e que me faziam ter a
cabeça completamente vazia a ponto de escrever algo que valha. Talvez
a Lua que vejo sobre a Cidade Maravilhosa desse o frescor na mente que
precisava. Pela a janela do metrô via casas, casebres, fábricas tendo
apenas o olhar da Lua sobre elas. Como se a velocidade sobre os trilhos
não importasse. A cena que fiz na minha mente já estava fotografada.
Isso certamente não aconteceria num dia de sol mesmo que com um céu de
brigadeiro. Talvez porque temos na Lua a figura feminina, de
complacência, de inspiração, de afago na alma. Ou por simplesmente por
ser um substantivo feminino. É difícil vermos o sol. Causa
dor na vista. Precisa-se de artifícios para ver sua circunferência. Ele
nos agride com a fúria e a testosterona, mesmo que seja um sinal de
vida, de luz. A lua tem a calma das mães, o carinho dos amores que nos
colocam em seus colos todas as dores do mundo para serem totalmente
esquecidas. Podemos ficar por horas a olhar suas fases, o tom branco
que nem uma tela vazia demonstra. Para ela temos o olho a olho, sem
dor. Ela nos mostra suas crateras, como quem dissesse que também tem a
sua vida bastante marcada, mas nada que umas voltas sobre a Terra não
resolvam. É a ela que falamos sempre com o peito cheio de esperança,
sua maior amiga feminina. Vi um alfabeto
inteiro de todas as luas. Leonices, Alessandras, Marines, Giseles,
Mônicas, Roses, Anas, Carolines, Patrícias, Denizes, Elianes, Lisas,
Sonias, Selmas, Flavias, Beatrizes ou simplesmente seus apelidos que se
autodenominaram tão diminutivos e carinhosos. Ju, Mo, Ro, Pri, Kel,
Nininha... E por um momento virei-me em direção às pessoas dentro do
trem. Parecia não darem a menor atenção ao que acontecia lá fora.
Queriam apenas voltar para suas casas. Maridos, namorados, filhos
queriam saber que um bom sorriso iria recebê-los pelo dia de batalha.
Elas lá dentro do trem riam completamente como crianças, falando coisas
mil delas mesmas ou sobre o nada. Tinham esquecido completamente seus
problemas depois de desligarem o ar e a luz do escritório ao fim do dia. Não
sei o que farão hoje. Receberão flores, galanteios, presentes, cantadas
diversas. Umas bem sutis e agradáveis e outras que não se fala nem em
pensamento. Não sei se sou digno de dizer algo ou fazer alguma coisa.
Apenas sei que a Lua, assim como as mulheres no metrô, estarão por lá.
Também não sei se ela me recebe mesmo quando está nova ou minguante.
Mas posso apostar que a cada dia, cada fase, tenho novos sonhos. Alguns
belos, outros pequenos e talvez enormes, e muitos bregas demais pra se
dividir com uma alma feminina. E certamente me sentirei em casa.


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