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Cinema Paradiso



Drama. Ao receber de sua mãe a notícia da morte de um certo Alfredo, Salvatore Di Vitta relembra momentos de sua vida antes de retornar, 30 anos depois da partida, à cidade natal de Giancaldo. Suas recordações levam-no até meados da década de 1940 quando, menino, era um sonolento coroinha na igreja do Padre Adelfio, mais interessado em freqüentar clandestinamente o Paradiso, cinema local onde entrava na sala de projeção para perturbar o velho Alfredo, o projecionista. A convivência, e a amizade nascida daí, levaria o esperto e bagunceiro Totó (como Salvatore era conhecido por todos) não só a aprender a manipular o projetor, mas também a apaixonar-se pelo cinema, através principalmente das conversas com Alfredo, chegando a produzir suas próprias imagens com uma pequena filmadora. Com a destruição do cinema por um incêndio, e a reconstrução do mesmo por um dos moradores (que ganhara na loteria), Totó passa a ser o novo projecionista, e assim chegará até a adolescência, época em que se apaixonará perdidamente pela bela Elena e servirá nas Forças Armadas.

Filmes como este são acontecimentos, e assisti-los, privilégio. A visão nostálgica e melancólica do diretor/autor Giuseppe Tornatore não só da arte cinematográfica, mas do próprio ritual de ir e estar no cinema, tornou-se clássica desde sua primeira exibição. Não se fica alheio a Cinema Paradiso: o roteiro emocinado, que através da aparente simplicidade esconde uma farta riqueza de tipos e situações, recria toda a atmosfera de encantamento que os mais velhos um dia experimentaram, e de que a geração atual foi privada pela substituição das grandes salas luxuosamente decoradas pelos impessoais cubículos instalados dentro dos shopping centers
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Num tempo em que o público era ingênuo e a emoção causada pelos filmes era novidade, não era ainda o cinema um passatempo qualquer. Era espetáculo, ao qual se aplaudia e pelo qual se chorava, se ria e se deixava levar por tudo aquilo que ele então provocasse. Das palhaçadas de Chaplin à nudez de Brigitte Bardot, o filme de Tornatore não nos deixa esquecer o quanto é plural o cinema e seu público, e o quanto misturam-se a emoção na tela com a da platéia. Nos momentos breves em que mostra casais se formando, pessoas amadurecendo e, principalmente, os grandes olhares atentos às imagens na tela, sublinhando isso tudo com uma música bonita de doer a cargo do maestro Ennio Morricone, Tornatore está nos dizendo que cinema, como toda arte bem feita, é emoção, e está bem mais vinculada às nossas vidas do que supomos.

A trama simples, do menino pobre cujo pai morreu na guerra, difere pouco de outras onde o rito de passagem da infância para a vida adulta traz ao protagonista algo do qual ele jamais se esquecerá. Nesses filmes o que vale é a sensibilidade do diretor em descrever o tal rito de passagem, e Tornatore soube criar o ambiente ideal para desenvolvê-lo. Além da citada música de Ennio Morricone, preciosidade a qual pode-se ficar um dia inteiro elogiando, o diretor contou também com bela cenografia e direção de arte, responsáveis pela construção da deliciosa cidadezinha de Giancaldo e de seu cinema (que, na primeira fase, antes do incêndio, divide suas atividades com a igreja, aumentando ainda mais a mística do lugar). A riqueza nos detalhes fica evidente quando da passagem do tempo, e da estranheza, quase decepção, que as mudanças vão provocando.

O elenco é o outro trunfo do cineasta. Em volta do esplêndido Philippe Noiret, Tornatore colocou um time de figuras simpaticíssimas como o miúdo Salvatore Cascio, que faz Totó quando criança e que se revela irresistível personagem. Também plantou, entre a multidão de coadjuvantes que formam os habitantes da cidade, criaturas encantadoras como a mãe de Totó em sua fase adulta (que abre o filme e vai reaparecer apenas ao final), e o napolitano Don Ciccio, responsável pela construção do Paradiso. Figuras tão expressivas e bonitas que chegam a lembrar os cativantes personagens de outro italiano brilhante, Federico Fellini, em seu clássico Amarcord.

Mas não destacar o talento de Tornatore como narrador seria injusto. A elaboração na construção de imagens permite momentos como a sensível seqüência da costura que vai se desfazendo quando a mãe de Totó, ao final, vai receber o filho. Ou, ainda, a beleza escandalosa da imagem saindo do projetor e se deslocando pela sala de Alfredo, até atingir, na rua, a frente de um prédio.


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